declaração
APAC: Mais uma irresponsabilidade da VEJA

Resposta da Associação de Pais e Amigos dos Estudantes Brasileiros em Cuba - APAC à Revista Veja, 31/10/2005
 

A Revista semanal VEJA, dos estrangeiros Civita, em sua edição 1929, de 2.11.2005 publica em destaque reportagem sobre a remessa de dólares de Cuba para financiamento da campanha do Presidente Lula do PT. A matéria é repleta de contradições, inclusive em relação a quantia de dólares enviada por Cuba. Dinheiro esse que ninguém viu e apenas ouviu dizer segundo o repórter policarpo junior (em letras minúsculas mesmo). A única testemunha da estória é um defundo. Com total estardalhaço e irresponsabilidade, a revista, casualmente, publica essa reportagem às vésperas da visita do moribundo Sr. Bush, que não consegue nem mais iludir a opinião pública de seu país.

Mas a intenção da revista é bem clara quando, no final da reportagem, apela para o cancelamento do registro do PT e a inegilibilidade de seus filiados, inclusive do atual Presidente do Brasil. Mais importante do que analisar esta irresponsabilidade da Veja e vermos a sua trajetória e linha editorial nos últimos meses. Não sabemos ainda se por ideologia ou interesses comerciais, ou ambos, a revista da Editoria Abril tem feito ataques frequentes contra Cuba, a Venezuela e o atual governo brasileiro. Enquanto outras revistas publicam indícios de irregularidades em outros partidos, a Veja se omite. No plebiscito sobre o comércio de armas e munição enquanto a IstoÉ e a Época divulgaram reportagens ilustrativas a Veja tomou a defesa do NÃO tentando manipular a opinião pública brasileira.

Na sua edição 1903, de 4.5.2005, a Veja ataca algumas centenas de brasileiros que vão estudar medicina fora do país vítimas do modelo cruel vigente que leva aos cursos médicos apenas filhos da elite brasileira. Em especial meninos pobres, negros, índios e multos, que estudam em Cuba e que não teriam a oportunidade de se formarem médicos em nosso país. Em nenhum momento VEJA analisou a questão da medicina comercial e curativa vigente em nosso país e que alcança pouco mais de 40 milhões de brasileiros.

Os 80 milhões de brasileiros, especialmente aqueles que residem no interior de pequenas cidades no norte, nordeste e centro-oeste do país, que não tem acesso a qualquer serviço médico por não terem médicos formados no país que queiram trabalhar naquelas localidades foi totalmente esquecido pela reportagem de Veja. Como se esses brasileiros não existissem. E muito menos a questão da ética médica que vivemos. Coincidentemente a revista IstoÉ publicara dias antes uma nota de meia página criticando o posicionamento do Conselho Regional de Medicina na questão dos médicos cubanos em Tocantins (cuja população até hoje continua sem médicos). E mais coincidência ainda: os argumentos e dados usados na reportagem são cópias de matérias publicadas anteriormente na Revista do Conselho Federal de Medicina.

Imediatamente endereçamos uma resposta robusta e indignada a revista Veja que demonstrando a sua total arrogância e falta de espírito democrático não publicou sequer uma linha de nossas ponderações. Infelizmente pela lei de imprensa em nosso país teríamos que contestar judicialmente as injuúrias e alguns anos depois talvez a verdade fosse publicada. E assim se caluniam pessoas, se formam opiniões distorcidas. Tudo isto em nome de uma ética (ou a falta dela) jornalística.

Mas na mesma edição da revista, uma reportagem de capa chama a atenção. Com o título "Quem precisa de um novo Fidel?" a revista Veja tenta ridicularizar o Presidente da Venezuela Hugo Chavez e, claro, mais uma vez o Comandante Fidel Castro.

Com uma reportagem esdruxúla define Chavez como um populista inconseqüente. Esquece no entanto de analisar a Venezuela antes e depois do Sr. Chavez. Um dos países mais ricos da América, a Venezuela sempre foi conhecida pela miséria da maioria do seu povo. A prosperidade do petróleo alcançava apenas algumas milhares de pessoas, enquanto o "resto" da população não tinha acesso a educação, saúde, saneamento, moradia e trabalho.

Pois esta mesma Venezuela, não mostrada pela Veja, após eleições, plebiscitos democráticos, fiscalizados e acompanhados por observadores internacionais, onde o Sr. Chavez alcançou a maioria dos votos, hoje anuncia a erradicação do analfabetismo. Os pobres venezuelanos têm médicos na porta de sua casa e a riqueza do petróleo começa a ser melhor distribuído entre o seu povo. Talvez isto incomode aos ricos e a revistas como a Veja. Mas são verdades e tem de ser ditas e divulgadas, como manda o bom e isento jornalismo.

Satanizar as esquerdas. Mentir. Distorcer a verdade e tentar esculhambar a imagem pública de alguns homens públicos não são ferramentas de uma imprensa saudável e em nada contribuem para um regime democrático. Campanhas permanentes contra minorias de negros e homosexuais, além de sistematizar ataques contra ideologias e pensamentos – que talvez não sejam aceitos por alguns mas que devem ser respeitados – são instrumentos de regimes condenados no século passado, como, por exemplo, o de Hitler na Alemanha, Mussoline na Itália, Franco na Espanha e Salazar em Portugal. 
A revista Veja perdeu, em mais esta reportagem superficial (embora publicada em destaque) e irresponsável o maior patrimônio que um meio de comunicação pode ter: a credibilidade e a dignidade.

Cabe a nós, que não concordamos e repudiamos essa linha editorial, darmos uma resposta a Veja, enviando protestos (veja@abril.com.br) à redação da revista, divulgando esse manifesto e boicotando a revista e seus anunciantes. Em nome da verdade e em solidariedade a Cuba, cuja imagem, mais uma vez, foi maculada por mais uma manifestação de total falta de compromisso com a verdade e com os interesses do Brasil e do seu povo.
 

A Direção da APAC - Associação de Pais e Amigos dos Estudantes Brasileiros em Cuba

VEJA que mentira

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