Biscaia: denúncia contra Antero explicaria atraso na CPI
Da redação, 16 de setembro, 2004

O deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) afirmou ontem ter sido surpreendido pelas notícias vinculando o comitê de campanha do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da CPI (comissão parlamentar de inquérito) do Banestado, ao recebimento de cheques de empresas de João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, preso no Uruguai por envolvimento em diversas atividades ilícitas, especialmente contrabando, narcotráfico e lavagem de dinheiro. Biscaia defendeu, em plenário, a continuidade dos trabalhos da CPI. "Temos de defender uma investigação rigorosa sem interferência política", disse.

Segundo o deputado, há mais de dois meses o plenário aprovou a realização de diligência no Uruguai para a intimação de Arcanjo Ribeiro. "Nada disso foi concretizado e as razões poderiam ser talvez explicáveis. E hoje (15/9) fui surpreendido por notícia veiculada pelo jornal O Globo que talvez explique a demora no cumprimento da diligência e da tomada de depoimento do Comendador Arcanjo", afirmou.

No último dia 26 de agosto, o deputado já havia manifestado, em plenário, seu estranhamento pelo fato de ainda não ter sido encaminhada ao Ministério da Justiça a carta rogatória que intima para depoimento Arcanjo Ribeiro, apesar de aprovada no plenário da CPI no dia 8 de julho.

"Não duvidava de que o depoimento do Comendador Arcanjo seria muito elucidativo e possibilitaria que a CPI do Banestado avançasse em suas investigações. Mas, por incrível que pareça, esse encaminhamento não foi feito até a presente data", completou.

A matéria d'O Globo aponta que o comitê da campanha de Antero para o governo de Mato Grosso em 2002 recebeu seis cheques no valor total de R$ 211,6 mil da Vip Fomento Mercantil, uma das empresas de Arcanjo Ribeiro. Segundo o texto, a Vip emitiu, em 8 de agosto de 2002, três cheques em favor do comitê de Antero, com valores de R$ 62,6 mil, R$ 60 mil e R$ 55,4 mil. Outros três cheques, de valores entre R$ 16,6 mil e R$ 1,5 mil, foram assinados no dia 12 e no dia 23 do mesmo mês.

"Não se pode admitir que uma CPMI, que tem por objetivo apurar a remessa ilegal para o exterior de quantias que alcançam US$ 30 bilhões por intermédio de contas CC5 (mantidas por não-residentes), seja utilizada politicamente no mau sentido", afirmou Biscaia. (com Agência Informes)
 

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