| Aves de rapina e vampiros
sociais
Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa, 20 de dezembro, 2004 Lembram-se desta frase?: "Se as aves de rapina querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida". É do mais poderoso documento público da história do Brasil, a "Carta testamento" de Getulio. Hoje, mudou só o nome. O cinema e a televisão aposentaram as "aves de rapina" e trouxeram os "vampiros". A mesma coisa. Sangue em juros Todo mês, quando o Banco
Central (Meirelles e seus homens de ouro do Copom) aumenta os juros, é
absolutamente certo: logo aparecem os "vampiros sociais" dos banqueiros
(Maílson da Nóbrega, Raul Veloso, outros), definidos pelos
jornalões como "especialistas em contas públicas".
O aumento deste ano, de 16% para quase 18%, já somou R$ 8 bilhões. Os banqueiros, a serviço de quem Maílson, Raul e outros falam, temem que não haja dinheiro para pagar mais esse aumento e exigem cortes em tudo. Raul Veloso Agora, foi o Raul Veloso (Maílson deve estar em Washington, no FMI) que ganhou manchete de página inteira de "O Globo", protestando contra o salário mínimo, mínimo mesmo, de R$ 300, a correção ridícula de 10% na tabela do Imposto de Renda e o ressarcimento dos estados pela Lei Kandir: "Mais uma vez o lado fiscal (o lado dos banqueiros) parece ameaçado. E isso pode resultar em uma mudança de humor (!!!!) dos mercados em relação ao governo Lula, que está indo bem (pagando tudo aos banqueiros). Prevejo um gasto do governo de R$ 4 bilhões somente com o aumento real concedido ao salário mínimo. A perda da receita no Imposto de Renda é de R$ 2 bilhões. Com o ressarcimento da Lei Kandir, pode chegar a R$10 bilhões". Os "vampiros sociais" dos banqueiros,
a gente até entende. Vivem disso. Mas, por que os jornalões
não lembram que apenas 1% de aumento nos juros corresponde exatamente
aos R$ 4 bilhões que iriam para o aumento do salário mínimo?
E 2% dos últimos aumentos de juros pagariam as contas todas.
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