Maquiavel e o Antimaquiavelismo I

Maquiavel e seu Tempo

Por Jair Galvão*
         Maquiavel nasceu em 3 de maio de 1469, período em que na Itália renascentista a instabilidade política parecia algo normal aos Estados que a compunham.

         A península Itálica constituia-se por uma cadeia de pequenos Estados completamente independentes entre si. Essa configuração geográfica e política era palco de constantes conflitos internos e de invasões por forças estrangeiras. Segundo Maria Tereza Sadek, “neste cenário conturbado, no qual a maior parte dos governantes não conseguia se manter no poder por um período superior a dois meses, Maquiavel passou sua infância e adolescência. Sua família não era nem aristocrática nem rica. Seu pai, advogado, como um típico renascentista, era estudioso das humanidades, tendo se empenhado em transmitir uma aprimorada educação clássica para seu filho. Dessa forma, com orgulho, noticiava a um amigo que Nicolau, com apenas 12 anos, já redigia no melhor estilo em latim, dominando a retórica greco-romana” (SADEK, 2003, p. 15).

         Mas é só em 1498, já contando 29 anos de idade, que Maquiavel assume um cargo importante no governo Florentino, como segundo chanceler. Posto ocupado por Maquiavel na república florentina após a queda de Savonarola. De acordo com Sadek, “nessa atividade, cumpri uma série de missões, tanto fora da Itália como internamente, destacando-se sua diligência em instalar uma milícia nacional” (SADEK, 2003, p. 15). 

         A carreira diplomática de Maquiavel, embora rica, é bastante curta. Com o retorno dos Médicis ao poder e a dissolução da república, Maquiavel não só perde o posto de chanceler, como é condenado a prisão, entre outras sanções. Com a ascensão de Giordano de Médici ao posto máximo da hierarquia católica em 1513, a cidade que antes hostilizava os Médicis, agora lhe rendia homenagens. Nesse novo contexto político Maquiavel tenta a princípio sua libertação e posteriormente, retomar seu antigo posto. Em suas aspirações, Maquiavel só é atendido na primeira, mesmo assim de forma parcial, saindo da prisão para o exílio, ainda que em sua propriedade, herdada de seus antepassados. Em seu retiro forçado estuda os clássicos e produz sua mais famosa obra, O Príncipe. Com esta obra, que dedica a Lourenço de Médici, mais uma vez tenta retornar a vida pública, não obtendo sucesso. Em 1527 com a queda dos Médicis e a restauração da república, reacendem-se as esperanças, que mais uma vez são frustradas, já que os republicanos o associam aos Médicis.

         O clima politicamente conturbado em que vivia Maquiavel lhe fez perceber que o caos prenunciava a luz. Fato constatado na sua análise sobre a república Romana, na introdução do capítulo IV dos Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, no qual afirma que “a desunião entre o povo e o senado de Roma foi a causa da grandeza e da liberdade da república” MAQUIAVEL, N. Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio. In  WEFFORT,  Francisco  C. Os Clássicos da Política. 13ª. Ed. São Paulo: Editora Ática, 2003.

         Neste clima, Maquiavel nem escreveu para os monarquistas nem para os republicanos, mas para aqueles que pudessem dar centralidade política à Itália de seu tempo. E, neste caso, tanto para os monarquistas, quanto para os republicanos, ele próprio podia contribuir com suas idéias, como o fizera em suas principais obras, o Príncipe e os Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio.
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • CHAUÍ, M.  O Que é Ideologia.  2ª. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.
  • MAGALHÃES, F.  Maquiavel, a Ética e a Modernidade Brasileira.  Perspectiva Filosófica.  Recife, 1993,  nº 03,  p. 08-37, jul/dez.
  • MAQUIAVEL N.  Maquiavel – Vida e Obra.   São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores).
  • WEFFORT, Francisco C (Org.).  Os Clássicos da Política.  13ª. Ed. São Paulo: Àtica, 2003. Vol 1.


*Jair Galvão, Professor de História da rede estadual de educação de Pernambuco, especialista em História do Nordeste e aluno especial do Mestrado em Ciências Política da UFPE. Contato: jjairgalvao[arroba]ig.com.br
 
 

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