Desafios das Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação

Por Raquel Moraes, da UnB-FE/DF, março de 2005
 

         As possibilidades, assim como os riscos postos à informatização da sociedade globalizada estão em função direta com os interesses envolvidos na definição das políticas públicas.

         Temos em vista que fatores negativos se relacionam aos problemas sociais, econômicos, políticos e étnicos dentro e fora das nações. Como analisou Federico Mayor[i], ex diretor-geral da UNESCO em 1995, há duas certezas nesse mundo em processo de globalização: a confirmação e expansão do círculo vicioso global miséria-ignorância-exclusão-violência e a acentuação da assimetria na repartição das riquezas do planeta, que - se nada for feito em sentido contrário - em breve tempo tornará insuportável a vida na Terra.

         Se, por um lado, as chamadas TICs têm impactado negativamente sobre o nível dos empregos e, politicamente, aumentado o poder de manipulação da mídia eletrônica, por outro lado, as novas tecnologias da informação e comunicação na educação trazem como possibilidade a interdisciplinaridade, a interatividade e a integração social e cultural.

         Numa perspectiva democrática, a busca de uma cultura de paz, justiça e igualdade passam necessariamente, pela comunicação, pelo diálogo. Como analisa Habermas[ii], os acordos entre os homens nascem, quer seja por influência ou por entendimento. E essa ação comunicativa, por sua vez, pode ser facilitada pelas tecnologias da informação, pela internet, pela educação a distância.

         Segundo Herrera[iii]: “Com a tecnologia moderna, aparece também uma nova possibilidade: a informática. Pela primeira vez na história é possível que a população ou os organismos representantes da população possam ter realmente informação para poder decidir, começando pela base” (p. 86).

         E como os rumos da sociedade globalizada ainda não estão consolidados, concordamos com Herrera de que tudo dependerá da estratégia sócio-econômica e cultural que for adotada pelos povos. Assim, trata-se de mais um desafio a ser enfrentado por nós.
 

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Raquel de Almeida Moraes é formada em Pedagogia pela Unicamp (1985), com Mestrado (1991) e Doutorado (1996) em Filosofia e História da Educação, também pela  Unicamp. Além de pesquisadora sobre Informática e Educação, atua desde 1990 na docência em informática educativa e educação a distância. É editora de Educação da Revista Consciência.Net (www.consciencia.net). Clique aqui e saiba mais sobre a autora.

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[i] Mayor, Federico. O combate pela paz. In Correio da UNESCO, RJ., FGV, ano 24, nº 12, p. 34., dezembro de 1996.

[ii]  Habermas, Jürgen, Teoria de la acción comunicativa: complementos y estudios previos. Madrid: Ed. Cátedra, 1994, pp. 479-506.

[iii]   Herrera, Amilcar O.  As novas tecnologias e o processo de transformação mundial. In  ACESSO, SP: FDE, ano 4 - edição especial, dez. 1993, pp. 15-21.
 

Educação

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