| Salário mínimo
versus
Veja
Paula Batista, de Curitiba, 10 de junho, 2004 A Revista Veja, desta semana, edição 1875 (9 de junho de 2004), publicou, na Carta ao leitor, o editorial “Muito barulho por nada”. Para a revista a discussão do Câmara Nacional “foi um exagero de inutilidade”. O que a revista chama de inutilidade, eu chamo de democracia. Seja lá qual for o motivo daqueles políticos que eram contra o valor do salário mínimo (R$ 260), estipulado pelo governo federal, o que importa é que não se pode perder a chance de discutir e participar desse processo. Um aumento superior a 1,2% não foi aceito. Houve acordos que permitiram ao governo manter os míseros R$ 260,00. Mas convenhamos: é bom que os membros do governo saibam que não podem fazer tudo o que querem. Sempre haverá alguém para discutir. A revista Veja exagerou. Colocou dados que o Dieese levantou, em fevereiro/março, sobre a cesta básica. Neste levantamento, o Dieese explica que, para o trabalhador conseguir se manter e ter as garantias con(incon)tidas na Constituição Federal (artigo 7) que é o direito a saúde, moradia, lazer, educação, alimentação, trabalho e demais direitos, ele precisaria receber, por mês, cerca de R$ 1400,00. A equipe da Veja está atrasada, esqueceu de somar a inflação. Isso o povo já sabe. Não é novidade. O editor da revista diz ainda: “Mas seria demais esperar que os deputados, tão devotados a aparecer diante das câmeras de televisão declamando valores demagógicos para o mínimo, tivessem tentado, se não resolver, pelo menos entender a raiz do problema?” A revista chama os deputados de demagógicos e eu, cada vez mais, acredito que a revista Veja é demagógica. Utiliza um direito do povo de exigir que, pelo menos, seus direitos possam ser discutidos. Quanto mais se discute, maiores são as chances de melhorar a qualidade de vida da população. Digo mais uma vez: não importa como. Não importa o quanto é discutido. O que importa é que cada pessoa se conscientize de que o objetivo maior, de diversos meios de comunicação, é transformar-nos numa sociedade “burra” e “patética”, onde se possa “vender informação” à população de qualquer jeito e manter o povo na ignorância. Não podemos concordar com esse surto de “não discutir” a situação. Demagogia por demagogia quem acaba perdendo sempre é o trabalhador. Aquele que ganha um salário mínimo, ou menos ainda. E a Veja que me ‘perdoe’ – um trabalhador que ganha um salário mínimo não lê a revista, não lê jornal, não assiste tevê. Ele não tem dinheiro para isso. Seu salário é para cobrir gastos fundamentais para a sobrevivência da sua família. Esse trabalhador não acompanha o noticiário demagógico que diz para não discutir o aumento do seu salário. Ele só fica sabendo depois. Quando vai pegar o seu pagamento. Se não há possibilidades de ‘espetáculo demagógico’ como diz a revista, não há possibilidade de se lutar por algo melhor. E eu ainda perco tempo lendo
as inutilidades da Veja.
Paula Batista. http://ninguemereceisso.zip.net
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