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Editoria: HOMOAFETIVIDADE


Projeto do Movimento Gay de Minas é aprovado pelo MEC

ONG irá capacitar professores para lidar com a diversidade sexual
 

Criado pelo Movimento Gay de Minas (MGM), o projeto "Capacitação de Professores em Homossexualidade" está entre os 15 projetos selecionados para receber financiamento do Ministério da Educação (MEC) ainda neste ano. Ao todo, foram 95 projetos, enviados por ONGs de todo o Brasil, candidatos ao financiamento. Inserido dentro do programa do Governo Federal "Brasil sem Homofobia", esta será a primeira vez em que o MEC irá disponibilizar recursos para projetos ligados à causa homossexual.

O projeto irá capacitar 80 professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino público em Juiz de Fora e irá se desenvolver em dois momentos - primeiro em março e em seguida em setembro de 2006. Ao todo, cada professor irá participar de 80 horas/aula de capacitação. Dez especialistas em educação e homossexualidade de todo o país, irão oferecer oficinas para os professores abordando diversos temas (vide quadro abaixo). Ao final do programa serão desenvolvidos projetos de intervenção pedagógica para serem implantados nas escolas públicas. Além disso, apostilas e material áudio-visual serão elaborados pelos participantes e destinados a outros professores.

Para que os professores da rede pública sejam beneficiados, o projeto contou com a parceria da Secretaria de Educação de Juiz de Fora, através do Núcleo de Educação para a Diversidade. A Prefeitura deverá oferecer espaço e equipamentos, além de viabilizar a presença dos professores, durante a capacitação. Para a pedagoga da Secretaria de Educação, Giane Elisa Sales Almeida, o projeto deverá contribuir para que a imagem de "uma Juiz de Fora sem homofobia" seja realmente verdadeira. "O projeto é importante para a cidade, na medida em que propõe uma concepção de escola que atenda à diversidade em todos os níveis. A escola tem que ter atitudes de vanguarda, porque possui um grande efeito multiplicador", afirma.

O papel da escola

Para o presidente do MGM, Oswaldo Braga, os responsáveis pela educação da criança e do adolescente, na sua maioria, não sabem lidar com a homossexualidade. "Nós percebemos que boa parte dos adolescentes que freqüentam o MGM não acha agradável ir à escola. Há muita discriminação dos colegas e até mesmo de professores. Nosso objetivo é colaborar com a capacitação destes professores", explica.

Esta não é a primeira vez em que o MGM trabalha a importância da escola na vida das crianças e adolescentes homossexuais. Há seis anos, durante as atividades do Rainbow Fest, acontece o seminário "Homossexualidade e Escola". Segundo Oswaldo, após o término dos seminários, os professores participantes sempre pediam um programa permanente voltado para os educadores. "Foi então que sentimos a necessidade de criar um projeto", explica.

O educador Anderson Ferrari, um dos idealizadores do projeto e membro do Conselho do MGM, acredita que a capacitação pode ajudar os homossexuais a melhorarem sua auto-estima e construírem a sua própria identidade de uma forma menos traumática. "O currículo da maioria das escolas é omisso, evitando fornecer informações precisas sobre o desenvolvimento sexual ou a contribuição que gays e lésbicas deram ao longo da história. As famílias comumente rejeitam, atacam e perseguem a criança que é homossexual ou afeminada, aniquilando sua auto-estima. A escola não pode continuar se furtando a sua função de incluir estes jovens", explica.

"Parece que está escrito na minha testa: 'bichinha'"

Foi ouvindo esta frase da boca do seu filho de apenas oito anos, que a fotógrafa Simone dos Santos, 45, se deu conta de que havia algo de muito errado com a escola de seu filho. "Ele chegava em casa muito triste e eu não sabia o que fazer. Fui à escola diversas vezes, mas as professoras disseram que era coisa normal, de criança, não havia nada para ser feito", conta. Vítima de bulling (nome dado à humilhação sofrida por crianças e adolescentes nas escolas, por parte de colegas), Rhuã, hoje com 15 anos, sofre com o preconceito de colegas e professores desde a segunda série.

Simone conta que certa vez, uma professora de matemática da 3º série, o chamou de "bonequinha de louça". "Bastou isso para que toda a escola passasse semanas se referindo a ele apenas pelo novo apelido. E ele tinha só dez anos. Nem queria mais voltar para escola". Depois do acontecido, a mãe procurou a direção da escola, que exigiu que a professora pedisse desculpas. Mas o exemplo da professora já estava dado e o mal já estava feito.

Para Simone, a escola nunca esteve preparada para lidar com a homossexualidade de seu filho. "As crianças podem até não ter culpa, mas a escola deveria coibir estas atitudes. Quando eu mandava meu filho ir para a escola ele virava para mim e me perguntava se eu gostaria de ir para um lugar onde eu fosse excluída. Quem gostaria?"

Além da pressão psicológica, Rhuã chegou a ser vítima de agressões físicas, que foram consideradas pela escola como "briguinhas" e não como manifestações graves de homofobia que são. Hoje, Rhuã tem 15 anos, está na 6ª série e teve seu desempenho escolar prejudicado.

CONTEÚDO DO PROGRAMA

1) O papel da Escola na Orientação sobre Sexualidade
A construção da identidade homossexual no ambiente escolar, a educação heterossexista, a (não) identificação com os padrões dominantes, a relação sexo, prazer e as possibilidades de atração  e suas peculiaridades.

2) A homossexualidade nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)
Análise do conteúdo do PCN (História, Pluralidade Cultural, Literatura, Educação Sexual) sob o prisma da homossexualidade.

3) Direitos Sexuais
Análise da Declaração dos Direitos Sexuais, aprovada no XV Congresso Mundial de Sexologia, com destaque para a homossexualidade.

4) Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Análise dos direitos das crianças e adolescentes em relação a homossexualidade.

5) Comportamento, expressões da sexualidade e homossexualidade
A homossexualidade ao longo da vida: infância, adolescência, fase adulta e velhice, como os desejos sexuais se manifestam, como são entendidos e como são enfrentados os tabus da homossexualidade.

6) Homossexualidade e sociedade
Homofobia, violência, guetização, preconceito, exclusão social, os direitos e os não-direitos do cidadão homossexual.

7) Relações de Gênero
Como a sociedade influencia na forma como os indivíduos aprendem e expressam sua sexualidade, os papéis sexuais e como essas questões são entendidas e abordadas nas diferentes etapas do ensino fundamental.

8) Homossexualidade, mídia e artes
A construção da imagem da homossexualidade nesse meios, as implicações históricas e culturais disso e o papel desses veículos na construção e desconstrução dos estereótipos.

9) Desconstruindo estereótipos
Como agir na sala de aula para colaborar na desconstrução dos estereótipos.

10) Saúde Sexual
DSTs, AIDS, hábitos de higiene e prevenção e disfunções sexuais (travestismo e transexualismo), Hermafroditismo.

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Documento de 29/9/2005.

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Fonte: Movimento Gay de Minas (MGM)
Fechamento: 20/10/2005 - 15h45
Contatos: (31) 3218-7496
Ref. http://www.consciencia.net/2005/1020-ag-mgm.html

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