| O
que já está provado
Por Clóvis Rossi, 6/8/2005, na Folha de S. Paulo SÃO PAULO. A torrente de denúncias e a grande quantidade de políticos e partidos envolvidos acabou por nublar o cenário. O exemplo mais eloquente de confusão gira em torno de saber se houve mensalão ou não. Aí, passa-se a uma questão de fé: eu acredito em José Dirceu ou eu acredito em Roberto Jefferson ou eu acredito em duende. Bobagem. Vamos aos fatos já provados: o PT, via Delúbio Soares e Marcos Valério, comprou um punhado de deputados. Esse é um fato não controvertido porque confessado pelos autores. Se a compra foi em suaves parcelas mensais, como diz Jefferson, ou em grandes tacadas, importa um pepino. Prevalece o fato de que houve compra de parlamentares. Mesmo que se alegue que o dinheiro destinava-se a pagar dívidas de campanha ou para as futuras campanhas, continua o fato principal: houve compra de deputados. Ou algum tolinho aí acha que, ao financiar a campanha de José, Valdemar ou João, o PT nada esperava em troca? Etapa seguinte dos fatos: quem se beneficiaria do dá-cá-toma-lá com os Josés, Valdemares e cia. não era precisamente o PT, mas o governo do PT (nas votações no Congresso ou em futuros apoios para a reeleição do presidente Lula). Tudo o que falta apurar é quem, no governo, inventou, estimulou, tolerou ou não viu o esquema. Ponto. Na outra ponta, é preciso apurar quem financiou o esquema, a menos que algum pateta acredite que foi Marcos Valério. Acredita nisso quem acredita que o Land Rover de Silvio Pereira foi doado no mais lindo gesto de amizade. Tudo somado, o crime está provado, os nomes de alguns de seus praticantes/beneficiários idem. Por que não começar a limpeza por aí, enquanto se apura o resto?
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