| Blindando a economia e imunizando
o modelo excludente
Por Renato Kress & Gustavo Barreto, co-editores, agosto de 2005 O termo blindagem, tal como tantos outros, entrou de uma vez por todas no vocabulário da imprensa brasileira. A priori, "blindar" nos faz lembrar um carro-forte ou um tanque de guerra. A idéia é a de que, uma vez protegido por conta de um elemento X (ou um conjunto de elementos), nada poderá atingir o objeto blindado. A FOLHA fez a seguinte manchete na segunda 22: "Injeção de R$ 64 bi ajuda a blindar economia". Nesse cenário, entramos em um economês populista feito com base em lugares-comuns - como tantas vez faz o próprio presidente da República. Chamamos atenção também para o primeiro termo da frase, talvez de maior relevância: "injeção", ou seja, a "ação de injetar sob pressão líquido ou gás no organismo com o auxílio de seringa e agulha, sonda ou cânula". Uma linguagem da área da saúde, que nos sugere a idéia uma espécie de "imunização" do modelo econômico contra toda e qualquer alternativa de mudança - exigência por muitos economistas de esquerda que não se venderam ao "mercado". A simplificação de esquemas econômicos em metáforas do dia-a-dia, apesar de ser ferramenta útil à prática da comunicação, não deveriam, ao nosso ver, ser usadas para ludibriar o leitor. Muito menos para "blindar" a economia e "imunizar" um modelo perverso que o brasileiro decidiu abandonar (mas não o presidente), como indicado nas urnas em 2002. []
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