assembléia
popular
Documento da Assembléia
Popular: Nossos Próximos Passos
I- AGENDA DE
LUTAS COMUNS
O povo
luta todos os dias pela sobrevivência. Luta por seus direitos. Muitos
movimentos populares, sindicais, sociais, lutam também por defender
os interesses de grupos sociais. Mas agora, precisamos construir uma pauta
comum, do que poderíamos fazer, lutar todos juntos e que interessa
a todos e a todas.
1. Lutar por uma
reforma política de fato, que mude o processo de representação
política.
A crise
política atual revelou que os brasileiros não acreditam nos
atuais políticos. Acontece que o sistema de representação
não respeita a vontade do povo. Depois de eleitos, fazem o
que querem. Existem várias propostas de reforma apresentadas.
Uma delas com aval da OAB, CNBB e entidades, que defende a introdução
de mecanismos de democracia direta, de plebiscito, de revogar mandatos
etc. Precisamos lutar, precisamos promover amplos debates exigindo mudanças
no sistema político-eleitoral e na organização sócio-político-economica.
2. Auditoria e suspensão
do pagamento da divida externa.
Está
previsto na Constituição brasileira que deveríamos
fazer uma Auditoria da dívida externa e ver o que já foi
pago e o que devemos de fato pagar. O Brasil já pagou mais
de uma vez sua divida externa. Por isso é urgente e necessário
a auditoria da divida externa.
3. Lutar pela valorização
do salário mínimo e das aposentadorias.
O aumento
do salário mínimo e da aposentadoria são as principais
formas de recuperar a renda dos mais pobres. É a melhor forma de
garantir a distribuição de renda. O governo Lula, em
campanha, havia se comprometido a dobrar seu poder aquisitivo durante os
quatro anos. Se ele cumprisse a promessa, hoje o salário mínimo,
segundo o DIEESE, deveria ser de 454 reais, e em maio do ano que vem, deveria
ser de 566,00. Mas o governo enviou mensagem ao Congresso, propondo
um salário de 324 reais para 2006. Lutar pelo projeto de aposentadoria
das donas-de-casa.
4. Lutar pelo direito
ao trabalho e pela redução da jornada de trabalho.
Milhões
de brasileiros estão desempregados ou no trabalho informal.
O direito ao trabalho é fundamental. A maioria de nossos jovens
não têm essa oportunidade. Por isso precisamos desenvolver
uma luta pelo direito ao trabalho, em especial para o jovens da cidade
e do campo.
5. Lutar contra o
pagamento da dívida interna e os altos juros com dinheiro do orçamento
publico, que é nosso.
O governo
está gastando mais de 120 bilhões de reais por ano em juros
da divida interna. E é o Banco Central que marca a taxa de juros
todos os meses. E hoje é a mais alta taxa de juro do mundo.
O governo usa o dinheiro do povo para transferir aos bancos. Isso
precisa acabar.
6. Lutar por uma
política externa soberana baseada no princípio da solidariedade
entre os povos e na defesa da biodiversidade.
•
Contra os acordos da ALCA e da OMC;
•
Pela retirada das tropas brasileiras no Haiti;
•
Pelo fim da exploração por parte da Petrobrás e de
outras empresas brasileiras nos países vizinhos;
•
Mobilizar-se pela adesão à Aliança Bolivariana das
Américas -ALBA.
7. Lutar pela educação
pública gratuita e de qualidade para todos, garantindo o acesso
ao ensino médio e fundamental para todos e dobrando as vagas nas
universidades públicas.
Nós
temos muitas universidades públicas. Poderíamos dobrar
o numero de estudantes, com as mesmas instalações, apenas
aumentando os professores, os cursos, os horários e os investimentos.
Garantir que essas vagas sejam prioritariamente destinadas ao jovens mais
pobres.
8. Realizar uma jornada
nacional pela reforma agrária e em defesa das águas articulada
com:
•
As lutas pela demarcação de todos os territórios indígenas
e quilombolas;
•
Por um novo modelo de desenvolvimento agrícola;
•
Por uma agricultura livre de transgênicos;
•
Contra a privatização das águas, somando-se à
campanha pela revitalização e contra a transposição
do Rio São Francisco.
9. Lutar para que
os recursos do orçamento público, sejam destinados prioritariamente
para as políticas sociais, como saúde e educação.
•
Propor mecanismos de controle popular sobre as políticas públicas;
•
Programar jornadas nacionais em defesa das políticas públicas;
10. Promover uma
jornada nacional de luta pela democratização dos meios de
comunicação.
•
Estimular todos os meios e práticas de comunicação
popular, comunitárias e livres;
•
Combater o atual monopólio dos meios de comunicação;
•
Somar-se a semana de lutas pela democratização dos meios
de comunicação a realizar-se em torno do dia 17 de outubro
de 2006.
II . COMO AMPLIAR
NOSSA ORGANIZAÇÃO E MANTER-N@S ARTICULAD@S?
O segundo
passo que precisamos dar se refere à continuidade de nosso esforço
organizativo com o povo, com as bases.
1. Assembléias
Populares Locais.
Quando
decidimos realizar a Assembléia Popular - Mutirão por um
Novo Brasil em âmbito nacional, havíamos planejado realizar
assembléias municipais e estaduais. Infelizmente, por falta
de tempo e capacidade organizativa, conseguimos realizar apenas assembléias
estaduais. Mas agora, precisamos realizar assembléias populares
nos municípios do interior e nos bairros das grandes cidades.
O povo precisa ter um espaço para falar, debater seus problemas.
Sem preocupação com delegação de poder, todos
podem e devem se manifestar. E nas assembléias, retomar os
temas debatidos nos documentos da assembléia nacional. Em
outros espaços organizados, como sindicatos, paróquias, centros
acadêmicos, assentamentos, comunidades rurais, também
podemos realizar assembléias populares e debater.
Uma assembléia
popular é a participação de todo povo: crianças,
jovens, adultos, idosos, homens e mulheres. As Assembléias Populares
podem também planejar atividades de ação direta que
permitam mobilizar em torno de problemas e soluções comuns
e que sirvam de exercício de pedagogia de massa.
2. Realizar um mutirão
de debate de base.
Utilizar
os documentos que serão aprovados nesta Assembléia, sobretudo
o documento O BRASIL QUE QUEREMOS, transformá-los em cartilhas,
com perguntas e de forma didática, para discutir com o povo.
E combinar que tod@s nós, ao voltarmos às nossas bases, durante
um certo período, fossemos de casa-em-casa, levando
a cartilha e discutindo com o povo. Devemos aproveitar também os
espaços comunitários onde nossa base está acostumada
a se reunir como: centros comunitários, associações,
paróquias, sindicatos, etc.
3. Assembléia
Popular Nacional Permanente.
Podemos
afirmar que, a partir de agora, nos comprometemos a manter-nos em assembléia
popular permanente. Realizarmos uma nova Assembléia Popular Nacional
com representações, delegados, por todos os setores sociais,
e seguiremos adiante nessa longa jornada do povo ir construindo suas próprias
instâncias, seus próprios espaços de debate e decisão.
Calendário
de Lutas:
•
8 a 14 de março: Jornada Nacional em Defesa das Águas;
•
8 de março: Dia Internacional da Mulher;
•
17 de abril a 1º de maio: Lutas em Defesa da Reforma Agrária,
do Salário Mínimo e pelo Direito ao Trabalho;
•
19 de abril: Dia dos Povos Indígenas;
•
1º a 7 de setembro: Jornada Nacional pela Soberania Nacional e Contra
o pagamento da Dívida Interna e Externa;
•
17 de outubro: Semana de Luta pela Democratização dos Meios
de Comunicação.
Calendário
Organizativo:
1º Etapa: De
janeiro a maio de 2006
•
Desenvolver o trabalho de base;
•
Promover as Assembléias municipais;
•
Divulgar os documentos da Assembléia Popular/2005;
•
Elaborar cartilhas de estudo;
2º Etapa: De
maio a junho de 2006
•
Promover as Assembléias Populares Estaduais;
3º Etapa: Assembléia
Nacional
•
Surgiram três alternativas de datas que precisam ser definidas pela
coordenação da Assembléia Popular Nacional;
•
Antes das eleições de 2006;
•
Depois das eleições;
•
Início de 2007.
Assembléia
Popular Nacional
Brasília/DF,
28 de outubro de 2005
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