"Venerável
Ordem Terceira de São Francisco da Penitência" se intitula
proprietária da maior parte dos imóveis na comunidade Pedra
do Sal, situada acima do Largo São Francisco da Prainha, próximo
à Praça Mauá. 30 famílias, em grande parte
composta de negros e pobres, estão na rua. Famílias irão
acampar amanhã (26/10) ao lado de uma igreja da Ordem
Ontem, dia 24 de outubro (segunda-feira), cerca de 30 famílias foram despejadas dos imóveis onde residiam, devido a ação judicial movida pela "Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência", ordem religiosa que se intitula proprietária da maior parte dos imóveis na comunidade, situada acima do Largo São Francisco da Prainha, próximo à Praça Mauá. Na comunidade vivem cerca de 2.500 pessoas, em sua grande maioria negros e pobres, constantemente perseguidas e humilhadas pelos frades da Ordem, que cobram aluguéis escorchantes. Moradores e militantes do movimento comunitário denunciam que a Ordem não têm escrituras legais dos imóveis e apresenta como única "prova" uma certidão emitida pela Prefeitura em 1942. A área tem grande importância histórica. Ali fica a Pedra do Sal, tombada em 1984 pelo pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) como registro da "Pequena África", onde eram desembarcados os escravos africanos, e onde sempre moraram muitos africanos e descendentes, até hoje. A área é um símbolo para o samba e outras expressões da cultura afro-brasileira, mas seus moradores mesmo, afrodescendentes, não são valorizados e são perseguidos até hoje pela Igreja Católica. O falecido papa João Paulo II, pouco antes de morrer, pediu desculpas oficialmente, em nome dos católicos, aos africanos, por séculos de escravidão, mas isso não passará de palavras enquanto a Igreja, que foi a maior proprietária de escravos no Brasil durante toda a colônia e o império, não mudar na prática sua atitude em relação aos negros e pobres. As famílias despejadas, com apoio da Associação dos Moradores da Saúde, da Ocupação Zumbi dos Palmares e outros movimentos, irão acampar amanhã (26/10) ao lado de uma igreja da Ordem, bem próximo ao Largo São Francisco da Prainha, para denunciar a sua situação e a perseguição que a comunidade sofre. Pedimos que tod@s se solidarizem, contactem a imprensa, e se façam presentes apoiando a luta do povo. Maiores informações com Damião, pelo telefone (21) 9701-8905 ou pelo e-mail damiaobraga@bairrodasaude.org
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