| Reflexões do pós-guerra
angolano
Por Mario Mendes Jr., 15 de dezembro, 2004 Há alguns dias, viajei pelo continente Africano. E, mediante o que conhecemos de alguns países, o que mais me chamou a atenção foi Angola, um país enorme, com terra suficiente para alimentar algumas centenas de milhões de pessoas e onde supreendemente quase não existe exploração agrária em seu território, não devo deixar de dizer que o potencial de crescimento é muito grande e também muito viável. A exemplo disso cito a província de Luanda, com uma enorme potencialidade econômica em telecomunicações, construção civil, e muito espaço para implantação de indústrias de qualquer segmento. Para lhes dar a tamanha dimensão do que estou falando: praticamente toda a província de Luanda está em obras, o poder e influência do petróleo no mundo ficam totalmente explícitos naquele país. Grandes edificações estão sendo erguidas e são elaboradas com matérias primas consideradas de primeira linha em qualquer parte do mundo. Outra coisa que me chamou muita atenção foi o vai e vem de veículos 4X4 dos modelos mais luxuosos. Estes trafegam por toda a província, um verdadeiro salão do automóvel em plena circulação que traz um chocante contraste com o comércio informal que impera. Diante da má distribuição de renda, não é incomum observamos diversas “BMWs” passarem em ruas onde o esgoto corre a céu aberto e ao lado de dezenas de famílias pobres marcadas por mães que carregam seus filhos pendurados ao corpo em sacos. È notório que os africanos de Angola são um povo com enorme calor humano e receptivos na arte da convivência, mas infelizmente com uma bagagem intelectual praticamente inexistente entre os mais desfavorecidos. Percebe-se nitidamente o reflexo que uma guerra civil traz para um país. Não existem altos índices de criminalidade, que ao meu ver é só um sentimento de revolta reprimido. A disputa está entre os mais ricos e representa nada mais que o massacre dos pobres. Fiz um questionamento a um morador da província de Luanda: “Porque não há altos índices de assaltos e violência neste país? E porque este povo não se rebela contra tanta desigualdade social?”. Assim ele me respondeu: “Não há, porque o povo tem medo de quem anda com estes carrões”. Diante desta resposta não
perguntei mais nada. Pois para mim, pelo menos, este é o próprio
reflexo do pós-guerra, que mata e reprime sem sequer despertar a
atenção da opinião pública.
Mario Mendes Jr. é empresário e Sócio-Diretor da Movatel Projetos e Sistemas. Graduado em Tecnologia da Informação e especializado em Finanças Operacionais pelo ISE.
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