| Mas e
hoje?
Da Caros
Amigos, seção República, julho de 2005
Quem passa na Escola de Comunicação e Artes da USP já se acostumou a ver Leonardo Feder na sua cadeira de rodas. Aluno do terceiro ano de jornalismo, ele está movendo seu segundo processo contra a faculdade por falta de infra-estrutura. Antes, nem o banheiro era adaptado, e muitas vezes ele voltava para casa para poder usá-lo. Depois do primeiro processo judicial, algumas mudanças foram feitas, como o elevador que está sendo construído. O segundo processo, Feder move porque as salas do curso de cinema ficam no segundo andar e não há rampas de acesso. Com inscrições encerradas no final de junho, o programa Incluir, do MEC, vai disponibilizar 1 milhão de reais para concretizar alguns projetos para adaptar a universidade às necessidades dos estudantes com algum tipo de deficiência. Isso só não basta: na Universidade do Sagrado Coração, em Bauru, SP, há boa infra-estrutura, com um dos laboratórios mais bem equipados do país para estudantes com deficiência visual, mas não tem uma equipe qualificada, segundo a aluna Iara Pasqualini. Cega desde o nascimento, ela conta que tem que ensinar os professores a lidar com a sua deficiência. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) colocou em discussão a proposta de emenda à Constituição que garante direitos iguais a todos os indivíduos, sem preconceitos de estado civil, orientação sexual, crença religiosa, deficiência ou quaisquer outras formas negativas de discriminação – diferente do que está na Constituição que se refere apenas a cor, sexo, raça e idade. A luta pela inclusão igualitária dos deficientes na educação tem avançado, porém lentamente. O caso é urgente: amanhã, Iara e Leonardo terão aula, e não podem mais perder tempo.
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