pequenos detalhes
Não sei se o Bush é o anticristo, mas...
Por Renato KressPor Renato Kress, outubro de 2005
Tá lá no Tao Te Ching, compilado em 300 a.c.: 
‘(...) Quando morreu a consciência do povo,
Falou-se em autoridade do governo
E lealdade dos cidadãos’ – Lao Tse, fragmento final do poema 18.

Acerca de Bush e a explosão de movimentos sociais:

‘Tenro e flexível é o homem quando nasce
Duro e rígido quando morre
Tenras e flexíveis são as plantas
Quando começam,
Duras e rígidas quando terminam.
Rígido e duro o que sucumbe à morte,
Tenro e plasmável o que é repleto de vida.
Quem julga ser forte só pelas armas
Não vencerá.
Árvores que parecem possantes
Sempre se aproximam do fim.
Pelo que vale isto,
O que é grande e forte
Já está a caminho da decadência.
Mas o que é pequeno e plasmável
Isto cresce.’ – Lao Tse, poema 76 do Tao Te Ching

Afeganistões, Iraques e demais massacrados:

‘Que um país seja pequeno
E de escassa população – 
Que importa! 
E se suas forças armadas 
Fossem de apenas 10 ou 100 homens,
Que nem usassem suas armas – 
Deixemos seus habitantes viver em paz
E cultivar seu torrão de terra!
E se não usassem seus navios,
Nem os seus carros de batalha,
Nem suas armaduras –
Deixemo-los voltar às tradições paternas!
Estão contentes com seus alimentos,
E felizes com seus trajes,
Acham lindas as suas moradias
E bons os seus usos e costumes
E se tão próximos deles fossem os vizinhos,
Que se ouvissem o canto dos galos e o latir dos cães,
De lá pra cá e de cá pra lá
Deixemo-los viver em paz!
Envelhecer contentes
Morrer tranqüilos...
Mas não os privemos de sua liberdade.’ – Lao Tse, poema 80 do Tao Te Ching

Bom livrinho esse Tao, tem até dicas de como assistir ao Jornal Nacional:

‘Quem conhece a sua ignorância
revela a mais alta sapiência.
Quem ignora sua própria ignorância
Vive na mais profunda solidão.
Não sucumbe à ilusão
Quem conhece a ilusão como ilusão.
O sábio conhece o seu não-saber,
E essa consciência do não-saber
O preserva de toda ilusão.’ – Lao Tse, poema 71 do Tao Te Ching

Ou dicas de turismo para o Rio de Janeiro:

‘Um grande estado deve ser
Como um vale profundo,
A que afluem os rio menores.
Deve ser como o lar dos povos, 
Como a mãe dos estados menores.
Assim como, na vida humana,
A fêmea sempre subjuga o macho
Por sua suavidade e recipiência,
Assim, na vida pública:
O estado sempre vence os outros quando é receptivo.
Receptividade revela superioridade.
Seja o estado grande ou pequeno,
O que importa é que o grande estado nada queira,
Senão unir e favorecer.
E que o estado pequeno não queira
Outra coisa senão o bem comum.
Assim, nessa mútua colaboração,
Lucra cada um dos dois poderes.
A verdadeira grandeza se revela sempre
Pela receptividade e pelo auxílio mútuo.’ – Lao Tse, poema 61 do Tao Te Ching

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Renato César da Costa Kress é brasileiro, poeta, escritor e nasceu no Rio de Janeiro no ano 82. Concluiu seus estudos secundários no Colégio Cruzeiro - Deutsche Schule. Lançou em 2000, aos 18 anos, o livro Consciência, sobre impactos do neoliberalismo nos países de terceiro mundo, livro este que começara a escrever dois anos antes. É co-fundador e co-editor da revista eletrônica www.consciencia.net, e membro do I-Latina.org (www.i-latina.org). Atualmente cursa a faculdade de Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Contato por e-mail, clique aqui. Para outros textos do autor, clique aqui.

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