| Campinas reduz a letalidade
por Aids
Programa Municipal de DSTs/Aids apresentou índice de 4,9%, abaixo da média nacional, durante semana de Luta Contra a Aids Por Eli Fernandes, dezembro de 2004
Os três eventos foram realizados simultaneamente, domingo, segunda e terça-feira, no Hotel Nacional Inn, em Campinas, numa parceria do Programa com o Serviço Social do HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Sociedade Civil Organizada, Movimentos Sociais e ONGs (Organizações Não-Governamentais). Durante a conferência “A epidemia de Aids em Campinas”, uma das diversas atividades realizadas durante os eventos, a coordenadora do Programa Municipal de DSTs / Aids, Cristina Ilario, apresentou um panorama sobre a questão da Aids, não só na cidade, mas no mundo, com foco nas lutas e conquistas a partir das realidade das pessoas que vivem com HIV/Aids, profissionais e representantes da sociedade envolvidos com a questão e formadores de opinião, como jornalistas e artistas. Reflexão Muito além da divulgação de dados, números e estatísticas, o Seminário (composto de três eventos paralelos) trouxe uma grande reflexão sobre o tema que, ainda no século 21, esbarra em tabus: situações de preconceito, desinformação e uma série de complicações sociais, relacionadas a direitos e cidadania. “Aqui em Campinas a gente militou e conseguiu”, resume Cristina. “Ninguém que vem trabalhar com a gente pede espaço, mas exige seu espaço”, afirmou a coordenadora do Programa Municipal. A redução da letalidade, informa Cristina, está diretamente relacionada à qualidade do Programa implantado na cidade. O Programa Municipal atua a partir do Centro de Referência em DSTs/Aids, localizado na Rua Regente Feijó, número 637, no Centro de Campinas (Telefone: 3234 – 5000). “As conquistas devem ser creditadas às pessoas que lutaram para que seus direitos fossem reconhecidos e devemos muito disso, sem dúvida, aos homossexuais, que foram verdadeiros heróis no início da epidemia”, disse Cristina referindo-se ao que já foi a principal causa de transmissão de Aids em Campinas, as prática de sexo entre HSHs (Homens que fazem Sexo com Homens). Maior transmissão entre heterossexuais A principal causa de transmissão do HIV em Campinas acontece entre homens e mulheres heterossexuais, sendo a segunda causa, o uso de drogas injetáveis sem redução de danos. É desde 1995, no entanto, que a transmissão entre homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis vem caindo quando comparada com a transmissão entre heterossexuais, tanto homens quanto mulheres. Entre 1990 e 1995, a principal causa de transmissão estava entre UDIs. Hoje a proporção diminui, mas aproximadamente 50% das mulheres que têm Aids são parceiras de usuários de drogas injetáveis. Na faixa etária dos 30 a 49 anos está aproximadamente 73% dos homens e 63,9% das mulheres entre os casos de Aids diagnosticados no município desde 1982. Mas se hoje a proporção é de mais ou menos três homens para cada mulher, na década de 80 esta mesma proporção já foi de 16 homens para cada mulher. Mais conquistas Outra conquista bastante discutida durante o seminário foi a redução das transmissão vertical, que pode ocorrer de uma mãe soropositiva ou que tem Aids para o filho ou filha. O último caso deste tipo de transmissão foi registrado em 2003. Neste ano a transmissão vertical foi zerada. Mas desde o início da epidemia, este tipo de transmissão ocorreu em 84 crianças. Outras três crianças tiveram transmissão através de transfusão de sangue, duas por uso de drogas injetáveis sem Redução de Danos e 11 por causa ainda ignorada. Os eventos foram encerrados na tarde de terça-feira, em Plenária Final que decidiu pela sistematização dos trabalhos realizados por 80 palestrantes, distribuídos em 24 mesas e pelo menos oito oficinas, após os eventos. Algumas das oficinas e mesas de discussões tiveram de ser repetidas durante os eventos, devido às novas inscrições feitas no local. No total foram mais de 500 participantes. Grife da prevenção A abertura ocorreu na noite de domingo, com presença da prefeita Izalene Tiene, do coordenador-adjunto do Programa Municipal de DSTs/Aids, Ricardo Pio Marins, da representante do Programa Estadual de DSTs/Aids, Maria Clara Gana, da secretária municipal de Saúde, Maria do Carmo Cabral Carpinteiro, da representante do Serviço Social do HC-Unicamp, Sandra Regina de Angelis Monteiro Terra e Solange Morais, representante das pessoas que vivem com HIV/Aids. O evento de abertura contou
com performances artísticas de teatro, dança, música
e um desfile de uma grife dedicada à causa. O trabalho de jovens
que atuam junto à Acadec (Ação Artística para
o Desenvolvimento Comunitário), ONG parceira do Programa Municipal,
foi apresentado por modelos que desfilaram mostrando roupas que remetem
à reflexão sobre a prevenção, assistência
e cuidado com a questão da Aids e da atenção às
pessoas que vivem com HIV/Aids.
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