| Número
de conflitos no campo é o maior dos últimos 20 anos de registro
Da Comissão
Pastoral da Terra, 19 de abril, 2005
O assassinato de Irmã Dorothy Stang - agente da Comissão Pastoral da Terra -, em 12 de fevereiro deste ano, escancarou para a sociedade brasileira, e para aqueles que ainda teimam em não querer ver, a realidade de violência no campo brasileiro. Os dados de 2004 deixam claro que os conflitos e a violência se mantêm em patamares elevados. No ano passado foram registrados 1.801 conflitos, o maior número destes 20 anos de pesquisa, envolvendo 1.083.232 pessoas (número só inferior a 2003 e 1998). Em média, no Brasil, um a cada 29,4 habitantes de área rural esteve envolvido em conflitos rurais em 2004. A análise dos números revela ainda que os índices de conflitividade (número dos conflitos em relação ao número da população rural) são maiores onde se dá a expansão do agronegócio, notadamente nos três estados da região Centro-Oeste. Apesar de em 2004 os assassinatos (39) representarem uma queda expressiva de 46,6% em relação a 2003, quando se registrou 73, o ano passado foi especificamente violento, marcado por dois brutais massacres em Minas Gerais: O dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, e de cinco sem-terra em Felisburgo. Poder Judiciário Os dados de 2004 também mostram crescimento na violência do poder privado. Um exemplo é o número de famílias expulsas, 5,4% maior que em 2003. Mas é a violência do Poder Público, especificamente do Judiciário, que tem aumentado em intensidade nestes dois anos do governo Lula. Um aumento de 10,8% no número de prisões (421) e de 5,5% no de famílias despejadas (37.220), o maior número desde que a CPT começou a fazer os registros. Uma família em cada 5.8 envolvidas em conflitos recebeu ordem de despejo. Conflitos pela água Quando a transposição do rio São Francisco tenta ser empurrada goela abaixo dos brasileiros e brasileiras, contra a opinião abalizada de técnicos e cientistas e daqueles que convivem no dia-a-dia com o grande “rio da integração nacional”, os conflitos envolvendo a água crescem e são graves, sobretudo os relacionados à construção de barragens. De 8 conflitos registrados em 2002, passou-se a 20 em 2003 e 59 em 2004. O governo tem mostrado muita determinação em desapropriar áreas que são entregues a empresas particulares para a construção de barragens, e que, quase sempre, atingem famílias humildes. Mas não tem mostrado a mesma disposição em desapropriar áreas para a Reforma Agrária.
Mais informações no site www.cptnacional.org.br
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