Nota Pública
O Assassinato de Três Trabalhadores Sem Terras Marca o Clima de Violência do  Latifúndio em Pernambuco
 

Viemos com pesar e muita revolta, fazer este comunicado a sociedade, visto que é escancara a violência do latifúndio contra trabalhadores Sem Terra em Pernambuco. 

Este ano tem sido um dos mais violentos contra Trabalhadores Sem Terra em Pernambuco. Várias áreas de muita tensão e conflitos foram identificadas durante todo o ano, principalmente em quatro regiões do Estado. Nos dois últimos dias, três trabalhadores acampados foram assassinados: Josuel Fernandes da Silva, 29 anos, do Acampamento Maguinhos, Município de São José da Coroa Grande e Francisco Manoel de Lima, 28 anos e Edilson Rufino da Rocha, 36 anos, do Acampamento Recreio no Município de Passira. Ambos os crimes foram anunciados e denunciados publicamente:

No dia 15 de dezembro DE 2004 foi assassinado o trabalhador Sem Terra Josuel, que era morador do Engenho Maguinhos e filho de seu Fernandes, presidente da associação dos moradores de Maguinhos. O Engenho Maguinhos foi desapropriado no ano de 2000, juntamente com um conjunto de Engenhos da Usina Central Barreiros, mas em uma negociata entre os donos da Usina, os arrendatários do Engenho e o Ministro da Reforma Agrária, na época Raul Jungmam, este engenho ficou de fora no processo de imissão de posse. De lá para cá, permanentemente os trabalhadores sem terra acampados as margens da PE 60, vem sofrendo ameaças dos pistoleiros e arrendatários do Engenho. Neste período o INCRA só fez promessas de que o Engenho Maguinhos seria desapropriado, no entanto até hoje os trabalhadores continuam acampadas esperando uma definição do INCRA.

Na ultima semana, dia 9 de dezembro, os acampados de Maguinhos ocuparam o INCRA do Recife, para reivindicar a imediata desapropriação da terra  e denunciar a violência e ameaças de morte feitas pelos proprietários; seu Fernandes, pai de Josuel declarou para a superintendência do INCRA que já sofreu várias ameaças e tentativas contra sua vida, inclusive que no dia anterior um dos carros do engenho tentou atropelá-lo. No entanto, no dia 15 de dezembro, dois pistoleiros, um identificado por Marcos, invadiram a casa de seu Fernando, no Engenho Maguinhos e arrastaram por mais de dois mil metros, torturaram e depois dispararam dois tiros contra  seu filho Josuel, que ainda foi socorrido com vida para o Hospital da Restauração em Recife, mas veio a falecer no dia 16.

Em Passira a violência é escancarada, desde abril de 2003 quando um grupo de famílias ocupou a fazenda São Vicente, os latifundiários adotaram a prática de realizar despejos com grupos paramilitares, sendo que em um destes, um companheiro foi baleado e até hoje está com seqüelas.

Este ano, na fazenda Independência o companheiro Charles Afonso, da direção estadual do Movimento Sem Terra, foi baleado e os pistoleiros, mesmo identificados, nunca foram presos. No dia 05 de novembro as famílias acampadas na fazenda Recreio foram despejadas por policiais e pistoleiros e todos os pertences dos trabalhadores foram destruídos e queimados, um dia depois, pistoleiros  cercam o acampamento provisório tentado amedrontar as famílias e destruir o acampamento, duas pessoas ficaram por vários dias desaparecidas.

A Promotoria Agrária e a Ouvidoria Agrária foram a Passira e prenderam em flagrante 04 pistoleiros e muitas armas. Durante estes fatos, dois companheiros acampados, os irmãos Francisco Manuel e Edilson Rufino, prestaram depoimento no Fórum local, denunciado as ameaças. Desde então, até hoje, todos os dias as famílias acampadas vinham sofrendo ameaças, principalmente os dois companheiros que fizeram a denuncia. Nesta madrugada, 17 de dezembro, pistoleiros encapuzados invadiram a casa e assassinaram na frente dos familiares, os dois Irmãos: Francisco Manoel e Edílson Rufino.

Outras situações de conflito vem sendo anunciadas ao longo deste ano e a qualquer momento podem ocorrer novas agressões e assassinatos, como a Fazenda Uberaba, no Município de Bonito e o Acampamento Milagres, no Município de Ouricuri, onde já foi realizada uma audiência pública com a presença de diversas autoridades, inclusive Dr. Gersino – Ouvidor Agrário Nacional, mas que infelizmente até agora nenhum dos encaminhamentos publicamente assumidos pela Ouvidoria Agrária foram cumpridos pelo INCRA,  e os trabalhadores continuam reféns de uma violência escancarada e impune do latifúndio em Pernambuco. 

Direção Estadual do MST em Pernambuco.
Dezembro de 2004
 

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