Pesquisa mostra benefícios da Reforma Agrária

Da Agência Câmara, 20/5/2004
 

Os argumentos contra a Reforma Agrária foram rebatidos na manhã desta quinta-feira, em audiência pública da CPI Mista da Terra, pelos coordenadores da pesquisa "Impactos dos assentamentos - Um estudo sobre o meio rural brasileiro". De acordo com a pesquisa, realizada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), os assentamentos provocaram melhorias na qualidade de vida, no mercado de trabalho e na economia regional.

A maioria dos assentamentos pesquisados originou-se de crises da monocultura, como as que atingiram as lavouras cacaueiras da Bahia, a zona canavieira de Pernambuco e as fazendas de algodão do sertão cearense. Um total de 46% dos assentados são ex-assalariados rurais ou ex-moradores de fazenda.

"Eram pessoas que estavam na miséria e ganharam a condição de cidadãos", diz o professor Sérgio Leite, um dos pesquisadores. Os assentamentos trouxeram mudanças drásticas, para melhor, na vida das pessoas atingidas. Hoje eles abrigam cerca de 25% da produção de ovinos e caprinos de seus municípios, 15% da produção avícola e 10% do rebanho de suínos.

Produção diversificada

A produção diversificada substituiu em parte as monoculturas e aumentou a oferta de alimentos, revitalizando as feiras regionais e o comércio local. A rede de comercialização de leite e derivados foi redesenhada, surgiram empresas de processamento, e em algumas regiões criou-se uma nova classe de produtos alimentícios, identificada com selos específicos.

Cada lote proporcionou, em média, a criação de três postos de trabalho, a um custo muito menor que o emprego urbano (cerca de R$ 8 mil a R$ 10 mil mensais). Sérgio Leite destacou também o emprego de mão-de-obra externa, sobretudo nos momentos do plantio e da colheita.

Tese desmentida

Cerca de 80% dos assentados já viviam e trabalhavam nas regiões onde foram implantados os assentamentos, desmentindo a tese de que trabalhadores urbanos sem vocação agrícola "inflam" os acampamentos rurais de sem terra. Os pesquisadores contestaram os argumentos do professor Cândido Prunes, do Instituto Liberal. Prunes considera que a Reforma Agrária é inviável no Brasil, porque para ser produtivo um lote não poderia ter menos de 190 hectares. Multiplicando essa quantia pelo número de pessoas que demandam a posse de terra, não haveria terras disponíveis. Sérgio Leite informou que os assentamentos pesquisados têm, em média, 48 hectares, e vem obtendo boa produtividade. 

Laços familiares

Os pesquisadores citam ainda o impacto da Reforma Agrária na desconcentração de terras; o avanço nas condições tecnológicas nos assentamentos, iguais ou acima da média municipal; e a recomposição dos laços familiares, uma vez que membros de uma mesma família antes dispersos pela emigração voltaram à sua terra de origem, enquanto outros foram amparados por parentes assentados. Participaram da audiência, além de Sérgio Leite, as professoras Leonilde Medeiros e Rosângela Cintrão, da UFRRJ; o professor Moacir Palmeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Original. www3.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=50666

Questão Agrária | Brasil

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