"Reconstrução do PT passa pelo afastamento dos dirigentes e parlamentares envolvidos"

Da assessoria parlamentar, 18/8/2005
 

Em discurso no plenário da Câmara, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) manifestou apreensão quanto ao fato de que os atuais dirigentes do Partido dos Trabalhadores ainda não tiveram a adequada compreensão do que está acontecendo com o partido e, apesar da gravidade da crise interna, insistem em manter o poder e em resistir ao afastamento imediato dos envolvidos em atos ilícitos e a instauração de processos na Comissão de Ética, punições rejeitadas até contra o voto do presidente interino do PT, Tarso Genro.

O Deputado Biscaia também não entende o fato de o PT já ter punido filiados por simples entrevistas à imprensa ou por uma votação que estava de acordo com a manifestação de consciência, enquanto que os companheiros envolvidos e apontados documentalmente como destinatários do recebimento de importâncias ilegais ainda não foram afastados por influência da atual direção nacional.

Segundo Biscaia, “a nossa proposta apresentada no início de agosto ao diretório solicitava, regimentalmente, que todos os dirigentes e parlamentares que tivessem sido acusados de práticas ofensivas à moralidade e aos interesses públicos fossem submetidos à Comissão de Ética do partido. Não se trata de um pré-julgamento, já que como Promotor de Justiça por mais de 30 anos não aceitaria que alguém fosse condenado sem defesa. O que não posso aceitar é que impeçam um procedimento de investigação interna prevista no próprio regimento partidário”.

Ele continua:

Eu defendo essa linha que, na minha opinião, pode conduzir à salvação do nosso partido. Não estou, como alguns, intencionado a sair do PT, não penso nisso por enquanto, mas entendo que essas medidas são urgentes e essenciais. Este é o momento em que não tem de prevalecer qualquer grupo majoritário. Temos que ver o que é importante para que o PT consiga sair dessa grave crise e respeite posições internas divergentes de todos os que integram o partido e querem nele continuar.

O parlamentar, em seu discurso em plenário, rejeitou o argumento que pretende qualificar como “informalidades de campanha” recebimentos de importâncias pelo caixa dois. Para ele isso é crime eleitoral, prática que sempre existiu, mas quando comprovada passa a ser crime eleitoral previsto no Código Eleitoral.

Não adianta se apelidar de informalidades de campanha, pois falta combinar com a outra parte, que é o Ministério Público, e que vai definir a conduta de cada um. Os recursos eleitorais devem ser todos declarados perante a Justiça Eleitoral na prestação de contas. É uma exigência legal. Por isso, não admito que haja interpretações de ocasiãoafirmou Biscaia.

Biscaia também manifestou sua posição para se sair da crise:

A vida é feita de percalços, de dificuldades, mas o Partido dos Trabalhadores é mais forte que tudo isso. Infelizmente a conduta dos atuais dirigentes está indicando um caminho contrário. Eles ainda não perceberam o que pode acontecer e parece que não têm contato com a opinião pública. Na minha cidade, o Rio de Janeiro, em todos os lugares que se vá, o povo se diz traído, enganado, daí a revolta, a indignação geral não só dos nossos militantes, mas principalmente dos eleitores que acreditaram no slogan petista “Por um Brasil Decente”.

Ao terminar seu discurso, o Deputado Biscaia defendeu a instauração de processos via Comissão de Ética do PT e a suspensão temporária das atividades partidárias de todos os parlamentares e dirigentes envolvidos.

É o mínimo para se iniciar um processo de reconstrução partidária. E o próprio Presidente Lula, para preservar sua imagem, deveria ser o primeiro a solicitar tal providênciaconcluiu o parlamentar.


Crise no PT | Mapa da Corrupção

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