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Editoria:
QUESTÃO AGRÁRIA / SC
Atingidos
por barragens entregarão relatório sobre ameaças para
relatora da ONU
Hina
Jilani, representante do Secretário-Geral da ONU, terá acesso
ao documento neste sábado (17/12), em Santa Catarina; o relatório
traz denúncias contra empresas construtoras de barragens, sistema
judiciário e o Estado brasileiro
O Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB) entregará no próximo sábado,
17 de dezembro, para Hina Jilani, relatora da Organização
das Nações Unidas para os Defensores dos Direitos Humanos,
um relatório aprofundado com denúncias contra as empresas
construtoras de barragens, o sistema judiciário e o Estado brasileiro
que levaram a um processo de criminalização dos atingidos
pelas barragens da Bacia do Rio Uruguai, na divisa entre o Rio Grande do
Sul e Santa Catarina.
O relatório
apresenta uma lista de 107 pessoas que estão sendo processadas pela
justiça por lutarem pelos direitos do povo atingido na região.
Além disso, são relatados casos de prisões arbitrárias,
violência policial, difamação e perseguição
política nos últimos dez anos.
Pelo relatório,
“ao criminalizar os defensores de direitos das populações
atingidas por barragens, o Estado e as empresas construtoras pretendem
atingir o MAB. Na avaliação das empresas a organização
do MAB é vista e tratada como subversiva à ordem estabelecida
e um risco à sustentação do modelo energético
como ele está constituído hoje”. Isso é evidente quando
as principais lideranças da região respondem a mais de 15
processos cada uma.
Mas a
situação se tornou extrema com a prisão de dez líderes
do MAB em março deste ano. As prisões ocorreram dias antes
do dia internacional de luta contra as barragens e tiveram claras motivações
políticas de inibir e impedir manifestações em toda
a região, principalmente em Campos Novos, onde os agricultores denunciam
a situação em que vivem. As lideranças permaneceram
na cadeia como criminosas durante 25 dias, enquanto a justiça local
e as empresas donas da barragem negavam o direito de 310 famílias,
reconhecidas como atingidas pela Fundação de Meio Ambiente
do estado de Santa Catarina.
A ONU
enviou a relatora para inspeção em Campos Novos no próximo
sábado (17), pois esta é uma das barragens que no Brasil
tem tido casos emblemáticos contra a violação dos
direitos humanos. O casamento entre o poder econômico das empresas
e o poder do judiciário configura uma ditadura que se materializa
na expropriação dos meios de vida das populações
que são afetadas pelas obras, na negação sistemática
dos direitos humanos, econômicos, sociais e ambientais destas populações,
na incapacidade do ministério público e do judiciário
em garantir esses direitos, na violência policial para guarnecer
os canteiros de obras e dispersar manifestações.
O Programa
Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos
conceitua como tal “todos os indivíduos, grupos ou órgãos
da sociedade que promovem e protegem os direitos humanos e as liberdades
fundamentais universalmente reconhecidos”, mas frente ao conflito social
instalado em Campos Novos e à mobilização da população,
as empresas construtoras da barragem e o judiciário têm respondido
com processos que pedem a prisão que vai de 1 a 30 anos para 36
lideranças processadas por ações criminais.
A organização
que causa desgosto ao poder econômico
As manifestações
populares causam ira às empresas construtoras de barragens porque
a região hidrográfica do rio Uruguai apresenta um potencial
hidrelétrico com uma capacidade total de produção
de 40,5 KW/Km2, uma das maiores relações energia/Km2 do mundo.
Daí o interesse de empresas como a Companhia Brasileira do Alumínio,
Companhia Níquel Tocantins, Votorantin (donas da UHE de Campos Novos),
Tractebel, Banco Bradesco e Camargo Corrêa (donas da UHE de Barra
Grande) se instalarem na região para a implantação
das usinas.
Além
disso, pelo plano de aproveitamento energético desta bacia, projetado
na década de 70 seria possível construir 25 barramentos de
rios. Estes projetos transformariam o perfil topográfico da região
em uma escada de sucessivos reservatórios. Com a agregação
de novos projetos de pequenas centrais elétricas o volume de terra
inundadas seria de 1600 Km2 e atingiriam violentamente em torno de 300.000
pessoas.
No entanto,
há 25 anos o MAB se organiza na região para que os agricultores
continuem plantando, tendo uma vida digna e gerando riquezas e para que
grandes áreas de florestas não sejam destruídas. Essa
organização é de resistência para não
perderem a terra e tudo o que construíram durante toda a vida e
também de denúncia, o que provoca a ira de quem quer ganhar
muito dinheiro com a construção das barragens.
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Fonte:
Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
& Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Fechamento:
14/12/2005 - 00h47
Contatos:
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Ref.
http://www.consciencia.net/2005/1412-sc-barragens.html
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