| corrupção
Megafraude na Bahia com verbas do BIRD ------------------------------------------
No Produzir I foram consumidos R$ 235 milhões, em grande parte desviados e desperdiçados. A revista paulista foi a Conceição do Coité, Riachão do Jacuípe, Valente e Pintadas, onde foram encontrados galpões e equipamentos abandonados. Se uma pesquisa em 11 municípios encontrou 303 projetos suspeitos, imaginem quantos não terão nos 407 municípios em que a CAR está presente. E o governo da Bahia anuncia novo financiamento para jogar fora em mais projetos da CAR. Megafraude fortalece denúncias de Emiliano A denúncia da megafraude no semi-árido fortalece as iniciativas do deputado estadual Emiliano José (PT-BA), que apelou à Justiça, ao Ministério Público Estadual e ao Senado para impedir novos financiamentos externos do governo baiano que, segundo o TCE, já extrapolou os limites legais de endividamento. O governo baiano quer financiar com o Banco Mundial (BIRD) mais US$ 54 milhões para o programa Produzir II, a cargo da CAR. Serão mais US$ 54 milhões jogados fora. As denúncias de Emiliano foram distorcidas pelo jornal Correio da Bahia, nas palavras do Procurador Geral do Estado, Raimundo Viana. O deputado quer que o procurador repita as difamações na Justiça. Ele já foi notificado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O jornal de ACM omitiu, inclusive, que o deputado se baseou em relatório do TCE. O que a revista Fórum descobriu na Bahia? Em Conceição do Coité, a 210 km de Salvador, no povoado de Caruaru, um moinho de milho foi instalado em 1992, mas nunca funcionou de fato. No povoado de São João, uma fábrica de sabão abandonada virou casa de família, e os tambores de produtos químicos foram isolados num cômodo. No povoado de Tanque de Terra, a fábrica de vassouras existe, mas não funciona. A guilhotina de corte e os perfuradores enferrujaram por falta de uso. Os moradores de Conceição do Coité desconhecem o destino do maquinário da olaria de Caribó. Há indícios de que apenas R$ 7 mil dos R$ 18 mil financiados tenham sido efetivamente empregados. Neste município do semi-árido baiano, apenas dois projetos de um total de 25 funcionam adequadamente. Os equipamentos sob responsabilidade da CAR simplesmente desapareceram. Em Riachão do Jacuípe, no povoado de Campo Alegre, em 1996, a CAR liberou R$ 41,6 mil para construção de uma ponte de concreto sobre o rio Jacuípe. No lugar da ponte de concreto existe apenas uma "passagem molhada", que somente permite o trânsito de veículos de grande porte, já que a água corre por cima do caminho. Em Pintadas, administrada há dez anos pelo PT, os programas da CAR, como o Produzir I, foram usados para criação de uma verdadeira prefeitura paralela. Em Valente, no povoado de Recreio, as máquinas de costura estão guardadas num galpão fechado há anos. No povoado de Santa Rita de Cássia, o galpão de um moinho de milho virou garagem para a carcaça de dois carros. Um Centro
de Abastecimento construído foi usado para exposição
de produtos apenas por um dia e depois foi abandonado e depredado. Telhas,
portas, vasos sanitários e até caixas d'água foram
retiradas. A revista, que está nas bancas, documentou tudo com fotografias.
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