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diferença que faz ter um presidente
Por.Sebastião
Nery, 7/3/2005, na Tribuna
da Imprensa
BELO HORIZONTE. Era um vôo siberiano, sexta-feira à noite, de Brasília para Belo Horizonte. Água, muita água, por cima, pelos lados, por baixo do avião. Dois jovens e tranqüilos empresários mineiros falavam do País: - Aquele Arnaldo Jabor, que algum tempo atrás estava numa lista da revista "Isto É" entre os que mandaram dinheiro para o exterior pelas contas CC-5, através de Foz do Iguaçu (uns poucos legalmente, a grande maioria ilegalmente) é esse mesmo comentarista da TV Globo? - É o mesmo, sim. - Mas a lista da revista dizia que o dinheiro dele foi para Nova York. Ontem, na TV, ele estava furioso, histérico, com o Kirchner, porque renegociou os 100 bilhões de dólares da dívida argentina pagando entre 25 e 30 centavos por cada dólar. Parece que ele mandou o dinheiro dele foi para Buenos Aires, especulando com os títulos e juros fajutos do governo Menen. - E não foi pouco não. A revista dizia que eram US$700 mil dele. Viúvas de Menen O outro mineiro abriu a "Folha" daquela sexta e lá estava o showzeiro Nelsinho Motta chorando, como se também ele fosse outra viúva de Menem: "As grandes vítimas foram os pequenos investidores (sic) europeus, argentinos e até brasileiros (também ele?), trabalhadores (sic) que colocaram suas economias de uma vida em títulos públicos argentinos, atraídos (sic) pelas altas taxas de juros. Esses se ferraram, não têm de onde tirar, não têm a quem repassar o prejuízo. Micaram. Não é hora de bravatas sul-americanas... Com seu espantoso crescimento, estão comemorando o que, hermanos?" Elio Gaspari, estudando e escrevendo dos Estados Unidos, responde: "Grande Nestor Kirchner. Impôs à banca o maior calote de todos os tempos. Pagará entre entre 25 e 30 centavos por cada dólar dos que acraditaram na paridade do peso argentino com o dólar americano. Foi chamado de maluco, tratado como leproso, mas conseguiu reestruturar algo como entre 70% e 80% da dívida. Um êxito, mesmo para seus piores críticos. Uma conta de US$102 bilhões ficará por US$30 bilhões. Mesmo tendo crescido 11,7% em 2003 (o Brasil, 0,05%) e 8% em 2004 (Brasil, 5,2%), a dolarização (do FMI e de Menen), festejada pelos sábios da economia, detonou 20% da economia do país. Agora, com juros decentes, recordes de exportações e a bolsa de Buenos Aires rendendo 13%, a Argentina virou um quindim para os investidores internacionais". (Voltem lá, Jabush e Meninho!) Minas aplaude A "grande imprensa" do Rio e São Paulo, que come na gamela dos bancos, está regurgitando o ódio dos patrões. Mas um jornal quase centenário e conservador, como o "Estado de Minas", há 77 anos maior voz da tradição mineira, que faz aniversário exatamente hoje (fundado por Pedro Aleixo e outros em 7 de março de 28), disse ontem no editorial "A Vitória Argentina": 1 - "Depois de tantos governos que infelicitaram o povo argentino, ressurge um presidente, Néstor Kirchner, que lançou as bases para resgatar a dignidade da indomável argentina. Kirchner soube enfrentar os banqueiros e deles tirou o máximo que seria possível imaginar. Negociação, ajuste, tenha o nome que quiser, o que saiu da proposta de Kirchner é um anátema à política da implacável receita que o FMI vem aplicando desde a década de 80". 2 - "A política econômica de Kirchner está com juros de 4,4% ao ano, o PIB crescendo quase 9% dois anos seguidos (2003 e 4). A Argentina certamente não teria registrado o sucesso que alcançou se seu Banco Central não tivesse resistido às pressões dos especuladores. O exemplo da reação Argentina deve servir de lição aos países vizinhos (como o Brasil), que estão cortando na carne da maioria da população para conseguir cumprir as metas do superávit primário, dinheiro que vai engordar alguns poucos titulares do regime especulativo que comanda os maiores centros financeiros". The Economist e Stiglitz A lição da Argentina virou um exemplo e ganha o aplauso do mundo: 1 - Para a revista inglesa "The Economist" ("ícone do sistema de mercado, o novo nome do capitalismo"), "a vitória do presidente Kirchner é feito que honra qualquer administração; somou coragem e firmeza na renegociação da fantástica dívida que os especuladores internacionais inventaram como mecanismo para expolorar os países subdesenvolvidos". 2 - Joseph Stiglitz, economista: "O acerto argentino tem prazo até 2036. A receita neoliberal é boa para quem dita as regras, mas é péssima quando se trata de criar empregos e gerar rendas. É preciso dizer que os donos do dinheiro, encastelados nas instituições financeiras, não podem exigir mais sacrifícios dos países periféricos". Por que
Kirchner fez e Lula não faz? Esta é a diferença que
faz um país ter um presidente, que toma "Vitamina C", e outro apenas
um mestre-de-cerimônias, um animador de rodeios, um DJ parlapatão.
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