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Entidades pedem à ONU investigação sobre mortos no Egito ------------------------------------------
Na noite de 30 de dezembro, centenas de soldados e policiais dos grupos antidistúrbios empregaram medidas de força para acabar com o protesto e retirar os sudaneses. A maioria foi levada a instalações das forças de Segurança do Estado. No incidente morreram pelo menos 27 sudaneses, segundo fontes oficiais egípcias, e mais de cem, de acordo com representantes dos desabrigados. As entidades desconfiam da imparcialidade das investigações do Governo egípcio. Eles pediram ao Acnur a formação de uma comissão internacional que averigúe se foram cometidos abusos. Poucos dias depois dos incidentes, o Governo egípcio expressou seu desejo de expulsar cerca de 650 sudaneses, intenção abortada após as críticas da comunidade internacional. No começo de janeiro de 2006, a Anistia Internacional fez um apelo ao governo egípcio para iniciar uma investigação rigorosa, independente e imparcial sobre a morte dos manifestantes sudaneses. A entidade também exigiu a interrupção da deportação sem o devido processo legal de qualquer manifestante de volta ao Sudão. Argumentou que tal investigação deve ser conduzida com a participação de peritos em direitos humanos da ONU e de membros das organizações independentes egípcias relacionadas aos direitos humanos. "A Amnesty International está incitando as autoridades egípcias a convidar o relator especial da ONU em Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias a fazer parte desta investigação", disse, em comunicado à imprensa. Contexto
Até o fim de dezembro, o número de manifestantes havia excedido 2.500, e as autoridades egípcias indicaram que pretendiam realocar os refugiados nos subúrbios do Cairo. Na noite do dia 29 de dezembro, as forças policiais cercaram a área durante os últimos minutos de negociações que, segundo consta, ocorreram envolvendo líderes da demonstração e oficiais do Ministério do Interior. Por volta das 3h30 da madrugada do dia 30 de dezembro, as forças policiais começaram a usar jatos de água para dispersar a demonstração e a agredir os manifestantes. "Eles querem nos matar", gritou um manifestante. "Nossas exigências são legítimas, é nosso direito protestar aqui, o único que temos". Segunda a BBC Brasil, o protesto começou quando a agência da ONU parou de oferecer ajuda aos que não conseguiram obter status de refugiados. Desde que o campo foi aberto, várias pessoas morreram e crianças nasceram. Muitas pessoas têm dormido a céu aberto. A agência
da ONU diz ter que priorizar ajuda para pessoas que sofram ameaças
reais de perseguição e não poderia resolver problemas
de discriminação e pobreza no Egito, país que apresenta
uma alta taxa de desemprego. A agência diz que a maioria dos manifestantes
é formada por migrantes econômicos ao invés de pessoas
fugindo de perseguição política e, portanto, não
se qualificam como refugiados.
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