Exposição
mostra como o tratamento com anti-retrovirais pode estender e melhorar
a vida de crianças que vivem com HIV/Aids
As inovações no tratamento para pacientes do HIV/Aids não estão beneficiando milhares de crianças que vivem com a doença nos países em desenvolvimento. Faltam instrumentos de diagnóstico adequados e medicamentos apropriados, fáceis de usar e baratos, para esses jovens pacientes. 90% das crianças com HIV/Aids vivem na África e não constituem um mercado lucrativo para as indústrias farmacêuticas. Dos quase 60 mil pacientes dos projetos de HIV/Aids de MSF espalhados em 30 países no mundo, 6% são crianças. Apesar das dificuldades de se tratar uma criança com Aids - é preciso triturar ou partir comprimidos existentes - nossos profissionais de saúde se esforçam para oferecer tratamento correto a milhares de crianças, principalmente na África. Nesta exposição você verá um retrato da epidemia de Aids no Quênia, onde cerca de 120 mil pessoas vivem com a doença, muitas delas crianças. Desde 1997 MSF mantém projetos para pacientes de HIV/Aids no Quênia.
Indústrias
Farmacêuticas ignoram as crianças com Aids por serem um mercado
pouco lucrativo, e não produzem testes de diagnóstico e medicamentos
apropriados para esses jovens pacientes. 90% das crianças que nascem
com Aids vivem em países da África
As indústrias farmacêuticas não estão produzindo versões apropriadas para as crianças dos medicamentos de combate à Aids. Essa é uma das razões para o fato de que metade das crianças que vivem com HIV/Aids vai morrer antes de completar dois anos de idade. A ONG Médicos Sem Fronteiras faz hoje um apelo às empresas para que produzam formulações pediátricas fáceis de usar de todos os seus medicamentos anti-Aids. Há também uma necessidade urgente de obter-se testes de Aids mais simples e baratos para bebês que vivem em regiões empobrecidas do planeta. “MSF está fornecendo medicamentos anti-retrovirais para cerca de 800 crianças que vivem com HIV/Aids aqui no Quênia”, disse a Dra. Rachel Thomas, coordenadora de saúde do projeto de MSF em Kibera, Nairobi. “Os resultados são muito bons, mas é uma batalha dificílima. Na ausência de comprimidos adaptados às crianças, que combinem todos os medicamentos necessários numa única pílula, os profissionais de saúde e as pessoas que cuidam dessas crianças são freqüentemente forçados a triturar os comprimidos produzidos para adultos”. Além de ser menos efetivo, uma dose menor pode tornar o vírus resistente ao tratamento, enquanto uma superdosagem pode ser tóxica para esses jovens pacientes. Além disso, os poucos medicamentos que existem em formulações líquidas ou em pó para crianças não são práticos de serem usados: uma criança tem que tomar três quantidades diferentes de três xaropes diferentes, na maioria das vezes intragáveis. Alguns medicamentos necessitam de refrigeração, outros de água potável, requerimentos estes nem sempre disponíveis em lugares empobrecidos, como favelas, ou áreas rurais isoladas. Com base nos bons resultados obtidos no tratamento de adultos vivendo com HIV/Aids oferecido por MSF desde 2001, MSF está bastante comprometida em oferecer até mesmo aos pacientes mais novos, nos países em desenvolvimento, tratamento que possa aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dessas crianças. Embora 75% das 1.300 crianças quenianas atualmente sob tratamento com anti-retrovirais recebam os medicamentos de projetos de MSF, estima-se que 17 mil outras crianças no país precisem de tratamento atualmente. Os testes existentes para detectar o vírus em crianças são caríssimos ou impraticáveis em regiões empobrecidas, e os testes de rotina disponíveis nos países pobres são inúteis para bebês com menos de 18 meses de vida porque o sangue desses bebês ainda contém anticorpos da mãe. Os testes não dizem se os anticorpos são do bebê ou da mãe. Nos países mais ricos, a transmissão vertical de mãe para filho do HIV é evitada em 99% dos casos, os bebês podem ser testados bem antes e recebem tratamento a tempo. Esta realidade está longe de acontecer nos países em desenvolvimento. As demandas são enormes, e MSF está se referindo apenas à ponta de um iceberg. E enquanto não houver testes de diagnóstico mais simples e baratos para detectar o vírus em recém-nascidos e os tratamentos disponíveis para crianças forem limitados, bebês continuarão morrendo antes do segundo aniversário. As equipes de MSF vêm pedindo às empresas para que produzam comprimidos adaptados às necessidades das crianças, mas até o momento não receberam nenhuma resposta satisfatória. Nove entre dez crianças nascidas com HIV/Aids vivem em países da África. Como há pouco lucro na pesquisa e desenvolvimento de testes e medicamentos anti-Aids para crianças que vivem em países pobres, poucas empresas estão investindo neste setor. MSF apela por um aumento substancial da pesquisa e desenvolvimento de testes que possam detectar o vírus em bebês e de combinações três-em-um de medicamentos anti-Aids para crianças. “Ainda não temos a cura, mas Aids é uma doença tratável. Muito mais crianças poderiam estar levando uma vida relativamente normal com testes e medicamentos apropriados. No entanto, milhões de crianças continuam esperando por isso”, conclui a Dra. Rachel Thomas. Assista o vídeo com imagens e entrevistas do projeto de HIV/Aids de MSF em Kibera, Nairobi.
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