Uma voz que não se cala
Da redação, 29 de agosto, 2004

Uma forma de protesto diante da política econômica neoliberal, que concentra a riqueza e renda e condena milhões à exclusão social, e ao mesmo tempo, um espaço de construção coletiva de alternativas. É assim que Ari Alberti, integrante da Secretaria Nacional do “Grito dos Excluídos” e da Pastoral dos Migrantes em São Paulo, define a 10a edição do evento. Ocorrendo em mais de 2 mil localidades em todo o Brasil, está sendo esperada para este ano a participação de 1,5 milhão de pessoas, num só grito: “mudança para valer o povo faz acontecer”. Leia a seguir entrevista exclusiva com Ari Alberti.

Qual a idéia central do evento Grito dos Excluídos?

Ari Alberti. A idéia do Grito dos Excluídos teve início no final de 1994, com a avaliação da 2ª Semana Social Brasileira. No ano seguinte, 1995, a Campanha da Fraternidade da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) refletiu sobre o tema da exclusão social. Dando continuidade aos debates, o Setor Pastoral Social da CNBB, em parceria com numerosas entidades, movimentos, associações e organizações de base, promoveu no dia 07 de setembro uma série de manifestações denominada Grito dos Excluídos, em razão do tema da Campanha da Fraternidade.

O Grito reúne Pastorais Sociais, Semana Social Brasileira, Movimentos Populares, Social e Sindical, Campanha Jubileu, Grito Continental, Igrejas, Mutirão contra a Miséria e a Fome, Coordenação dos Movimentos Sociais. Tem como eixo central a questão da soberania nacional e constitui-se num espaço, sempre aberto, para o protagonismo dos excluídos. Em resumo, o Grito é uma forma de protesto diante da política econômica neoliberal, que concentra a riqueza e renda e condena milhões à exclusão social, e ao mesmo tempo, um espaço de construção coletiva de alternativas.

Qual a dimensão do evento este ano?

Ari Alberti. O tema deste ano é “Brasil: mudança para valer o povo faz acontecer”, que revela a necessidade de mudanças de rumo na política econômica brasileira, bem como a necessidade da participação de todos. A sociedade civil tem o dever de votar e fiscalizar seus governantes, pois as mudanças só virão com essa participação efetiva. O Grito reivindica uma política econômica voltada paras as necessidades vitais da população mais excluída; que a água seja considerada patrimônio da humanidade; que todos os recursos vitais à preservação da biodiversidade sejam defendidos por nações soberanas e autônomas.

Outra indicação é que o Brasil fique fora da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e que reveja seus acordos com o FMI e deixe de pagar os juros da dívida externa até que não se faça uma auditoria pública da mesma; que seja feita a Reforma Agrária e abertura de novos postos de trabalho, bem como implementação de políticas públicas que possam melhorar os serviços de saúde, educação, transporte, etc.

Quantos estados o Grito deve alcançar?

Ari Alberti. O Grito dos Excluídos não é um evento centralizado, pois acontece em todos os Estados do Brasil, no dia 7 de setembro, em mais de 2.000 localidades. São celebrações, teatros, feiras, passeatas, atos públicos, panfletagem, participação nos desfiles oficiais, que priorizam sempre a simbologia e a criatividade que é uma linguagem de inclusão. No momento os locais vivem o processo de preparação para a pauta do dia 7 de setembro.

Para o dia 2 de setembro está prevista a realização de entrevista coletiva nos vários estados sobre o 10º Grito e o lançamento do livro-reportagem dos dez anos do Grito dos Excluídos. A participação vem crescendo de ano a ano. No ano passado tivemos mais de 1,5 milhão de pessoas participando em todo o país. A perspectiva é que este número aumente agora em 2004.
 

Serviço

Em Recife/PE, foram produzidas 2 mil cartilhas para ajudar as reflexões. No dia 7, o Grito começa junto ao espelho d´água, em frente à Celpe. A caminhada será puxada por dez jovens em pernas de pau, carregando os dez lemas do Grito, desde 1995. Haverá lavagem das escadarias do Palácio da Justiça.

No Pará, o Grito vai ecoar em 27 municípios, além da capital, Belém. A novidade deste ano é o Teatro do Oprimido que circulará as periferias na realização dos pré-Gritos, sempre incentivando o protagonismo dos excluídos.

Em Porto Alegre/RS, é forte a participação popular presente bem como cresce o numero de entidades envolvidas na construção do 10º Grito. No dia 2 de setembro haverá entrevista coletiva e uma plenária para o lançamento do livro-reportagem do Grito.

Em São Luiz/MA, no dia 7 de setembro, o Grito vai acontecer na periferia, na Vila Luizão. Haverá uma caminhada de 4 quilômetros com a celebração itinerante e muita animação. No encerramento haverá apresentações culturais: teatro, música, hip-hop. A partilha da água será o gesto de comunhão. É o Grito retomando com força a sua trajetória.

Depoimento

"Uma voz que não se cala"

"O projeto popular de um Brasil que a gente quer não nascerá de uma fórmula de laboratório, feito por intelectuais iluminados, mas das experiências e lutas do povo. Por isso, o lema do 10º Grito é um convite para que a galera desça das arquibancadas e participe do jogo da mudança. O novo projeto tem que privilegiar a vida, a superação das desigualdades e respeito à dignidade humana".
 

Por Gustavo Barreto, 29 de agosto, 2004. Entre em contato com a organização do “Grito dos Excluídos”: gritonacional@ig.com.br
 
 


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