.Agência
__________________________________________________________
Editoria: DIREITOS HUMANOS / RJ


Sem-Terra está desaparecido em Campos

Após sofrer violentas agressões no despejo surpresa ocorrido na manhã de terça-feira (24/1), no acampamento Oziel Alves, no conjunto de fazendas da extinta Usina Cambahyba, em Campos, o sem-terra Antônio Carlos desapareceu na manhã da quarta-feira (25/1)
 

Após sofrer violentas agressões no despejo surpresa ocorrido na manhã de terça-feira (24/1), no acampamento Oziel Alves, no conjunto de fazendas da extinta Usina Cambahyba, em Campos, o sem-terra Antônio Carlos desapareceu na manhã da quarta-feira (25/1). Segundo Leo Haua, da coordenação estadual do MST e antigo morador do acampamento, o sem-terra saiu às 5h da manhã de casa para pegar leite e não havia voltado até às 19h, noticiou o boletim 'Rápido', da CUT/RJ.

A ação de despejo foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a tropa de choque da Polícia Militar de Campos, sob comando do Major Sabino. Casas de alvenaria e plantações, que abastecem o município e garantem a auto-sustentação das 162 famílias há seis anos, foram totalmente destruídas pela polícia.

Antônio Carlos foi ameaçado e estava machucado

Um dia após o despejo, Antônio Carlos foi novamente agredido e ameaçado. “Disseram que ele não resistisse a sair da terra e não participasse mais de mobilizações. Nós o levamos ao dentista e ao médico para que as agressões fossem registradas e hoje iríamos à Delegacia de Campos fazer queixa mas não o encontramos mais”, conta Léo.

No momento do despejo o superintendente do Incra do Rio estava na sede do órgão em Brasília, encaminhando um novo decreto de desapropriação da terra sob a modalidade de Decreto por Interesse Social Genérico, pouco usada pelo governo porque prevê o pagamento em dinheiro e não em títulos da Dívida Agrária.

O juiz Marcelo Luzzio, da 2ª Vara Federal de Campos, concedeu reintegração de posse ao proprietário das terras, Jorge Lizandro, mesmo pesando contra este denúncia de crimes ambientais e omissão em relação a trabalho degradante em terras que arrenda à Usina Santa Cruz, além da improdutividade comprovada pelo Incra.

Para as elites, questão social continua sendo caso de polícia

O relato dos moradores sobre a forma autoritária com que foram tratados nos remete às ações da Polícia Estadual do Paraná contra o MST, durante o governo Jaime Lerner. Em uma dessas ações, no dia 2 de maio de 2000, foi assassinado o lavrador Antônio Tavares Pereira com um tiro no abdômen. Conseguiram ser piores do que aqueles que expulsaram os moradores do cortiço Cabeça de Porco, no centro do Rio, em janeiro de 1893. Os sem-terra de Campos, em 2006, não puderam sequer pegar as portas de suas casas para usar numa outra construção, o que foi permitido aos moradores do Cabeça de Porco.

“Foi uma barbaridade o que fizeram”, relata Léo. “A Polícia Federal e a Tropa de Choque da Polícia Militar. Agrediram as pessoas. Um morador com 55 anos foi jogado no chão, arrastado, chutado. Ameaçaram as pessoas com seus cassetetes e cachorros. Só permitaram a entrada da imprensa por volta das 11h, quando a maioria das casas já estava no chão. Não davam satisfação de nada. Eles teriam que ter avisado ao Iterj e ao Incra sobre a ação e não avisaram ninguém.”

Com Informações do boletim Rápido, da CUT/RJ, em 26/1/2006.

__________________________________________________________
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST
Fechamento: 26/01/2006 - 21h37
Contatos: Taís Peyneau - (21) 2533-6556 / 9769-1138
Ref. http://www.consciencia.net/2006/0126-oziel-alves.html

__________________________________________________________
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando.

__________________________________________________________
www.consciencia.net/agencia