| Conflito no campo - direito
de resposta
Foi divulgada em dezembro de
2004 uma nota pública com o seguinte título: "Nota Pública
- O Assassinato de Três Trabalhadores Sem Terras Marca o Clima de
Violência do Latifúndio em Pernambuco".
O único parágrafo
em negrito desta nota retrata os donos da propriedade São Vicente
como tendo contratado grupos paramilitares, entre outras atrocidades. Em
defesa à civilidade, ética e principalmente CONSCIÊNCIA
MORAL, solicito aos senhores que leiam a carta aberta que segue abaixo,
e analisem quem realmente é terrorista. Chega de impunidade. Se
possível, peço veementemente que publiquem a VERDADE contida
nas linha abaixo.
Meu nome é Raymundo Wilson Barboza Braga. Sou brasileiro, nordestino,
pernambucano com muito orgulho, estudante e filho de um dos 3 donos da
propriedade São Vicente, localizada no município de Salgadinho,
que foi invadida em 2003 pelos integrantes do acampamento do MST Carlos
Maringhella. Sou mais uma das verdadeiras vítimas do terrorismo,
junto com a minha família.
O
MST invadiu e ocupou a Fazenda São Vicente por quatro meses. Nesse
período, eles não sofreram nenhuma ameaça nem agressões
por parte dos donos da Fazenda. Logo depois da invasão, a minha
mãe, irmã e tia foram obrigadas a entrar na própria
casa para fazer a remoção forçada de seus pertences.
Existiam na casa duas armas QUEBRADAS (registro na delegacia de Salgadinho),
as quais foram RETIRADAS PELOS INTEGRANTES DO ACAMPAMENTO, e devolvidas
em seguida. Meu pai foi obrigado a vender seus bois e cavalos, sob ameaça
de que se ele não os vendesse, os perderia.
Nesse
período de quatro meses, os integrantes do acampamento Carlos Maringuella
ocuparam todas as dependências da fazenda, deixaram contas de água
e energia elétrica altíssimas para meu pai pagar, destruíram
todas as plantações da Fazenda, arrombaram o escritório
do meu pai e roubaram tudo, inclusive vários livros manuscritos,
que ele ainda não havia publicado; roubaram centenas de objetos
da fazenda (lista dos objetos roubados na delegacia de Salgadinho), destruíram
uma reserva florestal permanente que pertencia ao IBAMA (e estão
sendo processados pelo IBAMA por isso), violaram um mausoléu dos
antepassados do meu pai em busca de dentes e objetos de ouro, entre outras
ocorrências.
Depois
de quatro meses, meus pais conseguiram o mandado de reintegração
de posse, e o meu pai gastou todo o dinheiro que conseguiu arrecadar com
a venda dos bois e cavalos alugando vários caminhões para
deixar os pertences dos sem-terra e os sem-terra onde eles queriam. Quando
o último caminhão estava saindo, uma integrante falou: -"A
gente vai hoje mas volta amanhã..." Nessa mesma noite, eu e meus
pais passamos a noite em nossa casa. No dia seguinte, e durante três
dias consecutivos, eu e meus pais fomos aterrorizados pela guerra psicológica
dos integrantes do acampamento Carlos Maringuella, que acamparam a uma
distância de 300 metros da fazenda, num campo de futebol do povoado
chamado Pedra Tapada, no município de Passira, que fica em frente
à Fazenda São Vicente.
Entre
outras ameaças, os integrantes do MST disseram que iam esquartejar
meu pai e pendurar o corpo dele na porteira. Meus pais ficaram aterrorizados,
e pediram ajuda a todos os juízes e delegados da região,
os quais autorizaram escolta da polícia militar em tempo integral,
até que os integrantes do MST parassem de ameaçar minha família.
Depois
de 4 dias, os integrantes do acampamento Carlos Maringhella tentaram reinvadir
a Fazenda São Vicente, munidos de foices, facões, enxadas
e armas de grosso calibre (chamadas garruchas). Fomos obrigados a defender
a nossa casa, a nossa vida, a nossa integridade física, os nossos
direitos civis garantidos pela constituição. Nessa tentativa
de reinvasão, um dos integrantes do MST foi baleado. Os integrantes
do MST são totalmente responsáveis por esta ocorrência,
pois foram eles que vieram, às centenas, atentar VIOLENTAMENTE contra
mim e a minha família, e acabaram por ferir de raspão um
de seus próprios integrantes.
Decorridos
aproximadamente 3 dias dessa tentativa de reinvasão, eu e meus pais
já estávamos completamente esgotados fisicamente e psicologicamente,
devido às constantes ameaças dos integrantes do MST. Nessa
noite, a filha de um dos moradores antigos da fazenda veio correndo avisar
que os integrantes do MST iriam reinvadir a fazenda por todos os lados,
nessa mesma noite. Nesse momento, eu disse para os meus pais que eles deveriam
voltar para o Recife, mas eu continuaria ali, para defender a MINHA CASA.
Mas eles disseram que o maior tesouro que eles tinham era eu, e nós
fugimos da nossa própria casa, sob gritos histéricos de vitória
no acampamento do MST. A partir deste dia, eu entrei em depressão
profunda, mas já estou curado.
O
fato é que eu e a minha família já estávamos
com o documento de reintegração de posse nessa data; estávamos
sob escolta da polícia militar em nossa própria residência,
devido às ameaças do MST; a Fazenda está muito abaixo
do limite mínimo de área para reforma agrária (a Fazenda
tem 123 hectares); a propriedade está sob inventário (e não
poderia nunca ser violada); nunca foi um latifúndio improdutivo;
sempre ajudamos os moradores da fazenda, sem cobrar nada pelo que eles
plantavam na propriedade; tinhamos todos os impostos e taxas da propriedade
rigorosamente atualizados e pagos.
Agora, depois de aproximadamente um ano, devido às duas mortes dos
integrantes do MST, ocorridas no município de Passira, eu e minha
família estamos sendo acusados de adotar a prática de realizar
despejos com grupos paramilitares, e de ter baleado um integrante do MST.
Desafio quem quer que seja a provar que tudo que eu falei não é
verdade. Justiça seja feita, Excelentíssimo Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Raymundo Wilson - Dito
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