Índio quer educação

Da Caros Amigos, seção República, julho de 2005
 

Formação e contratação de professores indígenas e melhoria para escolas destinadas aos índios. Essas foram as reivindicações apresentadas ao MEC na XI Assembléia Geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), que ocorreu de 5 a 10 de junho deste ano. Segundo a entidade, a situação de algumas escolas é tão precária, que chega a faltar merenda escolar.

Capacitação de professores indígenas e currículo voltado à valorização da cultura indígena é algo estabelecido por lei, mas que ainda não funciona em todas as comunidades. Para Maninha Xucuru, integrante da Comissão Executiva da Apoinme, “os professores lecionam sem a ajuda do governo”. Acessíveis, geralmente só as escolas de ensino fundamental. As de ensino médio ficam, em sua maioria, longe das aldeias.

A Apoinme defende a federalização do ensino: “Cria-se uma confusão muito grande da forma descentralizada como está a educação. Fica o município passando a responsabilidade para o Estado, que, por sua vez, culpa as instâncias federais. A federalização centralizaria as responsabilidades”, afirma Maninha. Já para o coordenador-geral de educação escolar indígena do MEC, Kleber Gesteira, “é inviável apenas um órgão se responsabilizar por toda educação indígena do país”.

Embora cerca de 114 milhões tenham sido destinados à educação desses povos em 2005, não houve impacto dessa verba em Alagoas, segundo Maninha. Gesteira argumenta que “recurso há, o que falta é capacidade de gerenciamento”. Ele conclui que “o dinheiro não chega automaticamente, é necessário que as secretarias de Educação apresentem projetos para que obtenham o repasse”.
 


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Povos Indígenas

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