Segmentos do governo federal querem entregar petróleo brasileiro
Enquanto estatal brasileiro sofre com loteamento de cargos, quebra de monopólio e concessões a multinacionais, Argentina volta a criar estatal petrolífera. "A energia deve unir todos os povos da América do Sul", disse o ministro de Obras Públicas, Julio De Vido. Maio de 2004. Da redação, 13 de maio, 2004


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A Secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Foster, disse que a 6ª Rodada de Licitação atrairá interesse maior grupos estrangeiros do que as anteriores porque o Governo Federal pôs em leilão as melhores áreas com "comprovada incidência de hidrocarbonetos". São blocos desenvolvidos pela Petrobrás, que embora tenha realizado pesquisas nas áreas, teve que devolver os blocos por determinação do Governo Federal.

A companhia adquiriu as concessões em 1998, antes das rodadas de licitação realizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo Maria das Graças, a 6ª Rodada terá maior presença de empresas estrangeiras. Recentemente, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, informou que estaria sendo oferecido para as empresas estrangeiras o "filé mignon". Pela Lei 9478/97, as empresas passam a ser proprietárias do petróleo e podem exportá-lo, como já vem fazendo a Shell.

O diretor Técnico da ANP, Milton Franke, disse que, por determinação do Governo Federal, as próximas rodadas de licitação só terão as melhores áreas mapeadas e pesquisadas pela Petrobrás para serem entregues às multinacionais estrangeiras.

O exemplo do vizinho

Depois de ter sido pressionado por organismos internacionais para vender a estatal YPF à multinacional Repsol, durante a gestão de Carlos Menem, o governo argentino anunciou a criação de uma estatal petrolífera: a Energia Argentina Sociedade Anônima (Enarsa). A empresa, que nasce sob uma saraivada de críticas do mercado, pretende dedicar-se à exploração de novas áreas de gás e petróleo. Desta forma, o governo pretende reassumir o controle do Estado sobre uma área estratégica, que é o da energia, devido à crise de desabastecimento que assola ao país.

A diretriz da nova estatal será o atendimento das demandas da população, oferecendo recursos energéticos a preços competitivos. "O Estado argentino e suas comunidades estão desprotegidos", disse o ministro de Obras Públicas, Julio De Vido. Ele destacou a aliança estratégica com a petrolífera venezuelana PDVSA. "A energia deve unir todos os povos da América do Sul".

O presidente da Argentina, Nestor Kirchner, criticou as empresas privatizadas durante o governo Menem. "Não fizeram os investimentos necessários", disse ele. Segundo Kirchner, o país está de braços abertos para os investidores, mas eles precisam mudar a atual "cultura do esforço". "Não pode ser que o custo da falta de investimentos caia sobre o povo argentino. Esperamos que isso possa ser revertido", acrescentou Kirchner.

O governo argumenta que as empresas privatizadas não fizeram investimento no setor desde 1997, deixando o país à beira do colapso, num momento de reativação da economia argentina.

O petróleo é deles
César Benjamin, Caros Amigos, junho de 2004

Coube ao próprio presidente Lula, há pouco mais de um mês, anunciar discretamente a realização da sexta rodada de licitação de áreas petrolíferas brasileiras, marcada para o próximo dia 15 de agosto. Nas cinco primeiras rodadas, realizadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, empresas estrangeiras arremataram, a preços simbólicos, áreas descobertas pela Petrobras, ganhando automaticamente o direito de exportar todo o óleo delas extraído. Em 1997, na oposição, o PT votou contra a lei que permitiu isso, e ao fazê-lo usou adjetivos muito pesados contra o governo de então. Em 2004, no poder, o PT prepara-se para patrocinar um megaleilão de áreas onde a Petrobras já encontrou 6,6 bilhões de barris de petróleo de excelente qualidade, correspondentes a 50% das reservas nacionais comprovadas.

Que adjetivos merece um partido que age assim?

Nenhum motivo legítimo há para mais esta chocante mudança de posição. Ao contrário. Toda a evolução do setor petróleo, no Brasil e no mundo, aponta para a necessidade de fortalecer a Petrobras e agir com grande cautela. Os argumentos usados por Fernando Henrique para abrir o setor ao capital estrangeiro mostraram-se falsos: em vez de pesquisar novas ocorrências, as empresas privadas entraram apenas nas áreas onde a Petrobras já havia feito com sucesso a prospecção, uma atividade cara e arriscada. Compraram bilhetes premiados. É o que se repete agora, com o leilão dos chamados "blocos azuis", de grande potencial. Como estamos às vésperas da auto- suficiência na produção brasileira de petróleo - uma conquista histórica para o Brasil -, as áreas que o governo Lula entregará às multinacionais só poderão entrar em operação para exportar. Pelo menos três motivos tornam essa decisão desastrada.

A geologia brasileira é desfavorável à ocorrência de petróleo, de modo que não devemos esperar que grandes descobertas se sucedam. Nossas reservas comprovadas e prováveis, de 16 bilhões de barris, poderiam garantir um horizonte de autonomia de cerca de dezoito anos, que será dramaticamente reduzido pela política atual. Graças ao esforço e à competência das gerações passadas, o Brasil se tornará auto-suficiente em 2006, mas a política implantada por Fernando Henrique e confirmada por Lula nos reconduzirá à posição importadora em bem menos de uma década. Isso acontece num momento em que dois processos se somam, no mundo, para sugerir justamente o caminho oposto. De um lado, o vertiginoso crescimento da China e da Índia, fortemente dependentes de importações, tem aumentado a demanda mundial e pressionado os preços para cima. Na próxima década, a China terá dobrado o seu consumo e precisará obter no exterior mais de 80% de todo o petróleo de que necessita. A dependência de abastecimento externo já é de 50% para os Estados Unidos, 60% para a Europa e 100% para o Japão, o que permite antever o potencial de conflito envolvido nessa questão.

De outro lado, hoje se sabe que as reservas mundiais foram grosseiramente superestimadas. Em todos os casos, estão sendo revistas para baixo. Durante a recente epidemia de fraudes contábeis, as mais respeitáveis multinacionais do setor apresentaram números falsos para elevar o valor de suas ações. As reservas da Shell foram infladas em 24%, as da El Paso em 33% e as da Enron em 30%. Diversos países fizeram o mesmo, inclusive grandes produtores, como os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o México. Anunciaram a posse de jazidas entre 20% e 40% maiores do que as verdadeiras, pois as quotas de produção, definidas no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), são proporcionais às reservas declaradas. Há muito menos petróleo disponível do que se pensava.

Com a elevação do consumo e a descoberta das fraudes, o mercado mundial mergulhou em grande incerteza. Em cerca de um ano, o preço passou de 28 dólares para 40 dólares o barril e não apresenta tendência de queda. Autores insuspeitos anunciam novos choques. O embaixador Rubens Ricupero escreveu: "A tendência a um aumento sensível e contínuo no preço do petróleo é estrutural, e não apenas fruto de manipulações de mercado. O aperto nos preços (...) pode vir em cinco anos, com mais um choque elevando o barril a 50 dólares." O economista Paul Krugman seguiu a mesma linha: "O mercado do petróleo está distendido até o limite da ruptura. (...) Na última vez que os preços atingiram os níveis atuais, pouco antes da Guerra do Golfo (1991), havia capacidade de produção excedente no mundo, de modo que havia espaço para enfrentar sérias perturbações da oferta, caso elas surgissem. Desta vez isso não se aplica. (...) Novas descobertas têm sido cada vez mais raras. (...) Os preços do petróleo estão altos e podem subir ainda mais."

Prevê-se que em 2010 atingiremos o pico da produção mundial e começaremos a ver um declínio na oferta. Alguns, mais assustados, já falam em petróleo a 100 dólares o barril no fim da próxima década. O número é especulativo, mas a tendência é certa.

Nesse contexto - com um mercado estressado, preços em alta, conflitos à vista e às vésperas de um choque anunciado -, o governo Lula decidiu retirar do controle da Petrobras e entregar a empresas multinacionais 6,6 bilhões de barris das reservas comprovadas brasileiras (repito: a metade das reservas comprovadas brasileiras). Essas empresas farão uma farra de exportações durante alguns anos. Em troca, nos darão alguns trocados que o ministro Palocci cuidará de repassar em dia aos bancos internacionais, nossos credores. Por causa dessa destinação prevista, a suspensão da licitação, segundo o ministro, "emitiria um sinal negativo para os mercados".. Que adjetivos merece um governo que age assim?

Petróleo, como se sabe, é recurso não renovável, sem o qual, com a base técnica atual, nenhuma economia funciona. Um país carente desse recurso, como o Brasil, e que necessitará, em algum momento, reencontrar o caminho do desenvolvimento precisa gerenciar com muito cuidado suas próprias reservas, inserindo-as em um planejamento estratégico de longo prazo. Perceber isso não depende de ideologia nem exige formulações sofisticadas. Basta decência.

Invertendo o lema da campanha popular que levou à criação da Petrobras, o governo Lula decretou que o petróleo é deles. Faltam-me os adjetivos.


César Benjamin é autor de A opção brasileira (Contraponto, 1998, nona edição) e Bom combate (Contraponto, 2004). Escreve uma análise mensal de economia e política econômica na página http://www.lpp-uerj.net/outrobrasil/


Disponível em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=744
 

Manifesto "Um Crime Contra o Brasil"

Diversas entidades (ver no final), maio de 2004


Você sabia que está prevista para ocorrer em agosto a 6ª Rodada de Licitação das áreas sedimentares brasileiras com grande potencial de ter petróleo? Sem qualquer visão estratégica para o país, o Governo Federal está deixando uma herança maldita para o futuro quando há perspectiva de um grande aumento no preço do barril de petróleo.

Com a flexibilização do monopólio estatal, ocorrida na gestão Fernando Henrique Cardoso, nem o preço da gasolina baixou nem se criou emprego no país. A política beneficiou apenas as empresas estrangeiras que incorporam ao seu patrimônio reservas petrolíferas mapeadas pela Petrobrás e por um valor abaixo de sua importância estratégica. Quando se mexeu no monopólio estatal do petróleo a justificativa era de necessidade de capital externo para pesquisar novas áreas potencialmente produtoras.

Na prática, decorridos anos, não está ocorrendo isto. As empresas estrangeiras não têm interesse em pesquisar novas áreas, porque o risco é alto. A Petrobrás está concentrando os seus esforços na área de desenvolvimento porque precisa pôr em produção os campos descobertos a fim de impedir que eles sejam devolvidos à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para serem leiloados.

Após ter havido cinco leilões, sendo quatro no governo FHC, onde foram transferidos para empresas estrangeiras os blocos pesquisados pela Petrobrás, o governo quer realizar a 6ª licitação, esquecendo-se da importância estratégica que o petróleo tem para qualquer país que queira se desenvolver.

Além de praticamente “doar” as reservas pesquisadas pela Petrobrás nestes leilões, a Lei 9478/97, aprovada no governo FHC, dá a propriedade a quem produzir (art. 26), permite que o petróleo possa ser exportado, sem que seja verificada a necessidade futura do consumo no país.

UM VERDADEIRO CRIME CONTRA O BRASIL. A Petrobrás, empresa que demonstrou ser altamente eficiente no setor, vem sendo preparada para uma futura privatização. OUTRO CRIME CONTRA O PAÍS. A companhia, junto com universidades brasileiras, desenvolveu uma tecnologia em águas profundas de importância mundial, tendo recebido prêmios internacionais. Abaixo, perguntas necessárias para se entender a importância da Petrobrás e do controle das reservas de petróleo pelo povo brasileiro.

1) Qual a importância do petróleo?
O petróleo é o principal componente da matriz energética do planeta. É do petróleo que saem importantes derivados, como a gasolina, o diesel, o gás de cozinha, querosene de aviação e para a petroquímica gerando produção de objetos das mais variadas utilizações, como brinquedos, insumos como produtos industriais, remédios, vasilhames e roupas. Por isso, o petróleo é tão disputado. É um insumo que movimenta a economia e, lamentavelmente, impulsiona a máquina de guerra. Petróleo é energia sob forma de hidrocarboneto, portanto, um produto que movimenta o mundo, por isto, estratégico.

2) Por que não se pode exportar petróleo?
Porque hoje o Brasil consome pelo menos 2 milhões de barris/dia; se a Petrobrás exportar um milhão de barris/dia em 2007, como está planejando, serão mais 365 milhões de barris/ano. Em 10 anos, 11 bilhões sairão das nossas reservas, restando apenas 7 bilhões. A justificativa de que novas reservas serão descobertas também é aleatória. Não somos uma Arábia Saudita. Nosso petróleo é limitado porque a geologia é adversa, na qual a maior parte da área sedimentar (6.436.000 Km2, inclusive a área de plataforma continental), é ocupada por bacias de idade Paleozóica (uma ou duas Proterozóicas), em terra, que na classificação do geólogo H. D. Klemme tem o seu potencial petrolífero menor que 1% da reserva mundial. Novas reservas, se descobertas, irão suprir as quedas dos campos atuais (Marlim, que responde por 60% da produção da Bacia de Campos, tem uma queda de 10% ao ano) e o aumento do consumo quando o Brasil retomar o crescimento econômico. O que sobrar será pouco. NÃO PERMITE A EXPORTAÇÃO.

3) Qual a função da Petrobrás?
A Petrobrás é uma empresa de alto conteúdo estratégico. Além da obrigação de achar petróleo e mantê-lo sob controle dos brasileiros, a empresa tem uma função de abastecer o país ao menor custo para a sociedade. Além disto, a empresa é fundamental na geração de tecnologia, de empregos e de impostos. No ano de 2003 ela recolheu cerca de R$ 30 bilhões em impostos, taxas e royalties aos cofres públicos.

4) Por que o preço dos derivados de petróleo são dolarizados?
Porque o governo brasileiro tomou esta decisão. O Brasil produz hoje cerca de 90% do petróleo consumido no país. Em 2006, haverá auto-suficiência, ou seja, poderemos produzir todo o petróleo exigido pelo consumo. O preço cobrado pode ser o de custo de extração e mais lucro estabelecido. Mas, para isso, a empresa precisa ser mantida brasileira e estatal. Quando Fernando Henrique Cardoso e sua equipe trabalhavam para privatizar e desnacionalizar a Petrobrás, eles prepararam os preços de forma a elevar brutalmente os lucros da Petrobrás. Venderam 40% das ações da empresa em poder da União por um preço inferior a 10% do valor real. Como conseqüência, ao manter elevados os preços dos combustíveis, a gestão Henri Phillipe Reichstul transferiu recursos do consumidor brasileiro diretamente para o investidor estrangeiro, notadamente norte-americano. O trabalhador brasileiro, cujo salário mínimo é US$ 80, paga pelo gás de cozinha o mesmo preço que um trabalhador do primeiro mundo, cujo salário mínimo é superior a US$ 1.200.

5) O que foi a campanha “O Petróleo é Nosso”?
Foi uma campanha que uniu os brasileiros na década de 50. Depois de embates teóricos entre duas correntes denominadas de “entreguistas” e “nacionalistas”, venceu a tese do Marechal Horta Barbosa: o petróleo deve ser controlado pelo povo. Na época, havia a constatação de que o petróleo é um bem estratégico fundamental para a sobrevivência das nações. Todos se uniram. Militares, através do Clube Militar, e estudantes, por meio de suas entidades, foram determinantes para o sucesso da campanha coordenada nacionalmente pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional. Pela força da mobilização popular, o presidente Getúlio Vargas assinou a Lei 2004 que garante o petróleo nas mãos dos brasileiros e criou a Petrobrás, que começou a operar em 1954. Mas as pressões das transnacionais o levaram ao suicídio.

6) A Petrobrás foi eficiente nestes 50 anos de existência?
Sem dúvida. Como afirmava o Marechal Horta Barbosa, o Brasil seria capaz de desenvolver tecnologia para o petróleo, além de uma indústria básica. Tudo isto foi realizado com eficiência. Outro dado importante: as grandes empresas petrolíferas têm cerca de 150 anos. A Petrobrás, em menos de meio século, passou a produzir mais de 80% do consumo brasileiro. A Petrobrás em 50 anos jamais deixou o país desabastecido. Pesquisou, desenvolveu, absorveu e gerou tecnologia que lhe deram dois prêmios internacionais. Investiu no país cerca de US$ 100 bilhões, mais do que todas as transnacionais investiram em todos os segmentos, desde que estão no país; economizou mais de US$ 300 bilhões em divisas; descobriu 18 bilhões de barris de óleo equivalente, entre muitas outras iniciativas que orgulham os brasileiros.

7) Cite outros exemplos sobre o bom conceito da Petrobrás?
Os fatos falam por si. A Petrobrás alcançou o mais alto nível em perfuração, tendo recebido, por duas vezes, nos Estados Unidos, o prêmio OTC pelo desenvolvimento de tecnologia em águas profundas. O prêmio, o mais importante da indústria mundial do petróleo, atribuído pela organização internacional Offshore Technology Conference (OTC), foi entregue durante a Conferência da Tecnologia Offshore em 1994 e 2001. Em carta à direção da Petrobrás, a OTC parabeniza a empresa pelo nível tecnológico alcançado e sua contribuição à indústria petrolífera. Então, fica a pergunta: a quem interessa atacar a Petrobrás? Apenas àqueles que querem privatizá-la. Por isso, a imprensa, refém do capital estrangeiro por causa da publicidade (as empresas multinacionais representam 90% dos anunciantes nos veículos de comunicação), dizem barbaridades sobre a empresa. A pior calúnia é de que a Petrobrás vive das receitas do governo. Desde 1973 ela não usa dinheiro do governo. Ao contrário, a companhia tem rendido dividendos para o governo, conseqüentemente, para o povo brasileiro. A Petrobrás chegou a recolher para o Erário em Imposto de Renda mais do que a rede bancária instalada. A empresa propiciou uma economia de US$ 300 bilhões em divisas, reduzindo as importações. 

8) O que se tem feito para defender a Petrobrás?
Desde a sua criação, a Petrobrás vem sofrendo pressões políticas para que a empresa não seja eficiente, mas seu corpo técnico tem conseguido se sobrepor aos interesses políticos mesquinhos. E a Petrobrás é sinônimo de sucesso nacional. A maior empresa brasileira. Mas o maior rolo compressor contra a Petrobrás ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso que flexibilizou o monopólio e fez aprovar a Lei 9478/97 que permite às empresas serem proprietárias do petróleo e possam exportá-lo. Em seguida, FHC criou a ANP, que começou a licitar áreas de bacias sedimentares que a Petrobrás pesquisou e mapeou. Isto significa que a empresa brasileira ficou com o risco: a pesquisa e o mapeamento. As multinacionais vêm aqui apenas para embolsar os “bilhetes premiados”. 

9) E por que a Petrobrás, que tem tecnologia, está sendo impedida de prospectar essas áreas?
Estes descalabros só ocorrem porque os governos não têm sido nacionalistas, renegam a visão estratégica e estão entregando o nosso petróleo aos estrangeiros. Um bom exemplo é do campo de Bijupirá. A Shell o adquiriu da empresa Norberto Odebrecht que ganhou o campo sem licitação na gestão de Joel Rennó e depois se associou à Petrobrás que detém a tecnologia em água profunda. Mas como é acionista majoritária (80% X 20%), a Shell já está exportando o petróleo brasileiro com base na Lei 9478/97. 

10) A flexibilização do monopólio estatal do petróleo permitiu a competitividade?
Não existe competitividade neste setor. Por esta razão, o preço é decidido por um cartel. O que ocorre no Brasil é a prova concreta. Houve flexibilização, empresas estrangeiras vieram para o Brasil, mas o preço da gasolina não baixou. E a culpa não é da Petrobrás, como diz a imprensa, porque os lucros das distribuidoras são crescentes. O preço é ditado pela cotação internacional, não se preocupando mais com a realidade dos brasileiros que não recebem salário-mínimo igual ao do exterior. As empresas estrangeiras vieram para o Brasil, mas não trouxeram empregos. O Conselho Regional de Economia e Arquitetura (Crea) constatou o número crescente de estrangeiros que estão entrando no país com visto de turista para trabalhar em plataformas, tirando emprego de brasileiros. Até os mergulhadores brasileiros, um trabalho realizado com eficiência por nós, já começam a ser substituído por estrangeiros. Ou seja, a flexibilização não ajudou em nada os brasileiros. Só permitiu que o petróleo, que era controlado pelo Estado em favor da população, passasse para as mãos de estrangeiros, que podem exportá-lo, favorecendo as economias dos países ricos.

11) Por que o Brasil exporta petróleo?
Porque há todo um ideário imposto aos brasileiros, tratando o tema petróleo, chamado de ouro negro, como uma simples “commodity”, tal fosse a soja. Se fosse um produto qualquer, os Estados Unidos não teriam invadido o Iraque, a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Mas há um perigo maior. Especialistas estimam que, por volta de 2010, a curva de produção mundial passará por um pico, declinando em seguida. Em conseqüência haverá um aumento expressivo do preço do barril de petróleo. Especialistas chegam a afirmar que ele poderá chegar a mais de US$ 50 o barril, se continuar essa política. E nós o vamos comprar das empresas estrangeiras, que se tornarem proprietárias, o óleo mapeado pela Petrobrás. TEMOS QUE PRESERVAR AS NOSSAS RESERVAS.

12) Que reflexo este aumento acarretará à economia brasileira?
Se o petróleo estiver nas mãos do Estado brasileiro, nenhum. Porque já seremos auto-suficientes e poderemos controlar o preço internamente. Mas se as nossas reservas estiverem nas mãos de estrangeiros, eles vão preferir exportar o petróleo brasileiro – seguindo a cotação internacional – e pouco estarão preocupados com o bem estar no Brasil. Isto significa que pagaremos mais caro pelo petróleo uma vez que ele é um insumo obrigatório na cadeia produtiva, inclusive no setor de transporte. 

13) O que é esta 6ª rodada de licitação?
A 6ª Rodada de Licitação, prevista para ocorrer em agosto, por pressão do Ministério da Fazenda, irá leiloar áreas azuis (altamente promissoras), no qual há grande possibilidade de se encontrar petróleo de alta qualidade. A Petrobrás foi obrigada a devolver essas áreas para a Agência Nacional do Petróleo. É o caso do bloco BC-60, em que ela encontrou 2 bilhões de barris na parte norte. Pelo artigo 33 da lei 9478/97, a Petrobrás deveria implementar as atividades de produção em todo o bloco. Mas foi obrigada a devolver 90% dele. A produção de petróleo e gás da 6ª LICITAÇÃO será toda para EXPORTAÇÃO porque, quando elas forem postas em operação, o país já terá atingido a AUTO-SUFICIÊNCIA. 

14) O que os brasileiros devem fazer para evitar essa depredação do patrimônio brasileiro?
Primeiro, protestar contra a 6ª Rodada de Licitação. Ela não pode ocorrer porque são reservas importantes, descobertas pela nossa Petrobrás, que estarão sendo leiloadas. Não há ágio que pague a soberania brasileira. Segundo, é exigir que o legislativo modifique a Lei 9478/97 a fim de que sejam retirados os artigos que permitem a propriedade do produto por qualquer empresa e que ele possa ser exportado. O monopólio estatal do petróleo está na Constituição, no seu artigo 177. Segundo alguns juristas, a Lei 9478/97 é inconstitucional. Mas para que não haja dúvida, a lei deve ser alterada. Temos que preservar as nossas reservas estratégicas. Afinal, ENERGIA É SOBERANIA.
 

Recomendamos a todos os cidadãos brasileiros que entrem em contato com os deputados e senadores para que seja impedida a 6ª Rodada de Licitação. A ligação é gratuita, de qualquer parte do país. O telefone é 0800 619 619.

A população deve se organizar também e realizar debates sobre o tema em universidades, entidades de classe, escolas, associações de bairros para que seja deflagrada a campanha pela retomada do monopólio estatal do petróleo que, apesar de estar assegurado pela Constituição, vem sendo solertemente desrespeitado. Não se omita, seja cidadão! Envie este texto para quem você conhece. Original (para não se perder: http://www.consciencia.net/2004/mes/05/petroleo.html
 

2004: ANO DA RETOMADA DO MONOPÓLIO ESTATAL DO PETRÓLEO

Assoc Brasileira de Imprensa – ABI
Assoc Cultural José Martí – ACJM
Assoc de Defesa da Cidadania dos Mutuários e do Meio Ambiente do Brasil-ADEC
Assoc de Defesa dos anistiados Políticos Aposentados e Pensionistas – ANAP
Assoc Democrática dos Nacionalistas Militares – ADNAM
Assoc dos Aposentados E Pensionistas Do Ceará - AASPECE
Assoc dos Aposentados E Pensionistas Do Sistema Petrobrás No Nordeste- Aspene / Se 
Assoc dos Aposentados E Pensionistas Do Sistema Petrobrás No Nordeste - Aspene / Maceió / Al
Assoc dos Auditores Fiscais do Trabalho do Rio de Janeiro – AFAITERJ
Assoc dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - ADESG
Assoc dos Mantenedores da PETROS - AMBEP / RJ
Assoc dos Trab Aposentados e Pensionistas Anistiados da Petrobrás – ASTAPE-CAXIAS
Assoc dos Trab Aposentados e Pensionistas da Petrobrás – ASTAIPE- Cubatão/Santos/S.Sebastião
Assoc dos Trab. Aposentados E Pens. Ind. Destilação E Refinação De Petróleo E Suas Subsidiárias-ASTAP-MG
Assoc dos Trab. Aposentados, Pens. da Petrobrás E Demais Empresas Extrat. E Petroquimicas Da Bahia- ASTAPE-BA
Assoc Nacional dos Participantes da Petros - APAPE / RJ
Assoc Nacional dos Anistiados da Petrobrás - CONAPE
Associação Dos Empregados Aposentados Da Interbrás. AEAI/ RJ 
Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET
Associação dos Trabalhadores Aposentados da Ultrafertil Do Estado De São Paulo – ASTAUL SANTOS
Campanha Nacional em Defesa p Desenvolvimento da Amazônia - CNDDA
Centro Brasileiro de solidariedade dos Povos – CEBRASPO
Centro de Memória Osny Duarte Pereira
Comissão Gaúcha de Defesa do Monopólio Estatal do Petróleo e da Petrobrás
Diretório Acadêmico da Faculdade de Comunicação da UFF
Federação de Mulheres do Estado do Rio de Janeiro – FEMULHER
Instituto do Sol - ISOL
Movimento dos Sem Terra – MST
Movimento em Defesa da Economia Nacional – MODECON
Movimento Humanismo e Democracia - MHD
Movimento Nacionalista Brasileiro
Movimento Nova Inconfidência
Partido Comunista Brasileiro - PCB
Revista Consciência.Net
Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social do RJ – SINDIFISP
Sindicato dos Economistas – SIDECON-RJ
Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro – SENGE-RJ
Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro – SINDIPETRO-RJ
Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul –SINDIPETRO-RS 
Sociedade Nac dos Trab Aposentados Da Petrobrás, Subsidiárias, Coligadas, Controladas E Petros- SONTAPE/RJ
União Brasileira de Escritores de São Paulo - UBE
União Brasileira dos Estudantes Secundários – UBES
União Nacional dos Estudantes – UNE
 


Fontes consultadas: Associação dos Engenheiros da Petrobrás, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil.

Brasil

Busca no site | Café da Manhã | Principal..Consciência.Net


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