Guerra na CPI do Banestado
Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, junho de 2004

Vai pegar fogo a reunião da CPI do Banestado, convocada para hoje. O clima entre o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), e o relator, deputado José Mentor (PT-SP), é o pior possível. Eles já vêm se estranhando há muito tempo, mas a temperatura subiu muito nos últimos dias.

A crise atingiu o auge na quarta-feira, quando foi convocada uma reunião extraordinária pelo relator, à revelia do presidente. Revoltado, Paes de Barros acusou José Mentor de estar a serviço do ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil, dizendo que os parlamentares signatários da convocação também estariam integrados à tentativa do governo de atrapalhar investigações da CPI contra Paulo Maluf e o BankBoston. E indeferiu a reunião, ordenando que os seguranças retirassem da sala os funcionários do Senado.

Vários senadores já estavam chegando à CPI, para dar início à sessão, e os ânimos ficaram cada vez mais exaltados. O senador Sibá Machado (PT-AC) defendeu o relator e disse que o episódio poderia ter-se tornado o ato mais indigesto da história do Senado, se os seguranças, além de retirarem os funcionários do Congresso da sala da CPI, tentassem obrigar algum parlamentar a sair. "Se isso tivesse acontecido, eu me sentiria obrigado a arrebentar a porta", ameaçou Machado. E é nesse clima que a CPI volta a se reunir hoje.

Paralisia
Referindo-se ao deputado José Mentor, o senador Paes de Barros denuncia que "as investigações mais importantes estão sendo paralisadas por ação do parlamentar indicado pelo senhor José Dirceu para a relatoria da CPI".

Sentado em cima
O presidente da CPI não deixa de ter toda razão. Desde outubro está aprovada a convocação de diversas personalidades envolvidas na remessa ilegal de divisas pelas contas CC-5, como o ex-prefeito Paulo Maluf, mas o relator Mentor sentou em cima dos pedidos.

BankBoston
A investigação mais importante também está suspensa. A CPI aprovou em outubro um requerimento ao Banco Central, pedindo a documentação da auditoria movida contra Henrique Meirelles, à época em que ele presidia o Bankboston e foi acusado pelos técnicos do BC de ter fabricado prejuízo irreal, sonegado propositadamente Imposto de Renda e remetido divisas ilegalmente para o exterior. Oito meses depois, a CPI até agora não enviou o requerimento ao Banco Central pedindo os documentos da auditoria.

Perguntas
O procedimento do relator José Mentor é incrível, fantástico, extraordinário. Por que ele não requisita logo os documentos sobre o Bankboston? Não percebe que pode estar acobertando um possível criminoso do colarinho branco (e punhos de renda) que tomou de assalto o Banco Central e hoje literalmente comanda a economia brasileira, fixando os juros que bem entende? O relator não entende o serviço que prestaria ao País, ao PT e ao próprio presidente Lula se desmascarasse Meirelles?

Fim da picada
O presidente da CPI, Paes de Barros, atirou no que viu e acertou no que não viu. Achar que o ministro Dirceu está querendo proteger Henrique Meirelles é o fim da picada. Dirceu, justiça lhe seja feita, é o único ministro que enfrenta o poder despótico do presidente do Banco Central. A acusação de Paes de Barros é ridícula.

Malufada
Na reunião de hoje, se não sair briga, o ex-prefeito Paulo Maluf será finalmente convocado a depor na CPI do Banestado. Segundo o senador Paes de Barros, a convocação de Maluf à CPI foi requerida no dia 5 de agosto do ano passado, mas teria sido engavetada pelo relator José Mentor, sob a alegação de que, antes, ele queria receber a documentação do Ministério Público e da Justiça de São Paulo sobre o ex-prefeito de São Paulo...Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 18/06

Banestado I
Por falta de quorum, foi adiada para as 21h da próxima terça-feira a ansiada reunião que seria realizada ontem na CPI do Banestado. O presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), ainda tentou abrir a reunião, mas o relator da CPI, deputado José Mentor (PT-SP), contestou a decisão, sob argumento de que não havia a presença de um terço dos integrantes da CPI. O senador decidiu então convocar nova reunião para terça-feira.

Banestado II
Com o adiamento da reunião da CPI do Banestado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ganha mais uns dias de bonificação. O mais importante assunto a ser discutido pela CPI é a requisição dos documentos do inquérito aberto pelo próprio Banco Central contra Meirelles, quando ele era presidente do BankBoston e foi acusado de forjar prejuízo contábil, sonegar Imposto de Renda e remeter divisas ilegalmente para o exterior, através de contas CC-5. Meirelles não perde por esperar...Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 19/06

Banestado I
A CPI do Banestado reuné-se amanhã para definir se vai ou se fica. O deputado Dimas Ramalho (PPS-SP) alega que os trabalhos de investigação estão emperrados por divergências políticas entre o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), e o relator, deputado José Mentor (PT-SP). 

Banestado II
Onde se lê divergências políticas entre Paes de Barros e José Mentor, leia-se requerimentos que foram sobrestados (aguardam apreciação em momento mais oportuno) pelo relator, a pretexto de ratificar a lisura do processo de investigação.

O mais importante desses requerimentos, que motiva a briga entre Mentor e Paes de Barros, é o pedido para que o Banco Central encaminhe à CPI cópia do inquérito aberto pelo BC contra Henrique Meirelles, na época em que ele presidia o BankBoston e foi acusado de fabricar prejuízo falso, sonegar Imposto de Renda e enviar recursos ilegalmente para o exterior, via contas CC-5...Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 21/06
 

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