| Há justiça?
Por Rolando Lazarte,
25 de agosto, 2004
“Não peças peras ao olmo”, reza um velho ditado espanhol. Um governo que obriga mais de dois terços da mão de obra brasileira a sobreviver com 260 reais, não iria ter dó dos aposentados. E não teve. Executivo, legislativo e judiciário, em bloco, atacaram o bolso dos aposentados do serviço público federal. Para quem não sabe, somos obrigados a pagar duas vezes pela mesma coisa. Isto, aqui e na China, tem um único e mesmo nome: é roubo. Pois é. As máximas autoridades no País nos confiscam aquilo que é nosso por direito: a nossa aposentadoria. Apostam na fraqueza do idoso, a quem deviam proteger. Alegam déficits na Previdência Social, que não fomos nós que provocamos. Em vez de auditoria para averiguar quem desviou o dinheiro público, o expediente do arbítrio: tirar de quem é mais fraco. Mais fraco, todos sabemos, é o imoral. O que covardemente distorce a lei e a constituição para beneficiar aos mais poderosos, entre os quais se conta. Não perdem por esperar. Pagaremos o preço de existir num sistema perverso. Mas esse sistema não é eterno. Não sabemos quanto tempo passará, mas a exploração, o roubo e a mentira irão acabar, não há dúvida. E pagarão suas culpas os traidores, os opressores, e os exploradores de todos os cunhos. Até lá, seguiremos a reclamar pelos nossos direitos. Na esperança de que ocorra no Brasil o que vêm ocorrendo já na Argentina: a substituição do judiciário imoral pela justiça popular. A condenação do político corrupto não pelos seus sócios no poder, mas pelo soberano: o povo nas ruas. Lá como cá, o direito e a justiça há de vir a ser a favor do mais fraco. O aposentado têm direito a uma vida digna que os marajás lhe negam. Negam-lhe o merecido lazer. Roubam-lhe a possibilidade de sustentar os seus filhos e netos. Há um tempo para todas as coisas, isso sabemos. Um povo têm paciência, mas tudo têm um limite. Possa o segmento decente do governo retificar o rumo perverso que lhe é imposto pelos interesses das classes dominantes. E um país que é
o espelho da América Latina será, como hoje a Venezuela,
orgulho do mundo.
Rolando
Lazarte,
Sociólogo (Doutor em Ciência) e membro do Grupo de Estudos
e Pesquisas em “Saúde e Sociedade” da UFPB, autor de Max Weber:
Ciência e Valores (São Paulo, Cortez Editora, 2001, 2ª
edição). Contato: elzarat@yahoo.com.br
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