| Argentina dá a volta
por cima e desafia analistas
Do New York Times, publicado em O Globo de 27.12.2004 BUENOS AIRES. Quando a economia da Argentina entrou em colapso em dezembro de 2001 foi um desassossego. Na ocasião, o cenário econômico mundial se viu invadido por uma série de previsões sombrias sobre o futuro do país. Os analistas foram taxativos: a não ser que o governo argentino adotasse políticas econômicas ortodoxas e rapidamente entrasse em acordo com credores estrangeiros, uma onda hiperinflacionária iria varrer o país; o peso se tornaria sem valor; os investimentos e as reservas estrangeiras desapareceriam; e qualquer pretensão de crescimento estaria fadada ao infortúnio. No entanto, três anos depois de a Argentina ter declarado um calote de mais de US$ 100 bilhões, o maior da História, o apocalipse não aconteceu. Em vez disso, a economia cresceu 8% dois anos seguidos; as exportações saltaram; a moeda permanece estável; os investidores estão aos poucos retornando; e o desemprego recuou das altas recordes. Tudo isso sem que um acordo sobre a dívida, dentro dos padrões convencionais exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), fosse alcançado. A recuperação da Argentina é inquestionável e foi obtida pelo menos em parte graças a uma postura de ignorar e até mesmo desafiar a ortodoxia política e econômica. Em vez de se apressar e imediatamente satisfazer os detentores de bônus, bancos privados e o FMI — como fizeram outros países latino-americanos em crises menos graves — o governo peronista preferiu estimular primeiramente o consumo interno e dizer aos credores que pegassem uma senha e entrassem na fila. — Isto é um evento histórico, que desafia 25 anos de políticas ineficientes — diz Mark Weisbrot, economista do Centro de Pesquisa Econômica e Política, um grupo independente de Washington. A guinada pode ser vista nas estatísticas do governo e nas lojas, onde os consumidores gastaram pesadamente antes do Natal. Mais de dois milhões de empregos foram criados desde o auge da crise, no início de 2002. Além disso, segundo estatísticas oficiais, a renda também cresceu, retornando praticamente ao mesmo patamar do fim dos anos 90. Fontes: O Globo; New York Times
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