Leonel Brizola, líder trabalhista

Morreu esta noite, 21 de junho de 2004, aos 82 anos, o ex-governador do Rio e presidente nacional do PDT Leonel Brizola, vítima de insuficiência respiratória, no Hospital São Lucas, em Copacabana.

Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, perto de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Filho de família de pequenos lavradores, iniciou a carreira política em 1945, quando ingressou no PTB ao lado de um grupo de sindicalistas gaúchos.

Órfão de pai que morreu na Revolução Federalista de 1923, Brizola era viúvo de Neusa Goulart, irmã do ex-presidente João Goulart. Eleito deputado federal pela primeira vez em 1954, Brizola tornara-se ferrenho opositor de Carlos Lacerda, principal adversário do ex-presidente Getúlio Vargas. Em 1955, elegeu-se prefeito de Porto Alegre e, em 1958, governador do Rio Grande do Sul.

Com ampla projeção nacional, elege-se novamente deputado federal pelo então Estado da Guanabara, em 1962, com 300 mil votos, a maior votação obtida até então por um parlamentar na história brasileira.

Em 1964, foi cassado pelo golpe militar e exilou-se no Uruguai, até 1979, quando voltou ao Brasil. Em 1981 fundou o PDT, partido pelo qual foi eleito governador do Estado do Rio duas vezes. Morreu sem conseguir realizar seu maior sonho: Ser presidente do Brasil. Derrotado em 1989 e em 1994, havia anunciado, há cerca de um mês, sua candidatura em 2006. Deixa três filhos.

Os dados foram coletados do Jornal do Brasil. Veja vídeo com mais informações na GloboNews.

Leia um de seus últimos textos:

O epitáfio da esperança

"Escrevo horas antes da votação, pela Câmara dos Deputados, do vergonhoso salário mínimo de R$ 260 proposto por Lula. Será surpresa se ocorrer o improvável e a maioria dos parlamentares não se curvar às pressões do Planalto, que ameaça retaliar e punir aqules que, ao contrário do Presidente, honrem seus compromissos com os eleitores.

Seja como for, esta decisão sobre o salário mínimo é uma espécie de epitáfio sobre as esperanças que o nosso povo trabalhador depositou em Lula. As desculpas esfarrapadas que o governo e ele próprio apresentam, mais que soar falso, quando produzem superávits recordes para pagar juros, tem um conteúdo de crueldade e cinismo que anda fica a dever à infame época da ditadura, quando afirmavam que era preciso fazer o bolo crescer para, só depois, reparti-lo com o povo. Aliás, é ainda pior. Lula, ao contrário de Delfim Netto, sabe na própria carne o que é receber um salário de fome.

O salário mínimo que Getúlio Vargas criou como garantia de que o trabalhador tivesse ao menos o essencial para sobreviver equivalia a mais de R$ 800 em moeda atual. A ditadura, em 20 anos, reduziu-o à metade. Ainda assim, em valor real, passava de R$ 400. Agora um presidente operário fixa um salário de R$ 260 leva o país ao maior desemprego da história. O povo brasileiro não merecia tamanha frustração. Que os que traíram o voto e as esperanças da Nação não se iludam: logo mais cedo do que pensam, a população vai demonstrar o quanto despreza os que agem assim."
.

Leonel Brizola, 06/05/2004
Pesquisa de Raquel Moraes. Leia mais
.
Leia sobre a trajetória de Leonel Brizola

Leia o especial da Folha Online

Sem aspas, desta vez

Depois daquela eleição presidencial em que ele chegou atrás do Enéas, fiz uma charge para o “Jornal do Brasil” que era assim: uma multidão em torno da sepultura do Brizola recém-enterrado, e no meio da multidão, sorrindo, o próprio Brizola...Verissimo, 24/06

O outro golpe que Brizola evitou

O primeiro golpe que Leonel Brizola evitou foi o de 1961. O segundo foi a tentativa de golpe nas eleições para governador do Rio, em 1982. Tentaram tomar a eleição dele no tapetão. E, agora, trama-se um golpe dentro do golpe. O jornal "O Globo" e a "TV Globo" faziam parte desse golpe. E, no elogio fúnebre de Brizola, a Globo dá uma versão imprecisa dos acontecimentos...Paulo Henrique Amorim, UOL News, 23/06

Corpo de Brizola é velado no palácio que ele defendeu de golpe

Na chegada à sede do governo do Rio Grande do Sul, palco da resistência legalista comandada pelo então governador, em 1962, cantores gaúchos apresentaram músicas tradicionais...Agência Brasil, 23/06

MST reconhece legado de Brizola

Uma faixa com os dizeres "Nosso reconhecimento à luta histórica de Brizola: nacionalismo, educação e reforma agrária" foi estendida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em frente à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. A faixa está no local onde prossegue o jejum em protesto contra a lentidão na construção de novos assentamentos no Estado. Hoje à tarde, por volta das 16hs, um pequeno grupo de trabalhadores rurais deverá prestar uma homenagem a Brizola, durante o velório no Palácio Piratini...da redação, 23/6

Leonel Brizola na Redação do GLOBO

Rodolfo Fernandes, diretor de Redação. O político Leonel Brizola pode ter sido marcado, como protagonista ou vítima, pelos momentos de radicalização que o Brasil viveu no período do pós-guerra e até a redemocratização em 1985. Mas, pessoalmente, Brizola era gentil, afável e educado. Foram estas características que ficaram marcadas na última grande entrevista que deu ao GLOBO, publicada em setembro de 2002, fruto de uma visita à Redação do jornal, onde foi recebido num longo almoço — não havia conversas curtas com ele. A entrevista foi dura com os adversários; o almoço, ameno e agradável...O Globo, 23/06

PT divulga nota de pesar pela morte de Brizola

O Partido dos Trabalhadores manifesta publicamente seu pesar pela morte de Leonel Brizola. Tratou-se de um líder político que marcou a história do Brasil na segunda metade do século XX e no alvorecer do século XXI. Coerente com seus princípios e contundente em suas lutas influenciou toda uma geração de políticos e de militantes e ativistas. Como governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro deixou realizações administrativas consagradas na história desses Estados. Sua participação na vida política foi marcada pela mais profunda vocação, orientada por um inquestionável compromisso com as causas populares.

O PT e Brizola estiveram juntos em muitos momentos e em muitas lutas. Nessas caminhadas comuns aprendemos a admirá-lo. Divergimos em outros e nunca deixamos de respeitá-lo pela firmeza com que conduzia seus pontos de vista. Homem de espírito público, Brizola, sem dúvida, teve sua carreira política e sua liderança prejudicadas pelo regime militar e pelo exílio. Com sua morte, o Brasil perde um dos seus mais importantes líderes políticos dos últimos 50 anos.

José Genoino, Presidente nacional do PT - São Paulo, 21 de julho de 2004
 

Leia mais sobre o salário mínimo
 

Brasil


Busca no site | Café da Manhã | Principal..Consciência.Net


Publicidade

.