| Brasil:
o país das faculdades de Jornalismo
Do sítio
O
Jornalista, 17/8/2005
Já virou uma “Festa da Uva”. O número de cursos de Jornalismo, no Brasil, cresce sem parar e pelo visto sem controle algum. Segundo dados do Censo do Ensino Superior de 2003, o número de cursos saltou de 260, em 2000, para 443, em 2003, o que corresponde a um aumento de 70% nesses quatro anos. Desses 443 cursos atuais, 74 são públicos e 369 privados. Segundo análise da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), os dados precisam, no entanto, ser tomados com precaução, pois pode ter havido confusão na hora de classificar os cursos. “É possível que nas listas de Comunicação Social tenham sido contabilizadas outras habilitações que não as de Jornalismo, como os cursos de graduação em Cinema e Vídeo, Radialismo, Rádio e Telejornalismo, Produção Editorial e Publicação entre outros”, afirmou a entidade. Porém, alguns dados sobre a questão são incontestáveis: - O Brasil tem mais faculdades de Jornalismo do que de Odontologia. Apesar de sermos um país de desdentados, pelo menos no entendimento do Ministério da Educação parece que precisamos mais de jornalistas do que de dentistas; - Todos os Estados brasileiros oferecem cursos de jornalismo. Com habilitação em Jornalismo já são pelo menos 300 cursos, contra menos de 200 em Odontologia. - A Região Sudeste concentra a maioria das escolas de jornalismo, seguida pela Região Sul, Nordeste, Centro-Oeste e a Região Norte, com o menor número delas; - O Governo Lula agravou a política de proliferação das faculdades de Jornalismo, apesar dos diversos apelos de uma moratória na abertura de novos cursos no País; - No ranking dos Estados, São Paulo é o campeão isolado. O segundo lugar é do Paraná, seguido de perto por Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Rio Grande do Sul ocupa a quarta colocação. Em diversas ocasiões os jornalistas brasileiros já expressaram preocupação e cobraram providências contra a proliferação indiscriminada das faculdades de jornalismo no Brasil. Mas, nenhuma providência digna do nome foi tomada pelos órgãos competentes. Em 2003, o XI Congresso Estadual dos Jornalistas no Estado de São Paulo, realizado nos dias 24 e 25 de outubro, em Bauru (SP), aprovou um documento endereçado ao Ministério da Educação, no qual a categoria paulista expressava preocupação e cobrava providências contra a proliferação das faculdades de jornalismo no Brasil. No ano seguinte, a Federação Nacional dos Jornalistas reforçou o alerta. Tudo em vão. Até quando esta situação vai se perdurar? Veja abaixo
um documento encaminhado ao Ministério da Educação
em 2003:
Bauru, 26 de outubro de 2003. N.R.: A FENAJ encaminhou ao MEC, em outubro de 2004, um pedido de moratória na abertura dos cursos de jornalismo e da inclusão da entidade nas comissões de avaliação das condições de oferta de tais cursos. |