Contaminação transgênica

Por Frei Sérgio Antônio Görgen, novembro de 2004
 

Um fato novo confirma uma das principais preocupações dos críticos dos transgênicos em relação a sua liberação indiscriminada e sem controle: a contaminação. Cientistas da  Agência Norte Americana de Proteção ao Meio Ambiente (EPA, na sigla em inglês) comprovaram que um tipo de grama transgênica (por enquanto só liberada para pesquisas) pode polinizar (cruzar através do pólen) com gramas não-transgênicas até a uma distância de 21 quilômetros. A descoberta reforça preocupações de que o pólen transgênico possa contaminar outras gramas silvestres.

Este é só mais um fato. Nos Estados Unidos, o Milho Starlink, reprovado para consumo humano, foi encontrado em tortilhas populares consumidas por milhões de pessoas e retiradas do mercado. A contaminação em larga escala das variedades tradicionais de milho no México, colocando em risco os bancos de germoplasma desta importante cultivar para a alimentação da humanidade, foi comprovada de maneira insofismável pelo próprio Governo Mexicano.

O caso do agricultor canadense, Perci Schemeisser, cultivador de canola orgânica com suas lavouras contaminadas por canola transgênica de seus vizinhos transformou-se num símbolo mundial quando o agricultor foi abrigado a pagar royalties à Monsanto por ter sido contaminado por semente patenteada por ela.

No Rio Grande do Sul, no município de Ibirubá, agricultores que plantaram e colheram soja convencional, quando testada, contatou-se contaminação com soja transgênica. Resíduos nas plantadeiras, nos caminhões de transporte, nas colheitadeiras, nos armazéns tornam impossível o controle e a garantia do direito de escolher o que plantar e o que colher daqueles que não querem pelas mais variadas razões cultivar transgênicos.

Isto comprova que o discurso de que o agricultor poderá escolher o que lhe for mais vantajoso entre o convencional, orgânico e transgênico não passa de uma falácia. Trata-se, na verdade, de uma tecnologia totalitária. Ao contrário de outros recursos tecnológicos até hoje colocados à disposição dos agricultores, este não consegue conviver com a diversidade. Vai impor-se como o único.

O chamado fluxo gênico e a conseqüente poluição genética já são um problema real e só tendem a piorar quanto mais transgênicos forem cultivados. Caso algum problema grave venha a ser constatado, tanto em relação à produtividade agrícola, à doença de plantas, à microbiologia do solo ou à saúde humana, teremos enormes dificuldades de dar marcha ré. Qualquer processo de descontaminação será caro, difícil e demorado. Por isto impõe-se o princípio da precaução. Antes de liberar comercialmente, procedam-se exaustivos estudos de biossegurança.

A Alemanha já editou uma lei garantindo o direito de co-existência entre culturas agrícolas e prevendo penas severas aos contaminadores. Todos os cultivadores de plantas transgênicas serão obrigados ao registro público das áreas cultivadas.

Enquanto isto, em nosso amado Brasil segue a festa do lobby das multinacionais dos transgênicos, demostrando que, além de contaminar a natureza, são capazes de contaminar consciências de deputados, senadores e ministros de Estado.
 

Frei Sérgio Antônio Görgen, deputado estadual Frei Sérgio (PT-RS), novembro de 2004.
Brasil

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