Bancada do PT tem crise de choro

Da Tribuna da Imprensa, 12/8/2005

BRASÍLIA. O depoimento do publicitário Duda Mendonça provocou lágrimas na bancada do PT. Indignados com as revelações de Duda, vários deputados do bloco de esquerda do partido desabaram no choro no plenário da Câmara. A sessão rasga-coração começou com discurso do deputado Tarcicio Zimmermann (PT-RS), que não se conteve ao tentar responder a um duro pronunciamento do deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), proclamando o fim do governo Lula e acusando o presidente de ser "o arquiteto" de todo o esquema financeiro paralelo do PT.

Programado para marcar a leitura de uma nota com um pedido de convocação de uma reunião extraordinária do Diretório Nacional do PT e de afastamento imediato dos dirigentes do partido envolvidos com as denúncias de mensalão, o discurso de Zimmerman virou uma recriminação contra os "companheiros que nos traíram" e desatou a crise emocional petista. "Os dirigentes do PT têm de parar de se esconder e falar toda a verdade, porque nós não aceitamos mais ser surpreendidos a cada semana com um fato podre desses", afirmou um dos primeiros a cair no choro, o deputado Chico Alencar (PT-RJ), que exigiu um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cadeia de rádio e TV.

Depois de Alencar, um a um, os deputados petistas desabaram em lágrimas enquanto pediam apartes a Zimmerman. Desconsolada, a deputada Iara Bernardi (PT-SP) precisou do amparo de colegas para ficar na sessão. "Ninguém fez o PT para mim. Eu sou a primeira filiada do partido em Sorocaba. Tenho 25 anos construindo esse partido e o projeto Lula. Todos nós somos PT. Todos nós construímos o PT junto com o presidente Lula".

Chorando copiosamente, o deputado Orlando Desconsi (PT-SP) reclamou "um único gesto de hombridade e dignidade" dos dirigentes do partido, pedindo perdão à população brasileira. "Esses depoimentos estraçalharam tudo que havia de esperança. É como se fosse uma reunião de réquiem, um réquiem do nosso partido, do nosso governo", comparou o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI).

O desmoramento emocional dos deputados petistas impressionou até velhos funcionários da Câmara acostumados com sessões históricas. "Nem quando o dr. Ulysses Guimarães morreu houve tantas lágrimas no plenário. Nunca imaginei ver uma cena como essa", disse um segurança, com 25 anos de trabalho na Câmara.

A frustração com o depoimento de Duda se seguiu a um café da manhã com o presidente do PT, Tarso Genro, na casa da deputada Maninha (PT-DF), que levou esperança ao bloco de esquerda. "Tarso reconheceu a legitimidade do bloco e disse que não há condições da direção do partido de impor sanções", relatou, de olhos vermelhos, o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), uma hora depois da sessão em que ele também caiu no choro. "Mas ele disse que considerava a crise muito grave porque as coisas estão fora de controle. A cada dia,podemos ser surpreendidos", lembrou Santiago. "Ele deixou claro que não tem toda a dimensão dos fatos."

Depois da crise de choro,os petistas ainda tiveram de levar uma lição de moral do primeiro-vice-presidente da Câmara, deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL). Na mesma tribuna ocupada pelo deputado José Dirceu (PT-SP) quando deixou a Casa Civil da Presidência, Nonô receitou humildade para o PT. "A crise demonstrou que o PT é um partido igual aos outros. Não há monopólio da virtude. Não há reserva de mercado de coerência", disse Nonô. Referindo-se a Dirceu, Nonô disse que ele voltou à Câmara "de nariz erguido, queixo arrogante, perambulando como um zumbi".


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