Primeiro debate eleitoral
Gustavo Barreto, 1o de julho, 2004

Aconteceu na Rede Globo hoje (1/7) o primeiro debate com os candidatos à prefeitura do Rio. Se não me engano, Marcelo Crivella e Jandira Feghali foram os que mais se destacaram, sem julgar aqui suas carreiras políticas.

Falando em julgamento, Cesar Maia fechou sua apresentação (é um artista) dizendo: "quem julga é Deus, em primeiro lugar, com a licença do senador Crivella". Um artista.

E o Tribunal Regional Eleitoral? É ali que o povo vai julgar. Se for para o segundo turno, Maia não sustenta a "fama" (de onde veio?) de bom administrador.

Números, números, números

Maia, aliás, só sabe mentir e se esconder atrás dos números. Cita-os sem parar. Ninguém entende nada. "471.561 mil". Quem se importa? Jandira Feghali repetiu duas vezes: "As pessoas são pessoas, não números". Crivella foi no mesmo sentido.

Bittar, coitado, já perdeu. "Eu sou amigo do presidente Lula", se desespera. Totalmente perdido, vai perder feio e prejudicar a candidata de esquerda, Jandira.

Ninguém sabe, ninguém viu

Conde, outro mentiroso. Em determinado momento o vice-governador diz: "O dinheiro gasto com publicidade poderia ser gasto na saúde". Logo quem. Sua governadora Rosinha Matheus (PMDB) aumentou em 2.025% o gasto com publicidade em seu primeiro ano de mandato. Por "saúde" eles entendem "farmácia popular". Ou seja, remédio e assistencialismo. Esquecem a prevenção, muito mais barata. Um acinte aos médicos, mas a máfia farmacêutica aplaude.

Enquanto isso, de janeiro a outubro de 2003, o déficit orçamentário do Estado chegou a R$ 1 bilhão, e o déficit previdenciário, R$ 2,5 bilhões. Se conseguirem a prefeitura, prometem quebrar também o caixa da cidade. "Vamos oferecer ônibus a um real", diz Conde. Vão quebrar tudo no Rio, mais dez anos de prefeitura com governantes culpando a "herança maldita".

Bom comunicador talvez

Seu ex-aliado e atual prefeito, o "bom administrador", gasta 600 vezes menos o que deveria com o Programa de Assistência Social para População de Rua. A previsão de gastos para este ano aumentou 897%, enquanto despesas com população de rua e dengue foram reduzidas.

Daí para o fechamento de centros de atenção ao dependente químico e ao menor abandonado é um pulo. "Sou um bom administrador". Um artista.

Números, números, educação se sobrar

Constatação antiga: não é apenas de números robustos que vive a educação municipal. Os dados frios escondem dois problemas: distribuição mal feita de vagas (com ônus para regiões populares como a Zona Oeste e a Leopoldina) e qualidade que não permite o correto aprendizado e forma analfabetos funcionais. Muitas creches, ainda por cima, estão fechando.

O que diz Cesar Maia? Números, números, números. “Não adianta fabricar dados, porque não vai passar. É típico desse gestor criar uma aura de conhecimento, com dados que não são reais”, disse Jandira ontem (30/06).

A máfia citada

Na questão dos transportes, Jandira foi corajosa e citou nominalmente os dois mafiosos que comandam o tema no Rio: Amaury de Andrade e Jacó Barata. Vivem da famosa e igualmente citada "indústria do engarrafamento". Estão em sintonia com a atual prefeitura.

"É uma mentalidade rodoviária", critica. Faz menção ao transporte aquaviário, esquecido.

Mulheres como "nicho eleitoral"

O Bittar, lá no meio, levantou a questão da mulher. Conde se enrolou feio, quem viu viu. "Homens e mulheres são coisas importantes". Um pouco antes, querendo ser simpático: "Eu tive muitas secretárias e me dou muito bem com as mulheres". A pergunta era sobre as propostas para a questão feminina.

O própria Bittar segue tática do PT federal, que em 2002 começou uma campanha rosa. "São mais de 50% do eleitorado", repetem os petistas em todos os lugares. Em grande parte oportunismo. A única candidata não foi ouvida, reconhecida nesta área por todos.

Debate representativo

Estavam não apenas nomes, mas os representantes das diversas "facções" (nas palavras de Conde), cada um trazendo a força de uma corrente política. Maia, Conde e Bittar representam o atrasado, o conservador, aquilo que o carioca não agüenta mais. A origem de boa parte de nossos problemas.

Cada um com seus retrocessos, mas todos retrocessos. Assistencialismo, práticas eleitoreiras, ausência de humanismo e arrogância. Jandira e Crivella possuem boas propostas (pelo que parece), mas são uma incógnita.

Onde está e onde deve ficar o poder

É sempre bom ficar de olho no artigo 5o da Constituição Federal, que lembra o caráter laico da nossa República e diz ser "inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos". Em um Rio cujo poder dos diversos grupos religiosos é muito grande, cabe não misturar o que já foi há muito separado.

Antes de votar, atente para os partidos da coligação e para o vice. Esta observação é essencial porque, uma vez no poder, o candidato terá de indicar nomes para as secretarias. E reside aí boa parte das responsabilidades do executivo municipal.

Está confirmado: um deles vai entrar. Informe-se, portanto, para não fazer feio e cobre ações durante toda a legislatura.

ERRAMOS
Ao contrário do que havíamos publicado, Amaury de Andrade não é ligado ao PSDB.

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Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net), colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), estudante de Comunicação Social da UFRJ e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Inciação Científica (PIBIC) pela ECO/UFRJ


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