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Conferência de Igualdade Racial discute Políticas de Comunicação Por Paulo
Rogério Nunes, maio de 2005
Estiveram reunidos durante os dias 9, 10 e 11 de maio, no Centro de Convenções da Bahia, cerca de 80 representantes do poder público e mais de 120 entidades do movimento social, em especial as que integram a luta contra o racismo, para a realização da 1º Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. O evento, organizado pela Secretaria Municipal da Reparação, foi aberto com a presença do prefeito João Henrique, do reitor da UFBa Naomar Almeida, secretários municipais, parlamentares e outras autoridades, além dos 300 delegados da Conferência, escolhidos depois de quatro reuniões preparatórias (3 com a sociedade ci vil e uma com o governo municipal). Nos dias 10 e 11, os delegados e observadores se dividiram em cinco Grupos de Trabalho que tiveram como tema: educação; cultura e religião, comunicação; saúde; e emprego e renda. Cada GT foi acompanhado por gestores do Município, especialistas e representantes do movimento social. Os secretários Luiz Eugênio Portela (saúde) e Maria Olívia Santana (educação) e o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo Lima, apresentaram as ações da Prefeitura para viabilizar a igualdade racial em todas as políticas públicas. Projetos já em andamento como a implementação da Lei 10.639, que regula o e nsino da história da África e da cultura afro-brasileira, no ensino fundamental e a criação do Grupo de atenção à saúde da população negra foram discutidos entre os secretários e os presentes à Conferência. Uma novidade,
foi a criação do GT de Comunicação, para discutir
os rumos da Comunicação Social em Salvador e no Brasil, com
a perspectiva da igualdade racial. Segue abaixo, uma moção
de repúdio ao racismo na mídia e propostas aprovadas na Conferência.
Moção pelo fim do “Apartheid Midiático” no Brasil.....Nós, negros, negras e indígenas, reunidos na 1° Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Cidade do Salvador, afirmamos a urgência da efetivação de uma Política Nacional de Igualdade na Mídia. Somos sub-representados, injuriados, invisibilizados e estereotipados na atual mídia, eurocêntrica e racista. Não aceitaremos mais esse “apartheid midiático”. Gritamos por justiça e reparação. .....Atualmente, vivemos um momento singular em nossa história, por conta do debate nacional sobre promoção da igualdade racial, que está pressionando o Estado Brasileiro a efetivar políticas públicas em prol da comunidade negra e indígenas. Apesar disso, percebemos que a mídia não é uma prioridade nos Governos. Desde a Conferência de Durban, da qual o Brasil é signatário, esperamos ações efetivas de combate ao racismo na mídia. Qual o motivo de tanta inércia? Nessa Conferência, afirmamos que a comunicação é um direito humano, e que cabe ao Estado Brasileiro medidas reparatórias nos Meios de Comunicação para o povo negro e indígena. .....Nesse contexto, a Sociedade Civil Organizada, representada nessa Conferência por diversos segmentos, exige do Estado Brasileiro: a realização da Conferência Nacional e Municipal de Comunicação Social, que tenha como um dos principais eixos de discussão o tema Mídia Étnica; a criação de um Fundo Nacional de Audiovisual Afro-indígena; concessões de rádio e TVs para as entidades negras e indígenas; a instalação de Centros de Mídia Étnica em quilombos urbanos e rurais, e comunidades indígenas; a obrigatoriedade da matéria “Mídia e Etnicidades” nos cursos de Comunicação Social; enfim, a elaboração de um Plano Nacional de Comunicação Étnica. Não aceitaremos mais essa exclusão. Mais do que cotas na mídia, queremos ter a nossa mídia. Na “Sociedade da Informação” queremos se protagonista de nossa história e não passivos espectadores. .....Moção aprovada pelo Plenário da 1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Salvador, em 11/05/2005, a ser encaminhado ao Exmo. Sr. Presidente da República, aos Ministros José Dirceu da Casa Civil, ao Presidente da Câmara de Deputados e do Senado Federal, ao Sr. Prefeito Municipal de Salvador e à Câmara Municipal de Salvador. GT
DE COMUNICAÇÃO
1. Propor para a Comissão Organizadora das Conferências Estadual e Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, mesas e GTs com o tema Comunicação;
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