Uma caixinha de surpresas... 
Thiago Visconti, 22 de outubro, 2004

Esse mundo é mesmo surpreendente. O interessante é como nós mesmos nos surpreendemos com nós mesmos. No primeiro turno das eleições municipais de Niterói (RJ) cravei 12, João Sampaio, na urna eletrônica. Em nenhum momento hesitei, mesmo sabendo que ele estava fora da disputa, sequer para um segundo turno. Aliás, já sabia inclusive para quem votar no segundo turno: Godofredo Pinto. Simplesmente para evitar Moreira Franco como prefeito dessa cidade tantos anos depois de sua retrógrada passagem pelo cargo.

Foi aí que veio a primeira surpresa. Não, João não passou para o segundo turno. Ou melhor, passou sim, mas não pelas urnas. O candidato Moreira Franco desistiu, numa manobra política estranha, para não dizer inusitada, de concorrer no segundo turno com o candidato do PT. Ele alegou que com a votação expressiva do atual prefeito (48%) a cidade estava satisfeita com sua administração. Dessa maneira, João estava automaticamente no segundo turno. Claro, se o pedetista aceitasse, uma vez que ele já articulava uma aliança para o segundo turno com Godofredo.

Aí então veio a segunda surpresa. Ele aceitou a disputa e, para meu espanto (e do Brizola, que Deus o tenha, também), o candidato do PDT está recebendo apoio declarado da dupla governadora do Estado, Rosinha e Garotinho, com os quais não tenho o menor afeto político. Foi aí que me deparei com o problema. O meu candidato ideal já não tinha mais ideais, ou, pelo menos, não mais os mesmos ideais. Já era, então, um ex-candidato.

Eu que jamais imaginei, nem sequer acreditei, que alguém mudasse seu voto de primeiro turno no segundo turno com seu candidato se classificando, hesitei pela primeira vez e pensei nessa histórica possibilidade. O problema maior é que só votaria no Godofredo no segundo turno para evitar o Moreira (naturalmente o governo do atual prefeito não me agradara). Mas o fato era que Moreira já não estava lá. Portanto, não tinha porque votar no petista. Nem no João.

Agora, a poucos dias das eleições, se ninguém desistir novamente, confesso minha indecisão e cogito a anulação de meu voto. Engraçada essa tal de política. Ia votar em um, mas aceitaria o outro para evitar perdas maiores e agora que estão os dois lá, no segundo turno, vou anular o voto.

Nada contra as surpresas nem reviravoltas. Mas que elas são engraçadas elas são.
 

Thiago Visconti é estudante da UFRJ. Contato: villelavisconti@ig.com.br

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