niterói (rj)
Escola de desabrigados
Quinze famílias dividem abrigo..
improvisado. Fotos: Carlos Magno..
As vítimas das últimas chuvas juntam-se aos sem-teto do temporal de setembro. Do jornal Q!, 13/12/2005


As últimas chuvas em Niterói levaram mais que a casa da alagoana Maria José da Silva, 39 anos. Os 15 minutos em que permaneceu soterrada sob os escombros enterraram o sonho de uma vida melhor na cidade grande. Há 20 dias morando em um abrigo improvisado pela prefeitura numa escola municipal, Maria – que perdeu tudo o que tinha no temporal do fim do mês passado – já decidiu: vai voltar para Alagoas. "Nunca mais quero passar pelo que passei aqui. Perdi tudo. Quero uma casa, mas lá na minha terrinha", desabafa. O drama de Maria é compartilhado por pelo menos 30 famílias, desabrigadas pelas chuvas de novembro e do último fim de semana, de acordo com a Defesa Civil do município.

As famílias estão abrigadas provisoriamente em seis pontos diferentes. Na Escola Municipal Helena Antipoff, na Grota do Surucucu, Maria e os sete filhos (o marido continua internado) dividem uma sala com o cunhado e a mulher dele. Ali, convivem com uma infiltração, que alaga o local toda vez que chove, e com a falta de recursos. A comida vem da cesta básica dada pela Prefeitura e também de doações. Há água e luz, mas o cheiro de mofo é insuportável. "Meu sonho agora é uma casa. Não quero recursos, só um lugar para morar", diz Maria.

Sandra Carla Ribeiro da Silva, 24, foi alojada com os cinco filhos na cozinha da escola. Ela chegou ao local há 20 dias e ainda não sabe quando vai poder voltar para casa, no Morro da Cachoeirinha. "Eu não tenho para onde ir e ainda não temos previsão para sair daqui", lamenta Sandra. Sua casa foi interditada pela Defesa Civil no temporal que atingiu a cidade no fim de novembro. "Meus planos para o Natal acabaram. Mas ainda tenho esperança de que tudo mude até lá", afirma. 

O medo das famílias que estão na escola é chegar à situação da dona de casa Zumar Ribeiro Silva, 46. Ela mora em abrigos provisórios desde setembro, quando teve sua casa, também no Morro da Cachoeirinha, interditada pela Defesa Civil após uma tempestade. Com a continuação do temporal, o barraco acabou desabando. Antes, no entanto, teve a casa saqueada por moradores do local, perdendo móveis, geladeira, fogão e outros pertences. "Estou nessa situação há dois meses. Não me restou nada. Só essa sensação de abandono, porque só tenho contado com a ajuda das pessoas", revela Zumar, uma espécie de líder no colégio.

A Prefeitura ainda estuda uma forma de abrigar, em definitivo, as famílias que perderam suas casas. De acordo com a Defesa Civil, desde domingo foram feitos 111 atendimentos.
 
 


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