| Controle
da Opinião Pública
Por Renato Kress, de Porto Alegre, janeiro de 2005 ‘Aqueles que pretendem entender o passado e moldar o futuro devem prestar muita atenção não apenas às suas práticas, mas também à estrutura doutrinária que as sustenta.’ – Noam Chomsky
Há 260 anos, David Hume, debruçado sobre o problema da obediência civil, chegou à conclusão de que o governo se baseia no controle da opinião, princípio que se estende a todos os governos, ‘dos mais despóticos e militarizados aos mais livres e populares’. Sem dúvida ele menosprezou o poder da força bruta pura e simples, mas atenhamos por enquanto à questão da manipulação da opinião pública. Áreas e Arenas Na terminologia do pensamento progressista moderno, a população pode ser ‘expectadora’, mas não ‘participante’, à parte a ocasional escolha de líderes representativos do autêntico poder. Essa é a arena política. Da arena econômica, que é onde se definem os verdadeiros rumos da política, o que realmente acontece na sociedade, a população em geral deve ser excluída. A moderna “democracia”, um Tsunami Estrutural Existem doutrinas criadas para impor o novo ‘espírito’ da ‘democracia’ aos moldes neoliberais. Elas foram expressas, de maneira bem precisa, num importante manual da política de relações públicas, por Edward Bernays, uma de suas figuras mais importantes. Facadas presentes no tal manual: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizadas das massas é um importante componente da sociedade democrática”. Esperem um pouco, vamos por partes: “A manipulação consciente e inteligente... das massas é um importante componente da sociedade DEMOCRÁTICA”. Hein? Com tempo, na Revista Consciência.Net, pretendo discorrer muito mais sobre essa nova ‘democracia’, mas posso adiantar que é nela que o presidente Bu(ll)sh(it) se refere quando enfatiza os motivos pelos quais atacou o Iraque e pretende detonar o Irã, seu antigo aliado. A minoria informada Calma, indignado leitor, temos mais dessa pérola, aqui vai as indicações do papel das “elites informadas” segundo o manual: “As minorias informadas devem fazer uso contínuo e sistemático da propaganda”, porque elas entendem os processos mentais e padrões sociais das massas e podem “manejar com mais facilidade a opinião pública”, já que a nossa sociedade “consentiu em aceitar que a livre concorrência fosse organizada pela liderança e pela propaganda”. Quando o controle aperta A importância do controle da opinião pública é reconhecida com clareza à medida que a sociedade organizada consegue ampliar as modalidades de democracia, fazendo surgir, de fato, aquilo que as elites liberais chamam de “crise da democracia” — o que acontece quando populações relativamente apáticas ou passivas se organizam e tentam entrar na arena política em busca de seus interesses e demandas, danificando os interesses da ‘ordem’ e da ‘estabilidade’. Wilson, um aristocrata Em teoria política temos o ‘idealismo wilsoniano’, a visão pessoal de Wilson era a de que cavalheiros bem dotados de “ideais elevados” é necessária para preservar a “estabilidade e a “correção”. Uma espécie de aristocracia ideológica. A minoria segundo Wilson A minoria informada é uma “classe especializada” responsável pelo estabelecimento de políticas e pela “formação de uma sólida opinião pública”, ela deve estar longe da interferência do público em geral, formado por pessoas “ignorantes e intrometidas, alheias ao processo”. O Público deve ser “colocado no seu devido lugar”, e aprender a sua função, de “expectador da ação”. Viu só que moleza? Vocês não precisam fazer nada! Mas também não esperem que seja bem feito ou que sejam os seus os interesses atendidos no fim das contas. Lênin e democracia neoliberal, um soco no estômago (de quem?) Nas sociedades mais democráticas, nas quais não se pode recorrer à força, os administradores devem recorrer a uma “técnica totalmente nova de controle, amplamente baseada na propaganda”. O leitor atento pode perceber que essa é a boa e velha doutrina leninista! A similaridade entre a teoria democrática progressiva (neoliberal) e o marxismo-leninismo é notável, coisa que Bakunin já havia previsto. A perseverança, espécie romântica de teimosia Entre 80 a 90 por cento dos norte-americanos (não estamos falando do povo mais politizado do mundo) apóiam as garantias federais de assistência pública para os que não podem trabalhar, o seguro-desemprego, o subsídio para a compra de remédios com receita, serviços de enfermagem para idosos, um nível mínimo de assitência à saúde e seguridade social. A insistência de tais atitudes é assombrosa se levarmos em conta o incessante assalto da propaganda para persuadir as pessoas de que elas acreditam em coisas radicalmente diferentes! A última palavra (de hoje) sobre manipulação O quadro
acima rapidamente pincelado (porque aqui no FSM não tenho tempo
para dedicar-me como gostaria) é muito comum numa sociedade gerida
pelos interesses das grandes fortunas e que gasta fortunas em marketing.
Citemos o caso dos Estados Unidos como ilustração: o país
que levará sua espécie de ‘democracia’ para o mundo gasta
um trilhão de dólares anuais, um sexto do Produto Interno
Bruto, em sua maior parte dedutíveis dos impostos, de modo que as
pessoas pagam pelo privilégio de estarem sujeitas à manipulação
de suas atitudes e de seu comportamento.
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