Para deputada, crimes contra o MST são planejados nacionalmente
Sizan Luis, 25 de novembro, 2004

A deputada federal Luci Choinacki (PT/SC) levantou a suspeita de que os crimes contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais estão sendo coordenados em todo o país. A afirmação foi feita na Comissão Parlamentar Mista da Terra, ocorrida nesta quinta-feira, 25. Desde o último final de semana ocorreram vários ataques aos trabalhadores rurais sem terra. Em Minas Gerais, cinco foram assassinados; em Pernambuco, duas lideranças do movimento estão desaparecidas; no Mato Grosso do Sul, um acampamento foi alvejado por pistoleiros.

“Estas ações, todas no mesmo final de semana, nos fazem suspeitar de ações planejadas por aqueles que não querem a reforma agrária e coincide com dados desfavoráveis ao agronegócio. Há uma máfia criminosa agindo contra o MST”, afirmou. No último mês, quando todos os setores da economia registraram aumento nas vagas de emprego, o agronegócio fechou 16 mil vagas.

A deputada Luci, uma das fundadoras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, disse que o debate em torno da reforma agrária é ideológico, por que tem relação com os modelo agrícola e econômico que se quer para o país.

“Todo mundo apoia a reforma agrária, desde que não mexa no seu latifúndio”, rebateu ela para contestar o deputado Luis Carlos Heinze (PP/RS), que se disse defensor da reforma agrária. A frase é do escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo. O deputado da bancada ruralista criticou o presidente do INCRA, Rolf Hackbart, que defendeu a reforma agrária e condenou o agronegócio. O ruralista desse que a atitude de Hackbart instiga a violência no campo.

“Em SC, o MST apreendeu armas exclusivas do Exército na sede de uma fazenda, em Abelardo Luz. Os mortos da violência no campo são trabalhadores sem terra. Então, quem usa da desobediência à lei e da violência?”, questionou a deputada.

A deputada Luci solidarizou-se com a posição do presidente do INCRA e cobrou uma ação mais enérgica do poder judiciário nos crimes contra os trabalhadores sem terra e no cumprimento da função social da terra, previsto na Constituição Federal. “Os trabalhadores que estão na luta pela reforma agrária não querem só um pedaço de terra. Querem dignidade e cidadania”.

Fazendeiro é o principal suspeito

O Secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Nilmário Miranda, convidado à reunião, afirmou que a Polícia Federal e as Polícias Civil e Militar de Minas Gerais estão investigando juntas o assassinato dos trabalhadores rurais sem terra em Minas Gerais. O secretário defendeu a federalização destes crimes.

Em MG, os sem terra ocupam uma área pública desde o ano 2002, invadida pelo fazendeiro Adriano Chafic e que está em disputa judicial. A reintegração de posse ao fazendeiro foi negada pelo judiciário. Miranda esteve no local no dia seguinte ao ataque e apontou Chafic como o principal suspeito de ser o mandante do crime.

Alguns indícios são o fato de seu sobrinho ter coordenado pessoalmente o ataque aos sem terra, o veículo usado pelos 13 pistoleiros ser de propriedade do fazendeiro, a compra e o transporte de 13 colchões para a sede da fazenda pelo próprio fazendeiro e a participação de um único pistoleiro encapuzado no grupo, na hora do ataque aos sem terra.

Questão Agrária | Brasil


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