Uma boa briga no mundo da soja

De Campinas, 1 de novembro, 2004

Vem aí uma boa negociação, a dos produtores de soja do Rio Grande do Sul com a Monsanto. A empresa resolveu cobrar R$ 1,20 por cada saca de 60 quilos colhida de soja fortalecida pela sua tecnologia Round-Up. Um aumento de 100% sobre o valor cobrado na última safra.

A empresa sustenta que no ano passado firmou 330 contratos com cooperativas e clientes estabelecendo que esse seria o custo dos direitos autorais da sua soja transgênica. Teria cobrado só 0,60 por conta de um desconto contratual. A entidades dos produtores sustentam que não fizeram acordo nenhum e dizem que a empresa quer cobrar o dobro pela sua tecnologia, numa safra em que a soja perdeu um terço do valor.

A soja da Monsanto dá ao produtor um ganho de 40 dólares por hectare. Grosseiramente, cobrando R$ 1,20 pela saca colhida, a empresa fica com a metade do benefício. Ela quer cobrar ao plantador brasileiro menos da metade do que cobra ao americano.

A briga é boa porque os produtores gaúchos reconhecem que devem pagar direitos autorais pela soja da Monsanto. Mesmo assim, não querem pagar o dobro do que pagaram no ano passado. Parece incerto que haverá um acordo.

Em benefício dos plantadores, fica a maldição dos comunistas chatos e catastrofistas. Eles diziam que trustes (a palavra era essa) entram nos mercados oferecendo preços baixos. Uma vez conseguido o controle de um pedaço da freguesia, dobram a tabela.
 

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