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Reviravolta no caso Irmã Dorothy _____________________________Entidades de defesa dos direitos humanos temem que esteja ocorrendo uma reviravolta no caso da Irmã Dorothy Mae Stang, com a criminalização das testemunhas de acusação. Isso poderá gerar retardamentos processuais e mesmo a soltura dos acusados. A suspeita parte de uma decisão do juiz da comarca de Pacajá, Lucas do Carmo de Jesus. Incitado pelo delegado de polícia da mesma cidade, Marcelo Ferreira de Sousa Luz, Carmo de Jesus decretou a prisão preventiva de seis pessoas, inclusive testemunhas de acusação, no processo que apura a morte da Irmã Dorothy. O decreto de prisão preventiva, datado de 13 de abril, só foi divulgado na última terça (3/5), quando foi preso Luis Moraes de Brito, trabalhador rural que teve seu barraco derrubado e incendiado pelos pistoleiros Raifran e Clodoaldo dias antes do assassinato da Irmã Dorothy. Esse fato gerou, inclusive, a última ida da freira à Polícia Civil de Anapu, acompanhada de Luis Moraes de Brito, para denunciar a ocorrência, bem como motivou queixa da Irmã Dorothy de que a Polícia Civil não dava garantia aos trabalhadores. Pedido veio de delegado acusado de omissão O delegado de polícia — o mesmo que foi acusado por Irmã Dorothy de se omitir — requereu e obteve do juiz a prisão preventiva de pessoas que foram indicadas somente como "Luís de Tal", "Claudio de Tal", "Félix de Tal" e "Mundão de Tal", o que lhe deu a possibilidade de escolher contra quem fazeria valer a ordem de prisão. Mas o que mais vem preocupando entidades de direitos humanos é o fato de que Geraldo Magela, também testemunha da acusação, teve sua prisão igualmente decretada. Não desejando Magela se submeter à ilegalidade praticada, há o temor de que o processo que apura o homicídio que vitimou Irmã Dorothy seja prejudicado por sua ausência, ou que a demora tenha o efeito de permitir que os fazendeiros e pistoleiros presos possam obter a soltura com o argumento de excesso de prazo. A Comissão
Pastoral da Terra e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
afirmaram hoje que tais ocorrências indicam a necessidade da federalização
do processo, com sua transferência para a Justiça Federal,
de modo que a Polícia Civil do Pará não possa mais
ter essa interferência.
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