“Gostaria
de denunciar uma agressão física que sofri, dentro do DENARC,
durante cobertura jornalística para o veículo no qual trabalho,
o DIÁRIO DE S.PAULO. Ontem, dia 10 de agosto de 2005, por volta
das 18h, estava no DENARC (Departamento de Narcóticos, situado no
bairro do Butantã / SP), no 3º andar, para fazer uma foto de
um traficante preso por policiais deste departamento. Vários veículos
de comunicação encontravam-se no local quando a agressão
ocorreu, porém em salas fechadas, gravando matérias sobre
o caso.
Quando
cheguei ao local para fazer a foto, um policial me indicou o local onde
estava o traficante preso. Ele encontrava-se numa sala prestando depoimento
a um outro policial, que estava de costas para o corredor onde eu me encontrava.
Calmamente, troquei a lente da máquina para poder fazer a foto do
traficante preso, de modo que o enquadramento fosse apenas do rosto do
traficante.
Quando
disparei a primeira foto com o flash, o policial que estava tomando o depoimento
do traficante, levantou-se furiosamente da cadeira e correu em minha direção,
empurrando-me aos gritos: "EU SOU POLICIAL, EU SOU POLICIAL..." Jogou-me
contra a parede e quebrou meu equipamento propositadamente. No corredor
havia vários outros policiais e um único jornalista, que
acabou servindo de testemunha da agressão.
Em seguida
à gritaria no corredor, as chefias do agressor vieram saber o que
havia acontecido. Depois de relatar o ocorrido, eles prontificaram-se a
pagar o equipamento e pediram para que eu relevasse o acontecido, com o
que não concordei. Disse que iria à corregedoria da Polícia
Civil para denunciar o policial, cujo nome é Antonio Honório.
O jornalista
que estava comigo e que serviu de testemunha relatou o fato ao diretor
de redação do jornal, que num primeiro momento concordou
em publicar nota sobre a agressão junto à matéria
da prisão do traficante. Porém essa decisão durou
até a ligação de um delegado do DENARC para o diretor
de redação, que resolveu não publicar o fato.
Como podemos
ver, a censura neste país não acabou, e tampouco a tortura
nas dependências do aparato repressor do Estado, pois se um policial
agride um jornalista na frente de várias pessoas, o que não
fará nos porões dos cárceres? Vou encaminhar esta
denúncia à corregedoria da polícia civil e se alguém
souber de outros locais onde esta denúncia possa ser feita, por
favor me escrevam”.
Wladimir
de Souza - Repórter-fotográfico.