literatura
O Guardador de Rebanhos
Alberto
Caeiro, 1914
O
meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho
o costume de andar pelas estradas
Olhando
para a direita e para a esquerda,
E de
vez em quando olhando para trás...
E o que
vejo a cada momento
É
aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu
sei dar por isso muito bem...
Sei ter
o pasmo essencial
Que tem
uma criança se, ao nascer,
Reparasse
que nascera deveras...
Sinto-me
nascido a cada momento
Para
a eterna novidade do mundo...
Creio
no mundo como num malmequer,
Porque
o vejo. Mas não penso nele
Porque
pensar é não compreender...
O Mundo
não se fez para pensarmos nele
(Pensar
é estar doente dos olhos)
Mas para
olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não
tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo
na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque
a amo, e amo-a por isso,
Porque
quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe
por que ama, nem o que é amar...
Amar é
a eterna inocência,
E a única
inocência é não pensar...
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Dica de Augusto.
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