| Juventude
perdida
Gustavo Barreto, 5 de julho, 2004 Lamentável a agressão covarde do líder da banda Charlie Brown Jr., Chorão, no vocalista do Los Hermanos, Marcelo Camelo. Isto teria ocorrido porque Marcelo havia falado mal dele numa entrevista concedida à revista Oi do mês passado. Para piorar, serviu de incentivo para uma outra briga, desta vez entre os fãs. Chamo de 'covarde' com tranqüilidade, pois tive a oportunidade de entrevistar Camelo em uma conversa extremamente esclarecedora e estar próximo a Chorão por todo um show, durante o festival de Alegre, no Espírito Santo. O cantor Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como Chorão, é uma pessoa desequilibrada e em geral está pouco consciente do que faz, pelo menos quando aparece em público (que é quando nós, o público, podemos vê-lo). Em público é que se dá o exemplo. Mesmo as músicas "engajadas" da banda não me enganam. Em uma delas diz que a "juventude não tem voz" ou algo como "o jovem não é levado a sério". Pelo visto, por esta injustiça, a saída é dar cabeçada em quem consegue esta voz pelo simples fato de possuir idéias dentro da cabeça. Talvez seja mesmo um retrato fiel de boa parte da nossa juventude, que só sabe usar a cabeça para dar cabeçadas. E aí você fica ouvindo os relatos vivos da resistência heróica dos jovens da geração de 64 e se pergunta se não nasceu no tempo errado. A letargia angustiante desta importante força transformadora que é a juventude faz mal ao estômago e desestimula um pouco a luta diária que tanto este país desigual e injusto precisa. Leia as notas de esclarecimento
sobre a briga no aeroporto de Fortaleza e no avião para Teresina
(PI) do CBJR
e do Los
Hermanos.
Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net), colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), estudante de Comunicação Social da UFRJ e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Inciação Científica (PIBIC) pela ECO/UFRJ
Jornalismo Propositivo
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