| Banco Mundial amplia emissões
de carbono
Relatório de ONG americana mostra aumento de incentivos da entidade à queima de combustíveis fósseis desde 1992 CRISTINA AMORIM
O Banco Mundial (Bird) aumentou o investimento em projetos de energia baseada na queima de combustíveis fósseis desde a Eco-92, encontro ambiental sediado no Rio de Janeiro em 1992. A afirmação é feita em relatório do Instituto de Estudos Políticos, ONG sediada nos EUA, e divulgado durante a COP-10 (10ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU), que acontece na Argentina até o dia 17. Os autores disseram ter se baseado em dados do próprio organismo divulgados ao longo da última década. Segundo eles, o grupo investiu US$ 28,5 bilhões em programas que incluem a extração de combustíveis fósseis (como o petróleo), usinas de energia baseadas no uso de tais fontes e reformas no setor desde 1992. Seria aprovado, dizem, financiamento para um projeto do setor a cada duas semanas. A queima de tais combustíveis é um dos principais produtores de gases-estufa, como o dióxido de carbono ou gás carbônico, ligados às mudanças climáticas. Vallette credita a tendência de financiamento à pressão exercida pelos EUA, país que consome 25% do óleo do mundo. No mesmo período, o investimento em projetos que priorizam a produção limpa de energia totalizou em US$ 6 bilhões ao longo de 15 anos, segundo um documento do próprio banco distribuído numa conferência internacional em Bonn, na Alemanha, sobre energia renovável. O relatório indica que nem todos os projetos do gênero podem ser considerados "limpos", pois haveria múltiplos componentes integrando o plano, dos quais poucos prevêem a fonte renovável de energia. Para Jim Vallette, principal autor da análise, há uma incoerência sobre como o Bird se coloca para a comunidade internacional preocupada com as conseqüências do aquecimento global e seus reais interesses. "O Banco Mundial saiu da ECO-92 como o grande financiador de projetos que visam a produção de energia renovável, mas o maior investimento é feito em programas de carbono." Vallette defende que o Bird seja proibido de participar de quaisquer planos de desenvolvimento ligados ao Protocolo de Kyoto, acordo global que prevê a redução da emissão de gases-estufa a partir de fevereiro de 2005. "Depende dos negociadores internacionais colocar o Banco Mundial para fora das negociações." MDL O Banco Mundial tem surgido, nos últimos dois anos, como um dos principais captadores de investidores para projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), como a comercialização de créditos de carbono. O mercado, atrelado à entrada em vigor do protocolo, prevê que países ricos que possuem metas de redução de emissões podem compensar seus excessos adquirindo cotas de ações não-poluentes de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil. Calcula-se que o setor movimente cerca de US$ 400 milhões durante a vigência do primeiro período do protocolo, que vai até 2012, caso o preço da tonelada de carbono chegue a US$ 10 - hoje ela é negociada a US$ 4. Os representantes do Banco Mundial na COP-10 não foram localizados pela reportagem até o fechamento desta edição. Festa Ontem, as ONGs presentes na
COP-10 organizaram uma festa para os participantes da conferência.
Todos eram bem-vindos, com exceção dos representantes de
países que não ratificaram o Protocolo de Kyoto ou deixaram
de apresentar, nos últimos anos, políticas ambientais com
vista na redução dos impactos da mudança climática.
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