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Somália à beira de desastre humanitário As agências humanitárias estão acompanhando a situação de perto desde dezembro do ano passado, e advertiram que a Somália enfrentará uma "grave crise de alimentos e de outras formas de sustento" se não for dada uma solução à situação. A ajuda internacional opera com muita dificuldade na Somália por causa da anarquia no país desde que a ditadura de Mohammed Siad Barre foi derrubada do poder.
Pessoas e cabeças de gado estão morrendo por causa da falta de chuvas e do baixo nível dos poços, deixando o país à beira de um desastre humanitário devido à falta de ajuda. Calcula-se que centenas de pessoas já tenham morrido de fome, escreve Abukar. Além disso, há milhares de animais mortos no campo por causa da falta de água. Enquanto a suposta ameaça iraniana não é totalmente verificada, a Somália é uma mostra clara do desprezo das grandes potências mundiais pela vida. Líderes tentam solução Militarização é problema grave.. Os
habitantes não têm alternativa a não ser ir para a
capital ou para outros centros urbanos, levando com eles problemas que
se juntam aos que o país já tem. Desde 1991, a Somália
não tem um Governo central e vive em constantes lutas entre clãs
rivais. Durante conversações mantidas no Iêmen neste
mês, o presidente Abdullahi Yusuf e seu rival político, Sharif
Hassan Sheikh Adan, concordaram que os membros Parlamento provisório
inaugurado em agosto de 2004 deveriam se reunir em solo somali. A sede
do governo central ainda não tem lugar definido.
"Um desses refugiados é Isha Osman, mãe de cinco filhos que teve de caminhar por oito dias, junto com outras 35 famílias, para escapar da seca e chegar a Mogadíscio", relata Abukar. "Andamos 320 quilômetros para poder sobreviver. Algumas de nossas crianças morreram no caminho e outras estão perto de perder a vida", disse a mulher. Isha é
de Gofgadoud, uma vila a 30 quilômetros de Baidoa, ligada a Mogadíscio
por uma estrada de 256 quilômetros. "Perdemos todo nosso gado por
causa da fome. Nos últimos dois anos, não tivemos chuva suficiente
para poder colher", acrescentou. No caminho para Mogadíscio, algumas
crianças do grupo morreram, mas seus corpos tiveram de ser abandonados
devido à impossibilidade de realização de um enterro
formal. O país é subdividido geograficamente em 18 regiões.
Interesses financeiros emperram ajuda externa Clique no mapa para ampliar.. As
agências humanitárias estão acompanhando a situação
de perto desde dezembro do ano passado, e advertiram que a Somália
enfrentará uma "grave crise de alimentos e de outras formas de sustento"
se não for dada uma solução à situação.
A ajuda internacional opera com muita dificuldade na Somália por
causa da anarquia no país desde que a ditadura de Mohammed Siad
Barre foi derrubada do poder.
Curiosamente, um relatório da CIA sobre o país, atualizado dia 10 de janeiro deste ano, afirma que as "dívidas [da Somália] com o FMI continuaram a crescer em 2004 e 2005"1, mostrando o que muitos desconfiam: que o Fundo Monetário Internacional continua atuando de forma danosa para o povo em países pobres da África, apesar das supostas "dívidas perdoadas" alardeadas pela mídia global. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) está enviando mantimentos à Somália, mas o que chega ao país pelo mar está sofrendo com a atividade de grupos de piratas, e a carga que chega por estradas tem de superar as barricadas dos milicianos. A situação foi classificada como uma "catástrofe humanitária" pelo coordenador da ONU para a Somália, Maxwell Gaylard, que visitou a região de Bakol e Gedo recentemente. "A escala de destruição é gigantesca. Quando você olha para o que precisa ser feito na Somália, às vezes se pergunta sobre onde deve começar", disse Gaylard, em recente entrevista a um escritório da ONU para questões humanitárias2. Segundo
dados das agências humanitárias, cerca de dois milhões
de pessoas podem ser afetadas pela fome se não conseguirem, em breve,
meios para subsistir. No dia 26 de dezembro de 2004, uma das catástrofes
naturais mais devastadoras da história contemporânea, o Tsunami
que varreu os países do Sudoeste Asiático, também
afetou a Somália, destruindo povoações e causando
a morte de aproximadamente 300 pessoas.
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