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Fantasmas: Boletim Veja Q Porcaria n.4 - 2006 ------------------------------------------
Ainda recebi, por e-mail, o rascunho de uma proposta de repúdio a revista por conta desta matéria, além de cópias de e-mails endereçados a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, e um e-mail anônimo intitulado “Veja mente”, pregando o boicote e uma campanha contra a revista. Por último, no dia do aniversário de São Paulo, a Rede Globo exibiu o simpático desenho da Disney “O corcunda de Notre-Damme”. Deve ser apenas coincidência, mas pareceu uma sutil ironia do programador de filmes, e quem já assistiu sabe do que estou falando, com o conceito de “revitalização” do centro de Andréa Mattarazzo, que muito lembra o antagonista do filme. - Semana
passada escrevi mal e porcamente sobre a questão do Chile. Vale
a pena ler este excelente artigo de Vinícius Motta, da Folha de
S. Paulo: “Cartas
Chilenas”. Ele se contrapõe e trata justamente da questão
do discurso neoliberal montado em cima do caso chileno. É curioso,
do ponto de vista dos gêneros jornalísticos, que este seja
em tese um artigo, mas é muito mais reportagem que a dita reportagem
ou notícia, que discursa e opina como artigo, publicada pela Veja
na edição anterior. Aproveitem e leiam também seu
artigo anterior, que é muito bom.
FANTASMAS Tinha falado para mim mesmo que não faria mais boletins gigantescos. Mas nesta edição decidi até dar um título específico ao boletim, e intertítulos, para ficar menos cansativo. Por que tanto assunto? Porque a Veja, com uma redação cheia de jornalistas, se apega de maneira tão radical à sua ideologia, seus dogmas e simplificações que as matérias negam a si mesmas o óbvio, para não sair do discurso repetitivo e tosco da revista. Mesmo que isso destoe da apuração. Fatos são transformados em fantasmas, espectros assustadores cuja existência deve ser negada por frases “definitivas”, mesmo que desconexas. Estes fantasmas são uma obsessão muito presente nesta edição da revista. Se você é estudante, e quer se dar bem na carreira de jornalista, guarde estes preconceitos e exiba-os pelas redações. Na maior parte delas pega muito bem. 1- Universidade pública, subsídios, planejamento e investimentos governamentais Comecemos pela matéria de capa e tema do seu editorial. Depois de uma série de veículos internacionais (de cabeça lembro o New York Times e o Boston Globe) e da própria revista Exame, Veja aborda o tema do sucesso dos combustíveis alternativos no Brasil, notadamente o Proálcool, e a auto-suficiência em petróleo. É uma rara matéria de sucesso cientifíco-tecnológico; de conquista “nacional”, na revista. Porém, não se pode deixar de dizer no olho da matéria que: “Não são conquistas de governos, mas do ambiente competitivo e da criatividade de gerações de cientistas”. Também diz, na Carta ao leitor que: “Mas os avanços são quase inimagináveis à luz da arcaica mentalidade mercantilista de gerações de brasileiros, doutrinados a acreditar no monopólio estatal como o caminho para a independência energética e tecnológica”. Mais um trecho: “Antes que o atual governo reivindique a paternidade desse formidável avanço, o que será inevitável em um ano de eleição presidencial, é bom lembrar que ele é fruto do esforço intelectual de indivíduos, instituições de pesquisa e investidores cuja filiação partidária em nada influiu em seus sucessos”. Verdade sobre este governo, mas olhe, eles não pensaram em privatizar ou mudar o nome da empresa responsável por isso... A sanha ideológica no presente, como o Stálin precursor do photoshop, apaga o passado. O monopólio passou, mas ao seu tempo não foi anacrônico, e sim essencial para criar a Petrobrás, que gerou, como a matéria mostra sem explicar a história, a tecnologia que permitiu a exploração de petróleo em águas profundas. Nenhuma empresa estrangeira tinha interesse econômico ou estratégico nisso. Não é uma conquista de governos, este ou o anterior, mas de Estado, pública, da sociedade, com investimentos maciços em uma empresa que ainda é estatal, e Veja não menciona isso, nem alcança esta dimensão, deixando como se tudo fosse obra da “mão invisível”, do “ambiente competitivo” e como se quase tudo dos governos nesta história fosse ineficiente. O monopólio como lei foi quebrado, mas a produção citada por Veja de investidores estrangeiros é pequena e as previsões da revista para o mercado de petróleo e o Petrossauro (expressão de Roberto Campos) não se concretizaram. Acho que nem as empresas privadas do setor diriam que este mercado é um ambiente competitivo no Brasil. Diga-se de passagem, a Petrobrás, com parte das ações privatizadas mas o controle mantido pelo governo, poderia gerar uma discussão sobre modelos de privatização e se esta formula não poderia ter sido aplicada em outros setores. Para quem se interessa por discussões. - Veja
concede sobre o papel do governo (na época, Geisel) na instituição
do Proálcool. Olha a dificuldade: “Em dez anos foram investidos
16 bilhões de dólares em pesquisas genéticas para
melhoria da cana-de-açúcar, subsídios ao preço
do álcool e compra de novas máquinas agrícolas com
financiamento a juros baixos. É preciso reconhecer que foi uma boa
idéia”. Apesar disso a matéria, de capa, não faz uma
menção ao programa de Biodiesel, que é a continuação
dos avanços do país no desenvolvimento de combustíveis
alternativos, e que até agora só foi citado pela revista
como motivo de galhofa. Talvez por ser um programa identificado com o atual
governo. Nem diz que o principal problema e demanda política para
os Estados Unidos implantarem um programa de combustíveis alternativos
é a falta da mão do Estado dando garantias para a criação
de uma rede de distribuição de etanol (cuja produção
lá é pesadamente subsidiada) e incentivos para carros bicombustíveis.
Porque isso vai contra o discurso liberal da Veja. E quando a realidade
contradiz a pauta...
- A auto-suficiência gera a seguinte discussão: Os preços internos da gasolina podem cair, se descolando dos internacionais? Sobre este rico assunto, eis o que diz a revista: “Em tempos de auto-suficiência, o que vai acontecer com o preço da gasolina? A resposta a essa pergunta geralmente desagrada aos consumidores. Ao contrário do senso comum, o fato de o país tornar-se auto-suficiente não significa que o preço do combustível deva desabar de uma hora para outra. Isso porque, para manter-se competitiva e rentável, a empresa acompanha as cotações internacionais. ‘Não se pode subsidiar o consumo de um produto escasso e não renovável’, afirma Franciso Gros, ex-presidente da companhia. ‘Seria demagogia.’” Ao contrário
desta simplificação, há posições diferentes,
e sem demagogia, de economistas sobre este assunto. A de Gros e da revista
é a do dogma segundo qual reza o mercado financeiro ao tratar do
tema, por conta dos interesses do setor na rentabilidade das ações
da empresa. A minha opinião pessoal; ignorante e particular é
de que por questões de realismo, ambientais e de investimentos tecnológicos,
não se deve mesmo exagerar ao colocar o preço da gasolina
muito abaixo da cotação internacional. Mas há gente
que defende isso por estimular o crescimento da economia e a competitividade
do país. Tem uma nação em particular, que pesadamente
pratica isso, apesar de não ser auto-suficiente no produto. Os Estados
Unidos (a esquerda, a auto-suficiente Venezuela).
- A matéria sobre combustíveis tem uma continuação, retranca no jargão jornalístico, sobre “inovação”, que é pesquisa em ciência aplicada, no jargão desta gente moderninha que faz MBA. A matéria trata das empresas que surgem ao redor da Unicamp, que é citada como centro disso. Mas, aliás como a maioria das matérias de ciência no Brasil, não liga lé com cré sobre políticas públicas de desenvolvimento de ciência e tecnologia, e o que gera este ambiente: universidades públicas, CNPQ, Fapesp, Capes etc... (como contribuição minha para esta tendência do jornalismo, darei só as siglas destas instituições). Um sistema de pesquisa que é muito mais forte em São Paulo, por causa dos recursos vinculados para estes setores que existem no estado, muito maiores e mais estáveis do que no resto do país. A matéria de João Gabriel de Lima é uma das que falam de universidade, entre públicas e privadas, nesta edição. O que não se faz, porque vai contra o dogma, é o link entre a existência de uma “cara” universidade pública de pesquisa e o desenvolvimento de um cinturão tecnológico em torno de Campinas. E Veja odeia a universidade pública. Nas palavras do entrevistado das páginas amarelas, Norman Gall: “O Brasil gasta com um aluno do curso primário um quinto do que gasta a Grã-Bretanha. Mas gasta com um aluno universitário duas vezes mais que a Grã-Bretanha.” Sabe donde sai esta conta? Da inclusão de gastos com pesquisa científica, pós-graduação, hospitais públicos e aposentadoria de docentes tudo no mesmo saco de gastos com alunos universitários. As públicas também são incompetentes. Nas palavras de Cláudio de Moura e Castro, colunista da revista ouvido como fonte nesta mesma edição, pela cada dia mais célebre jornalista Camila Antunes, é um “modelo que não funciona”. Moura e Castro é ligado ao setor privado de ensino brasileiro e famoso por defender que “qualquer”, isso mesmo, qualquer curso superior justifica a sua existência, porque sempre tem um efeito positivo sobre o aluno, independente da sua qualidade ou de formar o estudante como o profissional que está no nome do curso. A dita matéria é sobre a entrada de redes estrangeiras de universidades no mercado brasileiro, para nos “redimir”. Vamos ao trecho completo onde surge a declaração de Moura e Castro: “Como em outras áreas, o atual governo, no que diz respeito à educação superior, trabalha ainda com parâmetros do século XIX. Os burocratas da educação em Brasília têm medo do conhecimento de modo geral e pavor da produção acadêmica estrangeira – menos, é claro, da sabedoria emanada dos índios bolivianos e dos seus mestres de Cuba ou da Venezuela. Neste mês de fevereiro, o Ministério da Educação envia ao Congresso seu projeto de reforma universitária, que restringe em 30% a participação do capital internacional nas faculdades brasileiras. É mais um anacronismo lulista. A mesma canga ideológica levou o atual governo a anunciar, há duas semanas, que investirá 600 milhões de reais na criação de dez universidades públicas. "Ao ampliar um modelo que já não funciona, o governo só aumenta o problema", diz o economista Claudio de Moura Castro. Enquanto isso, a China divulgou que vai gastar quase dez vezes aquele valor para atrair professores e universidades americanas privadas para ensinar seus jovens. Tristes trópicos petistas.” Na revista que dá capa a conquistas tecnológicas brasileiras, desenvolvidas em grande parte por instituições como o IPT, COPPE-UFRJ e Petrobrás, todas públicas, por alunos formados na sua imensa maioria na USP, Unicamp e UFRJ, todas públicas, muitos com bolsas de estudo e pesquisa pagas pelo CNPQ, Capes e Fapesp, tudo dinheiro público, é um elogio a boçalidade, um anti-serviço, uma ignorância achar que a redenção da produção do conhecimento no Brasil virá de franquias externas de ensino e das vibrantes universidades privadas brasileiras, famosas por formar legiões de pagantes em cursos “lousa e giz”: administração e direito. É claro que te que entrar mais dinheiro das empresas privadas em pesquisa em C&T. Mas hoje e ontem, são as verbas públicas nas universidades que induzem desenvolvimento e suportam todo o sistema de ensino superior brasileiro, ao formarem professores pela pós-graduação. As privadas se alimentam da pós das públicas e só abrem as portas onde já existe renda. Podem melhorar a mão-de-obra, mas salvo exceções pontuais (de pessoas e instituições), não geram conhecimento, não são universidades no sentido estrito do termo. Aliás, esse parágrafo de Antunes é uma bobagem completa, porque há uma integração cada vez maior da produção acadêmica nacional com a estrangeira, promovida justamente pelos burocratas e cientistas das universidades de ponta, por redes de pesquisa e pela Capes em seus sistemas de avaliação (um quesito crescente chamado “internacionalização"). Tanto que já virou um problema de pressão excessiva sobre o sistema. Falta, de fato, mas a matéria nem fala disso, maior liberdade para contratação de docentes estrangeiros que possam trazer conhecimento para cá. Mas Anhembi-Morumbi, Laureate e escolões do gênero que tem pós irrelevante tem tanto a ver com “produção acadêmica” quanto as matérias de Camila Antunes com bom jornalismo. E sobre os “índios” falaremos a seguir. - Jornalismo de verdade, que abarca o contraditório do “desenvolvimento” e seus efeitos colaterais, e funciona como belo “Lado B” da capa de Veja, é a matéria da revista Carta Capital sobre os efeitos dos royalties da produção de petróleo na cidade de Macaé, Rio de Janeiro. 2- Chávez, Bolívia, Fórum Social Mundial e as “Esquerdas” Chávez virou uma obsessão , como se pode ver pelo trecho dos “índios” mostrado acima. Olhe esta passagem na matéria de Daniela Pinheiro, sobre o financiamento de Chávez de 1 milhão de reais para um desfile de carnaval sobre a América Latina: “A farra de autopromoção que Hugo Chávez vem fazendo à custa do dinheiro do povo venezuelano é um crime à espera de castigo. Ineficiente, corrupta e anacrônica, a indústria petrolífera de Chávez vem se esbaldando nos altos preços do combustível no mercado mundial. O presidente enfia a mão nos cofres da empresa e distribui o dinheiro como quer. Essa farra também não vai durar para sempre.” Veja dá duas páginas para esta pauta sobre escolas de samba que em um lugar sério seria no máximo uma nota. Mas ali, é uma boa oportunidade de “bater” em Chávez. Desfila adjetivos sobre a ineficiência da PDVSA que sabe-se lá donde vieram. Os leitores da revista não saberão, por exemplo, que Chávez tem investido muito mais, centenas de milhões, em uma refinaria que gerará empregos em Pernambuco. O presidente da Venezuela é chamado de “líder autoritário e maluco”, assim mesmo, em um box mais adiante, sobre “petroditadores”, junto com iraniano Mamoud Ahmadinejad. Bem, os dois foram eleitos, apesar de haver uma série de problemas no sistema eleitoral iraniano, regulado pelo clero. Mais que isso. Quando fala da farra dos regimes movidos a petróleo, Veja cita a Arábia Saudita ou o Iêmen, que constroem prédios nababescos, consomem ouro e constroem montanhas de neve no deserto? Ou que tal o Kuwait, onde os cidadão locais não pagam impostos e trabalham pouquíssimas horas por dia? Ou mesmo a Venezuela do passado, que tinha petróleo há décadas, mas que a elite, que foi incapaz de derrotar Chávez, também não conseguiu reduzir a pobreza ou industrializar o país? As “profecias” deste box são um delírio engraçado pelo tom profético. Suas últimas frases: “Sim, mas no decorrer desse período a extração do petróleo remanescente vai exigir técnicas refinadas, incompatíveis com o atraso tecnológico típico de regimes autoritários e fanfarrões. Enquanto isso, diversas fontes alternativas de energia – como o álcool brasileiro – deverão florescer em países democráticos (grifo meu). Será o fim dos petroditadores.” Não, o box não cita Bush neste grupo. - Obviamente, todo o ano cabe a Veja dar uma avacalhada no Fórum Social Mundial. Este ano, ele merece um desce naquele quadro bobo porque o “‘chavismo’ ficou dono do evento e usou os participantes para propagandear o governo local”. Os leitores da Veja não serão informados que a Venezuela era apenas uma das três sedes do Fórum (as outras são Mali e Paquistão) que é uma coisa, com um conselho internacional diverso, inclusive nas suas opiniões sobre Chávez, e o governo da Venezuela, outra. Até aí, o Fórum Econômico Mundial, que nitidamente perdeu a batalha midiática (que é apenas uma das) para seu concorrente, já pagou o mico de endeusar Domingo Cavallo, a besta econômica argentina. Mas eles serão informados, pela coluna de Tales Alvarenga que o fórum é “o maior encontro de socialistas do planeta”, que reúne a “esquerda juvenil latino-americana”. Muitos participantes do Fórum não são socialistas, mas e daí? Tales está preocupado com os esquerdistas que vendem ilusões para os nossos jovens. Os participantes do Fórum, finaliza Tales após uma simplória leitura das filosofias marxista e liberal dos séculos XIX e XX: “Não podem dizer a verdade. Seus inimigos são, na realidade, a economia de mercado e sua expressão política, a democracia. São milhões. São antidemocráticos. Não são inofensivos. Um vácuo metafísico facilita seu proselitismo.” A associação onde a democracia deriva da economia de mercado, e não existe sem esta é popular entre neoconservadores norte-americanos e tupiniquins. É uma tese que não explica como regimes ditatoriais vivem por longos períodos em países capitalistas, ou mesmo que o desenvolvimento do capital produza regressão na democracia representativa e liberdades individuais (como nos Estados Unidos de Bush, ou na Itália de Berlusconi). Mas é utilitária para que tentativas de regulação de mercados e distribuição de renda sejam todas classificadas como anti-democráticas. E para que qualquer tipo de privilégio ou propriedade, mesmo a francamente monopolista, improdutiva e abusiva, seja elevada a condição de direito político inalienável. Impressionante este trecho final do artigo de Tales Alvarenga. É como se “as esquerdas”, o “esquerdismo” fosse este espectro que ronda a redação da Veja. 3- Juros e “investidores externos” - Um texto intitulado “As lições da era Greenspan”, sobre o presidente do Banco Central, independente, norte-americano, é um corolário do pensamento, e dá-lhe ideologia, da revista na área. Duas coisas me chamaram a atenção. Uma é que Veja defende a atual taxa de juros quando até Gustavo Franco, veja bem, Gustavo Franco, acredita que ela poderia ser mais baixa. Ela diz que é importante seguir com o ajuste fiscal e não baixar os juros, quando nosso principal problema fiscal, já faz tempo, são justamente os juros altos. Depois, na profunda crença dos investimentos externos, este mito absoluto e redentor do folclore econômico brasileiro, que equivale a uma segunda vinda do messias ou a mula sem cabeça, diz que o Brasil perdeu o bonde de liquidez (vulgo, excesso de capitais) internacional por apostas erradas do atual governo. Meia-verdade. Tem um monte de capital aqui dentro, deitado no berço esplêndido dos nossos juros imbatíveis. Quanto a investimentos produtivos, e a queda do Brasil de terceiro para oitavo destino de investimentos no mundo do governo FHC para o Lula, as privatizações explicam isso. O capital externo entrou para comprar ativos (vulgo, imensas estatais e empresas privadas), em clima de saldão, não para ampliar significativamente o parque produtivo e o setor de serviços. Basta ver a transição de propriedade de mãos nacionais (públicas e privadas) para transnacionais no período 94-2002. O ritmo era impossível de ser mantido em condições normais. Claro que o Brasil atrai pouco investimento. Mas com o crescimento pífio que tem, entre outros fatores os juros altos, que é uma aposta do governo, deve valer muito mais a pena mesmo investir na China, Índia etc... - Diogo
Mainardi escreveu sobre não tão recente entrevista do professor
(fui seu aluno e tive excelentes aulas com ele) e assessor do presidente
Bernardo Kucinski. Fazendo um resumo mainardiano dela, Diogo ficou irritado
porque notou que Kucinski se considera melhor que ele. Pegou esta consideração,
que é correta, Kucinski é mesmo melhor que ele, e generalizou-a
para lulistas e anti-lulistas, o que não faz nenhum sentido além
de projetar as neuroses e frustrações do colunista para o
campo político. Uma pena, porque de resto Mainardi é um sujeito
feliz que vive bem com sua família no Rio de Janeiro, consta que
é excelente pai, e têm empregos moles e bem remunerados em
um país onde o desemprego é grande. Se crítico a Veja
e seus jornalistas, é porque em algum nível eu levo a revista
e seus efeitos a sério. Eu não desprezo como jornalista
quem assina textos abomináveis, não porque são de
direita ou esquerda, mas por serem bobagens, porcarias. Eles que estão
se desprezando. Quando escrevo este boletim eu os levo mais a sério
do que eles mesmos. Nada disso se aplica ao Mainardi.
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